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    Tem muita coisa dentro de mim que eu preciso mudar

    Reprodução/Pinterest

    Nunca foi segredo (nem pra mim e nem pra vocês) que esse ano seria corrido.

    Dá pra pensar, sendo bem otimista, que esse ano fecha um ciclo da minha vida e começa outro. Sendo realista, é um ritmo insano, e é física e emocionalmente exaustivo.

    Eu fiquei um tempo sem postar, como já aconteceu e vai continuar acontecendo durante o resto de 2017. Na verdade, eu fiquei um tempo absolutamente em off, porque precisava estudar. Saí dos grupos do whatsapp, ligava o computador e não sabia o que fazer nele. Precisei tirar um tempo pra mim, precisei sair de casa, nem que fosse pra andar sem rumo. Percebi que, nesse meu estilo de vida, se eu não prestar atenção em coisas além de estudo e trabalho eu não veria nunca a luz do sol, a não ser na hora do almoço (que nunca dura uma hora) ou através da janela da sala alheia (geralmente pra ver se ia chover ou não). Quando essa realização bate, ela te afeta de um jeito horrível, e você percebe que precisa mudar.

    Eu tenho essa coisa, essas manias (que você pode muito bem chamar de TOC se quiser), de acreditar que pra tudo só existe um jeito certo. E esse jeito deve ser seguido à risca, porque, simplesmente, é o jeito certo de fazer as coisas.

    Pois bem, não é bem assim. E acreditem quando eu digo: é uma dor quase física pra gente como eu admitir isso e se obrigar a sair da zona de conforto.

    Na minha cabeça, era assim que ia acontecer: eu ia sobreviver a 2017 de algum jeito que eu não me preocupei realmente em planejar, e ia me focar “só” em trabalhar, me formar, fazer meu TCC e passar na OAB. Quase nada. Colocando no papel, realmente não parece um ano muito divertido. Percebam que esse meu plano para “O Maravilhoso Ano de Dois Mil e Dezessete” não envolvia absolutamente nada que mantivesse a minha saúde mental, física ou a minha vontade de viver. Não tinha humanidade, e não levava a minha humanidade em consideração.

    Depois de alguns meses nessa rotina cada vez mais estressante, o corpo e a mente começam a te cobrar. O start que eu tive foi uma semana terrível de crises de ansiedade e estresse a ponto de eu pinçar um nervo da coluna. A pior dor que eu já senti na minha vida, que nos momentos agudos não me deixava respirar ou segurar o telefone com a mão esquerda, que muitas vezes simplesmente não funcionava. O emocional refletiu no físico e os resultados claramente não foram favoráveis.

    Passado o período de turbulência, a dor também foi passando. Um coração tranquilo fez o que relaxantes musculares, anti-inflamatórios e remédios pra dor vendidos somente com receita não fizeram. No médico, cinco minutos de alongamento e a revelação de uma escoliose que, na verdade, eu sabia que me acompanhava desde a juventude (de repente, todas as vezes em que minha mãe tinha gritado comigo porque eu estava “torta” fizeram sentido. Eu não era relaxada, eu tinha um problema na coluna). O tratamento? Uma série de alongamentos diários, musculação e respirar fundo.

    Conversando com um amigo, ele me disse que a sociedade como um todo é afetada pelos “três males desse século”: ansiedade, depressão e problemas na coluna por passarmos o dia sentados, debruçados numa mesa ou na frente de um computador. Dois destes três males dividem a cama comigo todas as noites. O terceiro é aquele vizinho que me cumprimenta todas as manhãs enquanto leva o jornal pra dentro de casa, apenas uma cerca viva na altura do joelho me separando de seu território, seu cachorro latindo empolgado preso à coleira, louco para começar a escavar o meu jardim, determinado a conseguir um dia.

    Mas saindo deste adorável condomínio que existe dentro de mim, vejam bem: na minha cabeça, no meu “único jeito certo” de resolver as coisas, eu só cuidaria do meu físico no ano que vem, depois de superar todos os obstáculos desse ano. Mas primeiro eu aprenderia a dirigir. Academia nem estava nos meus planos, eu queria mesmo era entrar no pole dance.

    Aí veio o meu próprio corpo, inventando um jeito extremamente dolorido, porém inegavelmente efetivo, de provar pra minha mente que ela estava errada o tempo todo. Não existe um jeito só de fazer as coisas, e todos os jeitos que eu pensei serem os “certos” na verdade eram péssimos e não faziam sentido.

    Acho que aceitar o que o meu corpo me disse foi o primeiro passo. Eu, de fato, precisei parar para respirar fundo, e coloquei no papel que as coisas nem sempre (ou quase nunca) vão acontecer da forma exata que eu planejei – e que os meus planos nem sempre são o melhor caminho. Depois disso, muita conversa e uma visita ao Templo Zu Lai, o estresse foi substituído por empolgação, por curiosidade de ver como eu reagiria a uma mudança tão drástica de rotina. Percebi que fazia muito tempo que eu não aprendia algo verdadeiramente novo, mas eu finalmente tinha força de vontade o suficiente para mudar isso.

    O resultado é que eu fui forçada a ver a vida inteira por um novo ângulo, e aprendi na marra que, pra cada problema, existem mil e uma soluções diferentes, e outras tantas que eu consigo inventar na hora. Não é nada fácil, e eu ainda não consigo comprovar os resultados pra vocês, mas alguma coisa dentro de mim me diz que é certo.

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