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Marcela Fabreti

    Pessoal

    Respirar fundo: uma última olhada em 2017.

    Colagem da série “Make art, no war” de Mister Blick.

    Eu gosto de janeiro. Acredito que a maioria das pessoas gostem de janeiro, da possibilidade de respirar fundo, sentir as energias renovadas e acreditar que tudo de ruim que aconteceu ano passado ficou pra trás. Ano novo, vida nova e toda aquela ladainha.

    Segundo a Taís, a música que definiu o ano passado foi Battle Born (The Killers), e eu honestamente não poderia ter escolhido melhor. 2017 foi uma batalha do começo ao fim – na verdade, quase uma guerra, composta por um número de batalhas que parece interminável, até que termina. Eu sabia disso e vocês também, porque eu nunca escondi que o ano passado seria o momento da minha vida em que eu menos teria tempo tanto para o blog, quanto para ser quem eu sou. Era um ano em que eu deveria simplesmente respirar fundo, ir de cabeça e me preparar para o impacto, e era importante demais pra eu pensar duas vezes antes do pulo. Então eu pulei.

    Lógico que, com o passar dos meses, eu me vi obrigada a lutar batalhas que eu não havia planejado. E nem sempre eu venci. Não tive como vencer a doença que levou minha avó, que sempre me tratou como filha e a quem, no coração, eu sempre chamei de mãe. Nem sempre consegui vencer as batalhas que aconteceram dentro da minha cabeça, e só me restou lamber as feridas e enfrentar o dia seguinte de peito erguido. Também não tive como evitar as perdas que uma guerra fatalmente traz.  Muitas amizades não sobreviveram ao ano que passou. As que se mantiveram comigo o tempo todo seguem exatamente como eu: cobertas de cicatrizes, mas mais fortes do que nunca. Não foi um ano fácil para ninguém, e eu não teria conseguido sem ajuda.

    Em dezembro, eu vi o ano que parecia não acabar nunca finalmente se aproximar do fim, e a vontade de gritar que eu venci só não foi maior do medo de ser pega de surpresa por uma última onda, quando eu finalmente achasse que todo o resto ia dar certo. Dezembro foi polvilhado por vitórias grandes e pequenas, mas que fez cada um dos meus músculos doloridos tilintar de orgulho e meu peito se encher daquela sensação de quem diz que, no final, valeu a pena. E dezembro passou comigo escondida em um canto, tentando não chamar a atenção de ninguém, aproveitando qualquer mínimo dia de paz para me recuperar da guerra que parecia ter acabado. E foi assim que, quando eu menos esperava, 2017 terminou e nós finalmente pudemos gritar vitória.

    Mas janeiro não veio como a gente esperava, renovando tudo e fazendo o ano anterior cair no esquecimento: nós ainda temos as cicatrizes e os medos que acumulamos durante os últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Nós ainda somos as mesmas pessoas, mas nós estamos tão, mas tão mais fortes.

    Então tá tudo bem chorar por coisas que aconteceram e a gente tem medo de repetir, tá tudo bem se sentir inseguro, exausto, ansioso. Nenhuma dessas coisas ficou pra trás, porque elas fazem parte da gente. Eu não tenho o poder divino necessário para definir que 2018 não me trará nenhum ataque de pânico ou surpresa desagradável, mas eu tenho a capacidade maravilhosamente humana de respirar fundo e reconhecer o terreno em que eu estou pisando. É um ano novo, mas o cenário é o mesmo, sem o barulho de explosões e a necessidade de se esconder.

    Sabe quando, em alguns jogos de videogame, nós precisamos voltar para partes do mapa anteriores, agora mais fortes e com habilidades que não tínhamos a princípio, e por isso tudo parecia mais difícil? Isso é um ano novo. E, mais uma vez, a gente vai respirar fundo e se jogar de cabeça, e enfrentar – juntos – o que aparecer na frente.

    Senhoras e senhores, foi uma honra enfrentar 2017 com vocês.

     

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