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    Eu Joguei: Ori and the Blind Forest

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    Quando você entra em contato pela primeira vez com Ori and the Blind Forest (Ori e a Floresta Cega, em tradução livre), você vê algo bonito, colorido e mágico. É um jogo que vai te engolfar com uma trilha sonora sensível, aventuras que trazem prazer e desafio em igual proporção e um cenário de encher os olhos. Esse jogo te enche tanto o coração e afasta todas as suas preocupações em um nível que um final feliz e emocionante é simplesmente óbvio.

    Exceto que: esse jogo mente pra você o tempo todo.

    Quando você acabar a última missão, seu espírito estará igualmente acabado, seu coração partido em mil partes e sua mente simplesmente em negação. Você pode não aceitar a princípio, mas aos poucos a traição fica clara:

    Você estava e sempre esteve no meio de uma tragédia onde não existe salvação.

    Eu terminei esse jogo há meses e, acreditem em mim: ainda dói. Ainda dói MUITO. É realmente confuso e revoltante conseguir finalmente admitir que por mais que esse jogo machuque o jogador inocente que só queria se distrair com algo bonito, ele é ao mesmo tempo a porcaria de uma obra prima tanto em roteiro quanto em produção, e você ama o resultado final com todo o seu pequeno ser.

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    Depois de certo tempo, a gente finalmente consegue respirar fundo e acreditar que superamos o abuso que é esse jogo… E aí a Moon Studios anuncia que a tragédia terá uma continuação. Ver o trailer de Ori and the Will of the Wisps reabriu uma ferida no meu coração que nem mesmo tinha terminado de cicatrizar. E aí a gente respira fundo e pensa:

    Vai doer? Vai. Eu muito provavelmente vou terminar esse jogo emocionalmente devastada e chorando? Vou. Eu finalmente terei o final feliz que eu tanto quero para esses personagens tão amados? Provavelmente não. Eu vou jogar assim que ele estiver disponível? PODE APOSTAR QUE SIM.

    Pra vocês terem uma ideia, Ori and the Blind Forest é inspirado em Princesa Mononoke, do Studio Ghibli. A diferença entre um e outro é que no jogo não existe a intervenção humana, e tudo acontece pelos olhos de Ori: uma criatura feita de luz, oriunda da Árvore do Espírito da Floresta, que se perde de sua fonte quando ainda é um recém nascido, indo para longe, levado pelo vento. O Espírito tenta chamá-lo de volta sem sucesso, o que desencadeia a fúria de Kuro, uma coruja gigantesca feita de (como o próprio nome diz) escuridão, o verdadeiro oposto da Árvore, que é a fonte de luz e de vida de toda a floresta de Nibel.

    O ataque de Kuro resulta em um evento cataclísmico que lentamente mata toda a floresta. Ori, que havia encontrado felicidade longe da Árvore se vê órfão e sozinho pela segunda vez. Não tendo escolha a não ser lutar uma luta impossível para restaurar Nibel, Ori, com a ajuda de Sein, um pequeno enviado do Espírito da Floresta, percorre toda a região para recuperar a Luz das águas, vento e calor, elementos que juntos mantinham a floresta viva.

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    A jogabilidade de Ori é definida como Metroidvania, o que significa que o gameplay é similar aos dos clássicos Metroid e Castlevania. É em 2D, extremamente colorido, e você basicamente vence obstáculos, derrota monstros com a ajuda de Sein e desbloqueia pedaços do mapa e novas habilidades.

    Ori and the Blind Forest é um jogo complexo, um dos mais difíceis que eu joguei até agora (e ele ainda conta com uma dificuldade especial em que você só tem uma vida, RISOS, eu teria durado cinco minutos nisso). Você morre muito, muito mesmo. Faz e refaz a mesma parte do mapa um milhão de vezes porque é simplesmente muito difícil e você precisa acertar aquele ponto em específico pra não morrer, conhecem a sensação? Particularmente, eu acho praticamente impossível zerar o jogo sem alguém do seu lado te dando conselhos ou trapaceando com um walkthrough… E fiquei bem brava quando o Euclides passou da metade do jogo sem um e nem outro, confesso.

    Eu cheguei a jogar o jogo duas vezes: na primeira eu errei uma curva em algum lugar e caí em um ponto do mapa que, tecnicamente, só seria possível eu chegar lá pro fim do jogo. Resultado: a primeira habilidade que eu desbloqueei deveria ser a última, e não demorou até que eu chegasse num ponto sem volta onde eu não conseguia mais avançar porque não tinha nem o tanto de vida e nem as habilidades necessárias. Da segunda vez eu dei muito mais valor pro mapa do jogo (que é grande, colorido e lindo), e terminou que zerei a história sem nem ter precisado desbloquear todas as habilidades ou fazer todas as sidequests. Inclusive, dica importante: faça tudo o que você tem vontade de fazer no jogo antes de ir pra missão final, porque Ori and the Blind Forest não é desses games que você termina e volta pra onde você começou pra poder passear livremente por aí. Em Ori você fica pra sempre preso na última missão, e tem que começar um novo save do zero.

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    Eu não vou mentir, a história tem, sim, alguns momentos de felicidade e redenção. Mas é aquela alegria temporária num ambiente destruído. E, quando você descobre a história de Kuro, aí não tem momento alegre que te salve durante o jogo, sempre com uma trilha sonora maravilhosa pra ajudar a desgraçar a sua vida.

    As últimas missões são tristes, muito tristes. Ori, que é uma criaturinha tão pequena e fraca, dá tudo de si e um pouco mais sem nem pensar duas vezes (mais ou menos como esse camaradinha aqui). E é muito difícil colocar em palavras como o jogador se sente quando percebe que não está controlando um herói. Isso porque em Ori and the Blind Forest não existe bem e mal, heróis ou vilões. Todos eles são igualmente nobres, e igualmente tristes, e todos eles estão dispostos a sacrifícios imensos para proteger quem eles amam. Quando você percebe isso, como consegue partir pra uma luta com o peito erguido? A gente, do outro lado da tela, só quer que tudo acabe bem, mas eles sabem que é impossível que tudo acabe bem pra todo mundo. E eles precisam fazer escolhas grandes.

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    É como eu disse lá em cima, Ori and the Blind Forest é uma tragédia como há muito tempo não se vê, com heróis trágicos que encheriam nossos ancestrais gregos de orgulho. E nós, da era moderna, em momento nenhum estamos preparados para a realidade dura que se esconde atrás deste jogo tão bonito.

    E eu vou parar por aqui, antes que eu comece a chorar de novo.

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