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    A terapia por trás dos Livros de Colorir Para Adultos

    Em primeiro lugar, eu quero começar esse post com uma boa notícia: hoje é meu aniversário de um ano de namoro (yeeeeeeey!). Comemorações e festividades à parte, eu quero comentar sobre o presente que o meu querido (e muito bem humorado) namorado me deu, com algumas semanas de antecedência.
    Eu ganhei um livro de colorir. Mais precisamente, O Livro Vintage de Colorir, da Editora Saraiva.

    vintage1E é aí que vocês me perguntam: por que é um presente bem humorado? Bem, digamos que eu era a primeira a achar graça dessa moda. No começo eu achei divertido o fato de “livros de colorir para adultos” existirem – e se proliferarem em velocidade recorde. Um dia tínhamos o “Floresta Encantada” e “Jardim Secreto”, no dia seguinte existiam 350 milhões de títulos diferentes de livros de colorir. Isso sem falar nos vendedores ambulantes da Avenida Paulista, que de repente vendiam ilustrações gigantescas (e bem bonitas, taí a dica) para colorir, praticamente do tamanho de um poster.

    Conforme a moda pegava, eu ia acompanhando histórias engraçadíssimas sobre os livros de colorir, e algumas até bem preocupantes. Gente gastando fortunas por mês em lápis de cor e, pasmem, aulas de pintura só para pintar dentro das linhas do livro. Gente que surtava e comprava um livro novo, só porque a pintura não ficou exatamente como aquele modelo do Pinterest. Gente que postava como sendo suas as ilustrações que serviam como propaganda do próprio livro… Vendo isso tudo conforme acontecia, eu me convenci de que esses livros não eram assim tão terapêuticos e anti-estresse. Na verdade, me pareceu algo bem estressante para algumas pessoas. Eu não via como esse tipo de coisa poderia ser saudável. No fim das contas, sempre que o namorado fazia alguma brincadeira comigo, eu rebatia dizendo que “ia gastar todo o dinheiro do mercado em lápis de cor”, e a moda do livro de colorir para adultos não passou de uma piada.
    vintage3E aí chegou meu namorado, que em um só presente conseguiu juntar essa piada com a minha loucura por coisas vintage. Juro pra vocês, eu sou um brechó humano. Sou louca por antiguidades, a moda da época, os tons de cores, minha pasta “Vintage” do Pinterest (inclusive, me siga por lá!) cresce a cada dia. Então é lógico que eu precisei, pelo menos, folhear o livro assim que ganhei – e, pra minha sorte, a caixa de lápis de cor veio junto no presente, então não precisei sair na mão com ninguém em nenhuma papelaria.

    E as ilustrações variam tanto, são tão detalhadas, oferecem tantas opções que eu, em pouco tempo, me rendi. E não, eu não estou viciada, não estou deixando de comer ou de trabalhar para pintar o livro, e também não gastei um centavo do meu dinheiro ou uma hora do meu tempo atrás de dicas de pintura. Simplesmente, se eu tenho algum tempo livre, ou quero esfriar a cabeça durante os estudos, abro o livro e pinto um  pouquinho.

    Eu sempre fui bastante meticulosa e detalhista, e me descobri paciente também. Estou há duas semanas na mesma página, não tenho pressa. E, devo dizer, estou aproveitando muito mais do que quando eu era criança. E foi isso que me levou a refletir sobre o real lado terapêutico desses livros, pelo menos na minha opinião. Veja bem: lápis de cor e livros de colorir são produtos voltados para o mercado infantil e, apesar de a Marcela criança realmente ter parado quieta por umas horinhas só para colorir um desenho, sempre existia a frustração de ele nunca ficar como eu havia imaginado, ou a dorzinha de ter borrado ou pintado fora da linha. Sempre tinha aquele amiguinho de pintava/desenhava melhor que todo mundo, e eu terminava que tinha até vergonha de mostrar o desenho que eu tinha feito. Talvez a Marcela criança não fosse tão meticulosa e paciente quanto eu sou hoje, mas quem a culpa?

    Qual foi minha surpresa ao perceber que, finalmente, eu conseguia pintar dentro das linhas, e me orgulhar de fazer algo exatamente como eu tinha planejado? Eu tenho uma visão que não tinha quando pequena, e minha capacidade de planejamento é muito maior (e melhor), então eu consigo tirar um prazer imenso, não só do fato de eu poder finalmente criar algo bonito, mas do fato de eu olhar por minutos seguidos um desenho em branco e planejar, com calma, que cores usar. Eu não vou pegando qualquer lápis e carcando no papel porque “a rosa deveria ter essa cor”, não tem professora para me encher o saco porque a folha é roxa e não verde. Não vou dizer que descobri em mim o talento da arte, da pintura ou de coisa que o valha, não tenho a cara de pau de comparar as minhas flores coloridinhas com lápis de cor aquarelável com o trabalho de um ilustrador, por exemplo. E também não vou dizer que livros de colorir são literatura. O brasileiro não lê mais porque compra livros de colorir. Mas, se você me perguntar, o livro de colorir é um ótimo intervalo entre um capítulo e outro de um livro de verdade.

    vintage5E sobre as pessoas que só encontraram nesse livro um novo motivo de estresse: meu conselho seria não pintar para ter o desenho pronto, ou correr com a pintura porque a amiga já está na ilustração seguinte e você está atrasada. Não é uma competição, nem um trabalho. Você não precisa mostrar seu desenho para ninguém, não precisa copiar aquele que já ficou bonito e já é conhecido por todos. E você também não passa pelo estresse de criar o desenho. O caminho já está meio andado, e o livro de colorir se compara ao tricô, crochê, ao jogo de damas ou à novela do fim da tarde: você não precisa pensar em nada, não precisa combinar as cores, não precisa se preocupar. Ninguém vai pensar menos de você se o desenho não ficar ideal, justamente porque não existe ideal. Nenhum desses modelos tem uma versão canônica como parâmetro de comparação, e essa é a graça. Ao invés de lamentar porque o desenho não ficou como o modelo escolhido, pergunte-se o que você pode criar por conta própria.

    A diversão é, justamente, deixá-lo diferente de todo o resto. Com sorte, você vai se empolgar tanto com a pintura que vai esquecer dos outros problemas e preocupações. E tudo bem procurar dicas, tutoriais ou gastar um dinheirinho num material diferente, o importante mesmo é não esquecer que a qualidade ou o preço do que você usa não vai definir o resultado. Eu vou muito bem com os lápis que ganhei de presente, muito obrigada, e não tenho qualquer plano de “investir” em mais nada.

    Para alguns é uma forma de esvaziar a mente de problemas e preocupações; para outros é um treinamento e um aprendizado; para outros, existe um objetivo a ser alcançado. Para mim, foi um ótimo jeito de deixar a Marcela criança feliz, porque o desenho finalmente sai do jeito que ela imaginou. E eu espero que, para você, tenha um significado pessoal (e especial!) também. E, sobretudo, eu espero que você se divirta.

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