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    HABEMUS TOM HIDDLESTON! (Ou o que eu achei de A Colina Escarlate)

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    Cuidaaaaaaado com A Colina Escarlate spoooooooooilers.

    Se você acha que nesse último fim de semana não aconteceu nada de bom, provavelmente é porque você não passou perto de nenhum Espaço Itaú de Cinema e derivados – digo isso porque, no Cinemark, realmente não aconteceu nada de bom. A questão é: A Colina Escarlate, o novo filme do Guillermo Del Toro, está passando no Brasil! E se isso já não fosse legal o suficiente, segura essa: tem Tom Hiddleston. Altos, ALTÍSSIMOS índices de Tom Hiddleston. E eu, fã tanto de um como de outro, estava lá para conferir em primeira mão esse romance gótico, vitoriano e cheio de fantasmas.

    Agora, é importante ressaltar que, ao contrário do que disse a propaganda, não é um filme de terror. É literalmente um romance gótico que por acaso tem fantasmas. E quem já está familiarizado com os trabalhos do diretor sabe que neeeem sempre o resultado final é BOM. Eu sinto dizer que é esse o caso do filme, que infelizmente não entrou para a lista de trabalhos incríveis do Del Toro, o que definitivamente não significa que vocês não deveriam assistir! Porque, assim:

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    Eu coloco a minha mão no fogo para dizer que esse foi o filme mais bonito que ele já dirigiu. Sim, mais bonito que O Labirinto do Fauno. Detalhe que, diferente de O Labirinto do Fauno, em que ele dirigiu, produziu e ainda fez o roteiro, em A Colina Escarlate ele foi apenas o diretor – e eu aaaacho que acabei de descobrir o grande problema desse filme. Faltou Del Toro nele, hehe. Mas tanto o cenário, fotografia, figurino, tudo é maravilhoso e de tirar o fôlego. Nenhuma novidade até agora, certo? Rosas são vermelhas, violetas são azuis e o Del Toro manda muitíssimo bem no visual dos filmes dele. O problema do filme está na história.

    Sabe aquela doença que mata a maioria dos filmes de terror? A ideia é ótima, mas o roteiro não dá conta? Então, foi exatamente isso o que aconteceu nesse filme (apesar de, sério, não ser um filme de terror). A ideia inicial do filme é a seguinte:

    Edith é uma jovem americana aspirante à escritora, frustrada por seu conto de fantasmas não ter ganho o coração do editor por não se tratar de uma “história de amor”. Ela, inclusive, acredita em fantasmas, e é assombrada pelo espírito da mãe e seu repetitivo aviso: “cuidado com a Colina Escarlate”. Sir Thomas Sharpe é um nobre inglês à beira da falência que procura no pai de Edith um possível patrocinador para sua invenção: uma máquina que automatize completamente a retirada da argila vermelha tão abundante em suas terras, e que fez a fortuna de sua família por gerações. Enquanto Edith se encanta pelo baronete, seu pai despreza tanto sua invenção quanto sua pessoa, e é tão contrário ao relacionamento dos dois que contrata um detetive particular para descobrir quem, na verdade, é Thomas Sharpe, que vive acompanhado de Lucille, sua irmã mais velha.

    O detetive encontra informações chocantes o suficiente para que Thomas ceda ao suborno do pai de Edith, recebendo uma generosa soma de dinheiro em troca de quebrar o coração de Edith e voltar para a Inglaterra imediatamente. No entanto, o brutal assassinato do pai de Lucille coloca um fim em suas tentativas de separar o casal, pois agora Thomas é tudo o que a jovem tem. Ele e sua irmã, no entanto, parecem ter um plano a seguir.

    Dá pra começar elogiando: o filme tem umas cenas de susto MUITO BOAS. A cena da maçaneta é um negócio que, juro pra vocês, eu queria ver em um filme HÁ ANOS. E, já que estamos falando de um filme do Del Toro, obviamente que todos os fantasmas são mulheres, e obviamente que todas elas são interpretadas pelo queridíssimo Javier Botet. ❤️

    Agora, todo o resto é tão apressado! Entre Edith e Thomas se conhecerem, dançarem juntos em um baile (e a cena é SENSACIONAL), ele quebrar o coração dela metendo o pau no livro que ela tentava publicar (escritores e escrevedores entendem a gravidade da situação), o pai dela morrer e eles dois estarem casados demorou, tipo, uns três dias, quatro dias no máximo. Eu sei que é uma história de amor gótica-vitoriana, mas poxa! Isso porque logo nas primeiras cenas ela já deixa muito claro que o-d-e-i-a baronetes, que são todos uns parasitas inúteis. Lógico que o fator “Tom Hiddleston” é muito maior ao fator “baronete”, mas podia ter rolado uma dedicação maior no desenvolver desse relacionamento, e nem tentem me convencer do contrário.

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    Aí, ok, o pai dela é brutal e convenientemente assassinado, de forma que ela tanto não tem mais nenhum parente e é a única herdeira de uma fortuna quanto não tem mais qualquer contraindicação pra não se casar com o cara que ela acabou de conhecer e ir pra OUTRO CONTINENTE. Antes que eu me esqueça, a Edith tem um amiguinho: Charlie, um médico super fofo que obviamente tem um crush gigantesco por ela, mas por quem ela não dá a mínima, principalmente depois que Thomas aparece, e que curiosamente fica bem de boa com ela se casando com o cara gótico, estiloso e falido que ela (eu repito) acabou de acontecer. Esse pessoal não aprendeu nada com Frozen.

    Quando ela finalmente conhece a Mansão Sharpe é sensacional, pra dizer o mínimo. A casa parece um castelo. Velho e assombrado pra cacete. Lembram de “Mansão Mal-Assombrada”? Tipo assim. Uma casa com infinitos quartos só pra eles dois… E pra Lucille, claro, que está sempre por perto e com cara de quem odeia todo mundo. Assim que Edith chega ela descobre que: a) como as minas de argila estão logo abaixo da propriedade, a casa está afundando lentamente, então tem argila vermelha subindo pelo chão; e b) dentro da casa tem um sistema de previsão do tempo em 3D, também conhecido como UM BURACO GIGANTESCO NO TETO. Mas, sabem como dizem, amor numa mansão, amor num barraco, amor numa mansão que parece um barraco. E o maior problema dela na casa nem é o buraco ou a argila ou a água que parece sangue saindo pela torneira. São os fantasmas vermelhos horríveis que a mandam sair dali o mais rápido possível. Isso e o fato de ela de repente começar a tossir sangue são o suficiente para que ela fique muito louca e queira ir embora.

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    E aqui a gente tem um (mais um) PROBLEMA: “os fantasmas são uma metáfora para o passado”. É esse o serviço que eles prestam no filme, o que seria bem legal se a Edith não ficasse repetindo isso O TEMPO TODO quando comentam dos fantasmas na história que ela quer publicar. Tipo, OK PRODUÇÃO, a gente já entendeu o propósito, não precisa desenhar, e se a Edith repetir isso mais uma vez eu vou jogar pipoca nela.

    Como a era vitoriana foi uma época difícil, Thomas faz o que pode para acalmá-la e a leva para… O posto do correio, retirar umas peças que ele encomendou para a máquina que ele ainda não conseguiu fazer funcionar. Esse é o lugar mais próximo da mansão, e ainda assim está há tantas horas de distância que, quando começa a nevar, eles decidem pernoitar no quartinho dos fundos do lugar. E ali acontece tanto a primeira noite de sono tranquila de Edith quanto a consumação do casamento (e do relacionamento dos dois, que tem tipo umas duas semanas), isso sem falar de uma gloriosa cena de nem 2 segundos que fez valer a pena o filme inteiro e provou que o rosto não é a única coisa bonita que o Tom Hiddleston tem pra mostrar. AW YEAH.

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    O inverno no lugar é tão rigoroso que, de volta à mansão, eles e Lucille ficam ilhados enquanto um curioso efeito acontece: a neve branca se mistura com a argila vermelha, o que deu ao lugar o apelido de “Colina Escarlate” – o que não é NADA aproveitado o filme inteiro. Eles citam isso UMA VEZ, e a gente não mereceu nem uma cena de uma montanha vermelha e horrível no meio de uma nevasca. Literalmente não rolou uma cena “colina escarlate” o filme inteiro. E é aí que Edith pensa “POXA! Eu realmente deveria ter ouvido o conselho da minha mãe morta e apavorante que me traumatizou quando eu era pequena! Se ela só tivesse me dado um conselho que eu seria capaz de seguir antes de ser tarde demais, do tipo ‘cuidado com o nobre falido extremamente gato e sua irmã maluca!‘”.

    Curiosamente, quando Lucille descobre que os dois dormiram juntos (como o casal casado que são) ela SURTA. E, enquanto isso, nos Estados Unidos, Charlie também está surtado porque, médico que é, começou a suspeitar que o pai de Edith talvez não tenha arrebentado o próprio crânio em um acidente e, contatando o detetive contratado anteriormente, descobre que Lucille, com 14 anos, era a principal suspeita do brutal assassinato da mãe, e que Thomas já era casado com outra mulher – aliás, várias outras mulheres. Thomas, seu danadinho. Lógico que, ao tempo de Charlie chegar à mansão para avisar a amiga, Edith já descobriu isso tudo sozinha (de novo, de forma bem apressada e conveniente). Thomas casou-se três vezes antes de casar-se com ela, e as três mulheres foram envenenadas e mortas por Lucille (da mesma forma que ela está fazendo com Edith) para que ele herdasse suas fortunas e, assim, construísse a máquina que garantiria o futuro de ambos e da mansão. Isso porque os dois irmãos passaram a vida inteira trancados juntos no sótão pela mãe abusiva e o pai violento, e a única forma de amor que os dois conheciam era o que um tinha pelo outro. Thomas e Lucille viviam um relacionamento que ela julgava inabalável, isso até que ele se apaixonasse de verdade por Edith, experimentando pela primeira vez a liberdade de poder amar alguém de sua escolha.

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    E aqui tem MAIS UM PROBLEMA: em uma das gravações de Enola, ex-mulher de Thomas que convenientemente deixou um áudio de gramofone preparado e explicando tudinho sobre como e por quê ela estava sendo envenenada, ela fala para quem ouvi-la que “encontre seu corpo e a leve para casa”, o que é sumariamente ignorado por Edith. Tipo aquele game em que você ignorou todas as sidequests e depois se arrependeu porque a história podia ter se desenvolvido muito mais? Então. Isso sem falar que uma das mulheres, que eu nem lembro mais quem era, se casou grávida e perdeu o bebê por conta do envenenamento, e a criança também é um dos fantasmas, e é tão ignorada quanto todas as outras. A primeira coisa que eu disse no fim do filme foi “quem DIABOS é aquele bebê e o que DEMÔNIOS ele está fazendo ali?”. Tantas coisas ao redor e o roteiro tá lá, travado na main quest.

    A partir daí, o filme é todo Edith versus Lucille numa luta sangrenta para ver quem sobrevive. Basicamente, Lucille sendo maluca e Edith sendo sonsa, e eu enchendo a cara de M&M’s na cadeira do cinema. Aqui a gente também descobre que Charlie, que finalmente chegou com as notícias que Edith já sabia, é o único ser humano da História capaz de sobreviver à uma facada embaixo do braço, ou que Lucille é a única ser humano da História capaz de errar aquela artéria. Já Thomas se ocupa em ser o bom moço manipulado e com cara de coitado que todo mundo sempre soube que ele era, o que nem por isso garantiu um final bom para ele.

    A história é CHEIA de plot holes. Coisas super importantes são citadas e deixadas de lado na mesma hora, e a posição dos fantasmas na história é sutilmente citada todas as QUINZE MILHÕES DE VEZES em que Edith diz que os fantasmas de seu livro são apenas “uma metáfora para o passado”. GAME TIME: vire um shot toda vez que essa diaba repete essa frase. A gente sabe que não é uma história de terror, o que não signifique que os fantasmas não possam ser bem utilizados.

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    Em duas horas o filme deu voltas imensas ao redor dos mesmos pontos, sem se preocupar com outras coisas que seriam muito mais legais de explorar. É o que eu disse no começo do post: a ideia é excelente, mas se perde no meio de um roteiro sem sentido. Ainda assim, vale o preço do ingresso pela atuação e apresentação geral do filme, que é visualmente impecável. Lógico que, da história, eu mudaria quase tudo, mas quem nunca? Se todo o relacionamento de Edith e Thomas não tivesse tido mais do que quinze dias, ela talvez tivesse tido oportunidade de embarcar em uma das trinta aventuras que estavam à disposição.

    Lógico, nem tudo está perdido. A interação dos atores é deliciosa, o Tom e a Jessica Chastain deveriam ser obrigados a andarem juntos o tempo todo, de tão adoráveis que são. Eu tenho um pouco de preguiça da Mia, mas é só porque acho a cara dela fofinha demais. Eu reforço que, apesar do roteiro falho, o filme vale o ingresso, e estou seriamente pensando em usar a bunda do Tom Hiddleston como parâmetro de avaliação dos filmes (esse aqui, por exemplo, ganhou 3 bundas de 5).

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