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    BEDA Livros Terror

    [BEDA] #22: 12 Leituras – Exorcismo, de Thomas B. Allen

    Reprodução / Darkside Books

    Reprodução / Darkside Books

    Vou confessar pra vocês que estou impressionada por ter conseguido fazer dois posts consecutivos do projeto 12 Leituras – isso faz com que eu me sinta menos pior por estar lendo tão pouco e tão devagar esse ano! Mas também confesso que, mais uma vez, tive sorte: o tema escolhido para esse mês calhou de ser o tema da minha próxima leitura… E o meu tema favorito da vida: livros de terror. ❤️

    As pessoas me olham torto quando eu digo que meu interesse pelo gênero não é limitado às histórias, eu gosto do estudo por trás da coisa, gosto do que dá medo e é real (ou, pelo menos, eu acredito que seja). Toda aquela história de vã filosofia que faz o mundo parecer grande e misterioso. Eu adoro coisas além da compreensão, pro bem ou pro mal.

    E aí a gente tem esse livro.

    Anos atrás, antes do blog começar a ser o que é hoje, antes mesmo de ele atender por Sentimentaligrafia, eu resenhei o livro Novos Relatos de um Exorcista, do Padre Gabriele Amorth, atualmente o nome de maior peso quando o assunto é exorcismo. Infelizmente eu deletei a resenha quando reformei o blog (não sei no que diabos eu estava pensando quando apaguei aquele texto), mas ele teria combinado MUITO com a resenha que eu estou para fazer.

    Isso porque ambos os livros não contam histórias ficcionais, mas relatos verídicos, estudos e análises sobre possessões demoníacas e sobre como a igreja se comporta perante um desafio desta magnitude.

    Enquanto em Novos Relatos o padre Gabriele conta suas próprias “aventuras”, em Exorcismo, o jornalista Thomas B. Allen organiza um compêndio de diários, notas e informações feitas pelos envolvidos no caso que originou o livro The Exorcist, ou O Exorcista que, mais tarde, inspirou o filme que matou nossos pais (e talvez alguns de vocês, vai saber) de susto.

    Sendo um relato, não uma história, não é difícil imaginar que o ritmo do livro seja bastante diferente. Os acontecimentos são lentos e graduais, e acaba tendo um certo clima de filme de terror. Eu não sei vocês, mas eu conseguia imaginar claramente as cenas lidas, sem nem precisar me apoiar no filme que o caso inspirou.

    Tudo começa quando a tia Harriet dá de presente à Robbie uma tábua Ouija. Harriet é espiritualista, e não vê mal em usar um aparato como estes para se comunicar com o espírito de uma pessoa morta. Quando ela própria vem a falecer, nada mais normal para Robbie do que tentar comunicar-se com ela.

    Reprodução / Darkside Books

    Reprodução / Darkside Books

    A partir daí, dia após dia, as coisas ficam cada vez mais incomuns. Um insistente barulho de goteira, coisas que misteriosamente mudam de lugar, o incômodo som de algo tentando arranhar seu caminho para fora de alguma coisa durante a noite. O tipo de coisa que você escolhe ignorar até que vá embora… Mas nunca vai embora, só fica mais intenso.

    Com o passar dos meses, todos estes acontecimentos sem explicação aparente escolhem Robbie como seu alvo. A cama do garoto vibra e se arrasta com ele em cima, as cadeiras e poltronas o jogam longe, ele passa horas a fio imóvel, vidrado, para depois agir como se nada houvesse acontecido, sem se lembrar de nada.

    A família de Robbie, que não é católica e tampouco tem educação ou prática religiosa, sabe que precisa tomar alguma atitude, mas não sabem dizer qual. Movidos pela curiosidade e pelo desespero, eles se voltam à tábua Ouija e outros métodos de se comunicar com os mortos à procura de uma resposta. Isso os leva a acreditar que a assombração no quarto do menino é tia Harriet – mas por que a bondosa mulher estaria machucando seu sobrinho amado? Os arranhões que antes pareciam vindos do colchão agora vêm da pele do garoto.

    O caso só chega às mãos de padres católicos quando a religião luterana já não oferece mais soluções, e mesmo assim a solução demora a aparecer. Isso porque, nos anos 1949, a Igreja passava por uma fase de modernização, e um exorcismo é algo tão antiquado, tão medieval… Parecia seguro acreditar que algo tão arcaico quanto o diabo não teria espaço na moderna sociedade americana.

    Sendo um relato, não uma história, muitos detalhes permanecem não respondidos, afinal de contas o diabo age de formas misteriosas, e há muito aqui que nem nós e nem os padres que se envolveram no longo processo de exorcismo conseguem explicar. Mesmo depois de Robbie ter se livrado do que o afligia e de, contrário a vontade do padre Halloran, responsável pelo exorcismo, o feito ter chegado ao conhecimento dos jornalistas, muitos são os que acreditam que o menino nunca foi possuído por uma força demoníaca, ou assombrado por um poltergeist.

    Talvez a história deste livro (deste diário) não te assuste, mas eu garanto que aquele insistente som de goteira (que você jura que vem da pia do banheiro) vai te incomodar muito mais depois de terminar a leitura.

    Reprodução / Darkside Books

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    Nome: Exorcismo (Possessed)
    Autor: Thomas B. Allen
    Editora: DarkSide Books
    Idioma original: Inglês
    Tradução: Eduardo Alves
    Ano da edição: 2016
    ISBN: 978-85-66636-98-7 (hue)

    Nota: 8,5/10

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