Acompanhe:
Pessoal

Respirar fundo: uma última olhada em 2017.

Colagem da série “Make art, no war” de Mister Blick.

Eu gosto de janeiro. Acredito que a maioria das pessoas gostem de janeiro, da possibilidade de respirar fundo, sentir as energias renovadas e acreditar que tudo de ruim que aconteceu ano passado ficou pra trás. Ano novo, vida nova e toda aquela ladainha.

Segundo a Taís, a música que definiu o ano passado foi Battle Born (The Killers), e eu honestamente não poderia ter escolhido melhor. 2017 foi uma batalha do começo ao fim – na verdade, quase uma guerra, composta por um número de batalhas que parece interminável, até que termina. Eu sabia disso e vocês também, porque eu nunca escondi que o ano passado seria o momento da minha vida em que eu menos teria tempo tanto para o blog, quanto para ser quem eu sou. Era um ano em que eu deveria simplesmente respirar fundo, ir de cabeça e me preparar para o impacto, e era importante demais pra eu pensar duas vezes antes do pulo. Então eu pulei.

Lógico que, com o passar dos meses, eu me vi obrigada a lutar batalhas que eu não havia planejado. E nem sempre eu venci. Não tive como vencer a doença que levou minha avó, que sempre me tratou como filha e a quem, no coração, eu sempre chamei de mãe. Nem sempre consegui vencer as batalhas que aconteceram dentro da minha cabeça, e só me restou lamber as feridas e enfrentar o dia seguinte de peito erguido. Também não tive como evitar as perdas que uma guerra fatalmente traz.  Muitas amizades não sobreviveram ao ano que passou. As que se mantiveram comigo o tempo todo seguem exatamente como eu: cobertas de cicatrizes, mas mais fortes do que nunca. Não foi um ano fácil para ninguém, e eu não teria conseguido sem ajuda.

Em dezembro, eu vi o ano que parecia não acabar nunca finalmente se aproximar do fim, e a vontade de gritar que eu venci só não foi maior do medo de ser pega de surpresa por uma última onda, quando eu finalmente achasse que todo o resto ia dar certo. Dezembro foi polvilhado por vitórias grandes e pequenas, mas que fez cada um dos meus músculos doloridos tilintar de orgulho e meu peito se encher daquela sensação de quem diz que, no final, valeu a pena. E dezembro passou comigo escondida em um canto, tentando não chamar a atenção de ninguém, aproveitando qualquer mínimo dia de paz para me recuperar da guerra que parecia ter acabado. E foi assim que, quando eu menos esperava, 2017 terminou e nós finalmente pudemos gritar vitória.

Mas janeiro não veio como a gente esperava, renovando tudo e fazendo o ano anterior cair no esquecimento: nós ainda temos as cicatrizes e os medos que acumulamos durante os últimos trezentos e sessenta e cinco dias. Nós ainda somos as mesmas pessoas, mas nós estamos tão, mas tão mais fortes.

Então tá tudo bem chorar por coisas que aconteceram e a gente tem medo de repetir, tá tudo bem se sentir inseguro, exausto, ansioso. Nenhuma dessas coisas ficou pra trás, porque elas fazem parte da gente. Eu não tenho o poder divino necessário para definir que 2018 não me trará nenhum ataque de pânico ou surpresa desagradável, mas eu tenho a capacidade maravilhosamente humana de respirar fundo e reconhecer o terreno em que eu estou pisando. É um ano novo, mas o cenário é o mesmo, sem o barulho de explosões e a necessidade de se esconder.

Sabe quando, em alguns jogos de videogame, nós precisamos voltar para partes do mapa anteriores, agora mais fortes e com habilidades que não tínhamos a princípio, e por isso tudo parecia mais difícil? Isso é um ano novo. E, mais uma vez, a gente vai respirar fundo e se jogar de cabeça, e enfrentar – juntos – o que aparecer na frente.

Senhoras e senhores, foi uma honra enfrentar 2017 com vocês.

 

Compartilhe:
Comente:
Post Anterior

Você também pode gostar de:

1 Comentário

  • Responder Nicolle Por Deus

    Cara, que tiro foi esse? Depois eu venho fazer um comentário decente. Por ora só tô no chão com cada palavra mesmo.

    11 de Janeiro de 2018 às 01:49
  • Deixe uma Resposta