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    Animes e Mangás

    The Ancient Magus Bride

    Eu vinha sofrendo, já há alguns meses, de um inédito desinteresse por animes novos. Confesso que até me perguntei se não seria algum efeito colateral de ficar mais velha, e me contentei em rever animes antigos e já amados, só ficando de olho de vez em quando nos lançamentos e fazendo uma nota mental ou outra sobre alguma novidade que talvez fosse interessante assistir. Isso, é claro, até que The Ancient Magus Bride tirou meus pés do chão e me recebeu com uma surpresa maravilhosa.

    Algo que não acontecia desde Mahou Shoujo Madoka Magica, eu passei literalmente o dia inteiro assistindo todos os episódios disponíveis – só para ter a terrível notícia de que a primeira temporada ainda está sendo exibida no Japão e que, pela primeira vez na vida, eu estava em dia com um anime e tinha que sobreviver à conta-gotas de um episódio por semana. Isso somado a descoberta de que o mangá havia finalmente chegado no Brasil, e está (até o momento da produção desse post) em seu segundo volume. Eu também já comprei e li os dois, descobrindo quase com orgulho que a animação é extremamente fiel à obra de Kore Yamazaki, e isso que eu vou falar agora não faz o menor sentido, mas, apesar de já saber o que vai acontecer por ter visto o anime, eu estou doida para ver de novo no mangá? Então o resultado até aqui é uma produção e adaptação incríveis e eu ansiosa duas vezes.

    Acho que o grande destaque de The Ancient Magus Bride é que é uma história inteiramente sobre folclore ocidental, contada desse jeito que só o Japão é capaz. Nós vamos, literalmente, de Shakespeare a Lovecraft, passando pelos dragões da Islândia, kelpies escoceses, vodyanoy eslavos e um vilão bíblico. Tudo bem se você não conhecer nenhum deles, Chise também não conhece, e é pelos olhos de uma garota japonesa no meio do Reino Unido que cada um desses seres mágicos se releva para quem está assistindo.

    Desde pequena, a vida de Chise nunca foi fácil. Não só ela conseguia ver criaturas estranhas que ninguém mais enxergava, como essas criaturas assustadoras pareciam atraídas por ela, de maneira que a garota nunca conseguiu fazer amigos e, longe dos pais, foi jogada de uma casa para outra, onde ela claramente nunca era bem vinda. Aos quinze anos e desinteressada pela própria vida, Chise descobre que há pessoas pelo mundo que pagariam um bom dinheiro pela habilidade dela, o que a leva a ser, de boa vontade, o objeto mais valioso de um leilão entre magos e feiticeiros. É lá que ela conhece Elias, que não é nem humano e nem espírito, e que faz dela sua aprendiz e, para todos os efeitos, sua noiva.

    A história começa com Chise e Elias cumprindo três missões para a Igreja, uma delas se passa em Ulthar, a cidade dos gatos do conto de Lovecraft, e sua história é bastante semelhante ao conto de terror: há uma pessoa na cidade matando gatos, e os felinos sobreviventes se reúnem para fazer justiça. Em The Ancient Magus Bride, é claro, há muito mais magia por trás, e a história do Reino dos Gatos é, ao mesmo tempo, impressionante e terrível. Não existe nenhuma cena gráfica na animação, mas a história de Ulthar é, afinal de contas, sobre um assassino de gatos, então é sempre bom preparar o estômago e abraçar o felino mais próximo com força. Vocês sabem como eu sou a respeito de filmes onde os animais são mortos, mas aqui eu recomendo que, se possível, vejam os episódios por inteiro.

    Enquanto Chise aprende sobre magia e sua própria natureza como uma Sleigh Beggy (algo como uma abelha-rainha entre as criaturas mágicas) e descobre que fadas e outras entidades nem sempre são assustadoras, Elias aprende sobre os seres humanos, suas emoções e relacionamentos. Criaturas já conhecidas da literatura, como Titania e Oberon de Sonho de uma Noite de Verão dividem cena com personagens originais e folclóricos em uma história que ganha cada vez mais espaço no coração de quem assiste. Caso a ideia de uma adolescente e um mago centenário com cabeça de osso formarem um casal te pareça estranha no começo, eu duvido que ela não cresça em você em apenas alguns episódios. Como a própria Kore Yamazaki diz no primeiro volume do mangá, a esperança dela é que o par humano/não-humano vire moda, e eu só posso dizer que, se depender de The Ancient Magus Bride, vai virar com certeza.

    Tudo no anime é harmônico e bem feito. A poesia começa no título de cada episódio (os mesmos para o mangá e o anime), e as cores e a trilha sonora trabalham tão bem com a narrativa que eu me vi segurando o choro umas quatro vezes até agora. Eu mal posso esperar para descobrir mais sobre a história de Chise e Elias e ver esse relacionamento tão estranho, mas tão lindo, se desenvolver.

    Caso você resolva dar uma chance para The Ancient Magus Bride, eu espero que você se divirta tanto quanto eu, e passe por aqui mais tarde pra gente conversar mais sobre.

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