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    Eu vi: Kubo e as Cordas Mágicas (2016)

    Reprodução / Tumblr

    Se você precisa piscar, pisque agora.

    Eu ouvi falar de Kubo e as Cordas Mágicas pela primeira vez em uma notícia em um jornal digital, escrita por alguém tocado no fundo do coração e sinceramente impressionado com a qualidade do longa-metragem… E depois nunca mais ouvi ninguém falar nada a respeito. No mesmo dia tentei encontrar o filme na internet, e só consegui com aquela péssima qualidade de coisa filmada na sala do cinema (diga não à pirataria). Precisei esperar.

    Desde então, continuei sem ver ninguém falar a respeito. Nem mesmo os blogs que eu acompanho. Esperei um bom tempo até ter certeza de que encontraria o filme com boa qualidade para assistir – o que aconteceu, especificamente, ontem. Hoje eu estou aqui para preencher esse vão, e explicar por que vocês precisam ver esse filme.

    Kubo and the Two Strings, que no Brasil, ao que tudo indica, foi inicialmente traduzido como Kubo e a Espada Mágica (o que é absolutamente ridículo porque a espada em questão tanto não é mágica quanto não tem nem um sexto da importância que o instrumento musical do protagonista possui), mas que também possui o título de Kubo e as Duas Cordas ou Kubo e as Cordas Mágicas (o que faz muito mais sentido), é uma animação em stop motion, produzida daquela maneira maravilhosa e nostálgica dos desenhos da minha infância (provavelmente da sua também). Cada expressão e movimento foi produzido em fantoches, bonecos, com literalmente milhões de expressões faciais diferentes, tudo feito com tanto esmero e delicadeza que uma única cena chegou a demorar mais de um ano para ser terminada. A produção conta com uma equipe idolatrada de dubladores, coroada por Ralph Fiennes, Charlize Theron, Rooney Mara e Matthew McConaughey. O protagonista é dublado pelo queridinho que fez Rickon Stark na série Game of Thrones.

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    Tudo na história te prende e encanta mais de um sentido ao mesmo tempo. As cores, a fotografia, a maneira como os personagens se movem, embalados por uma trilha sonora fantástica e uma história especialmente sensível torna quase impossível não se emocionar no final, independente da simplicidade da mensagem a ser passada.

    A história se passa no Japão antigo, e é baseada na mesma lenda que O Conto da Princesa Kaguya, produzido pelo maravilhoso Studio Ghibli e já resenhado aqui no blog. Kubo é um menino que, quando bebê, teve um dos olhos arrancados pelo seu avô, o Rei da Lua. Seu pai Hanzo,, um grande e nobre samurai, perdeu a vida guerreando contra ele para proteger seu filho, enquanto Sariatu, esposa de Hanzo, fugia para longe com o filho nos braços, impedindo que seu pai e suas irmãs, a realeza do Paraíso, o encontrassem e, assim, arrancassem seu outro olho, deixando-o cego para a humanidade, tornando-o para sempre uma criatura fria, habitante do reino da lua.

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    Sariatu e Kubo passam toda a infância do garoto vivendo em uma caverna, no alto de uma montanha. Ela, que no passado foi a mais poderosa das filhas do Rei da Lua, enfraquece a cada dia, recuperando a consciência apenas ao anoitecer, quando então conta ao filho as fantásticas aventuras de seu pai, que recuperou três itens legendários para montar uma armadura mágica capaz de derrotar o Rei da Lua.

    Kubo herdou o coração heroico do pai e os poderes mágicos da mãe. Todas as manhãs ele vai até o vilarejo mais próximo, munido do shamisen de Satiaru (um instrumento musical de três cordas) e de uma infinidade de papeis de origami. Na praça do vilarejo ele reconta as histórias de seu pai, e a música que ele cria é capaz de dar vida às criaturas de origami, que interpretam magicamente as histórias contadas pelo menino. Fazendo isso do nascer ao pôr do sol, Kubo consegue dinheiro para alimentar sua mãe que, em seus curtos períodos de consciência, o faz prometer três coisas: jamais tirar o kimono de seu pai, jamais se separar de um amuleto em forma de macaco e jamais estar fora de casa depois de anoitecer, pois, com a lua nos céus, seu avô e suas tias facilmente o encontrariam para terminar o trabalho e roubar seu outro olho.

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    Infelizmente, nem tudo sai como o planejado. Kubo desobedece a terceira regra de sua mãe ao ficar até o anoitecer no cemitério do vilarejo, no dia do festival que honra os mortos, por acreditar que o espírito de seu pai viria a seu encontro. A próxima coisa que ele sabe é que sua mãe morreu para defende-lo de suas tias, que seu vilarejo foi destruído e que ele tem pouco tempo para conseguir recuperar os três itens da armadura de Hanzo, e assim preparar-se para derrotar seu avô de uma vez por todas.

    Ao lado da Macaca, que ganhou vida pela magia de Sariatu para protege-lo em sua aventura, e de um misterioso samurai amaldiçoado a viver na forma de um Besouro, Kubo inicia a primeira de suas três buscas, e, aos poucos, aprende tanto sobre sua própria magia quanto sobre a verdadeira história de seus pais, e, é claro, sobre a cidade na Lua habitada por divindades cruéis, que nada entendem dos sentimentos humanos.

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    A animação conquista tanto pela simplicidade da história quanto pela beleza da produção, sendo ideal para pessoas de todas as idades. A trilha sonora mistura produções atuais com o próprio shamisen de Kubo, e é coroada pela música While my guitar gently weeps, gravada inicialmente pelos Besouros Beatles, e aqui interpretada por Regina Spektor.

    Para você que, assim como eu, tinha saudades das animações em stop motion ou feitas à mão, Kubo e as Cordas Mágicas é uma recomendação preciosa.

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