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Pessoal

O meu Bullet Journal (ou como eu estou aprendendo a ser mais honesta comigo mesma)

Falando sério aqui, “ser mais organizada” provavelmente esteve na minha lista de Metas de Ano Novo™ desde que eu comecei a fazê-las (ou seja: faz tempo!), e, por um motivo ou outro, eu nunca consegui encerrar um ano satisfeita comigo mesma, achando por merecido que aquela meta fosse riscada da listinha – ao invés disso, ela foi sendo reciclada até agora.

Eu já tentei cadernos, agendas, palmtops, tudo o que você possa imaginar. Sempre tive diários, até que uma forma de expressão comum e inteiramente saudável foi transformada no trauma horrível de encontrar meu quarto completamente revirado, porque um ser humano abusivo e maníaco por controle jamais vai aceitar o fato de que outra pessoa possa ter segredos ou intimidades. Depois disso, por muitos anos, eu simplesmente gostaria de poder ser mais organizada, mas nunca conseguia encontrar um método funcional que, ao mesmo tempo, fizesse eu me sentir segura para ser 100% honesta comigo mesma. Mesmo quando dito ser humano já estava fora de cena, o ato de escrever em um diário ou colocar meus pensamentos num papel de qualquer espécie ainda trazia certo desconforto, como se eu estivesse correndo um risco. Desnecessário dizer que todos os cadernos e agendas que eu adotava terminavam abandonadas depois de um tempo, ou porque careciam de apego e importância íntima, ou porque não me traziam conforto.

Esse tipo de comportamento (longe de adequado) acabou resultando em displicência com o passar dos anos, de forma que uma simples to-do list virava um desafio que eu não conseguia concluir. Acredito que o que desencadeou uma mudança em mim nesse sentido foi, em primeiro lugar, o Pinterest. Foi lá que eu descobri que algumas pessoas transformavam cadernos em branco em verdadeiras obras de arte. Mais tarde, conversando com amigas queridas e acompanhando pessoas maravilhosas da internet (alôu, Maki), eu comecei a absorver a ideia de que, eu também, poderia adotar um caderno em branco e moldá-lo de acordo com as minhas necessidades, sem obrigações, sem páginas pré-determinadas e sem limite de espaço. E, claro, sem a pressão de fazer algo perfeito digno do Pinterest, mas algo completa e inegavelmente meu, onde eu aceitasse as minhas próprias imperfeições, focasse apenas no que é importante, oficializasse as coisas que eu (achava que) organizava na minha cabeça e me focasse em ser uma pessoa mais honesta comigo mesma e melhor para mim e para as pessoas ao redor.

Foi com isso em mente que em dezembro eu comprei o caderno em branco mais adorável de todos os tempos, feito com muito amor e carinho pela mãe da Duds e, em janeiro, eu tomei a mesma decisão que muitas pessoas que conheço e dei início ao meu primeiro Bullet Journal (bujo, para os íntimos), prometendo para mim mesma que não iria me obrigar a nada, mas que iria assumir o compromisso pessoal de levar o projeto adiante da maneira que eu me sentisse mais confortável.

Claro que, como todo hábito, desenvolvê-lo requer trabalho. Janeiro foi um mês de experimentações (e muitos, muitos erros), eu estou aos poucos moldando meu caderninho da forma que mais combina comigo, e estou, inclusive, conseguindo colocar um pensamento ou outro no papel. Em fevereiro, todas as frustrações do mês anterior estão se desenvolvendo em frutos, e eu estou ganhando maior desenvoltura e noção do que me é mais interessante manter no bujo. Posso dizer, de peito erguido, que virei, de uma vez por todas, uma pessoa mais organizada? Ainda não. Mas estou procrastinando cada vez menos, a casa está cada vez mais arrumada e os objetivos que antes eu penava para concluir já estão sendo superados. Retomei alguns hábitos que eu havia perdido (como ler todos os dias), e estou nutrindo outros tantos (como beber dois litros de água por dia, me alongar e manter o sofá livre do caos).

Meu bullet journal não é, nem de longe, uma das obras de arte que a gente vê por aí, e nem nasceu pra ser. Minha caligrafia não é bonita, eu não tenho uma infinidade de materiais de arte e nem talento pra isso, mas o conteúdo dele está cada vez mais bonito e mais honesto. As páginas dele estão se enchendo de gratidão e de lições aprendidas, além de reflexões que, com certeza, encontraram um lar melhor em uma página amarela do que na bagunça da minha cabeça. Eu ainda tenho muito a fazer e muito que melhorar – sempre terei, mas 2018 já é um ano muito especial só por eu ter esse caderninho do meu lado, sem pressão, sem medo, com muito amor e determinação. Talvez, dessa vez, eu finalmente possa olhar para trás e dizer que fui mais organizada, e manter o método pelos anos que se seguirem.

Agora, dando nome aos bois:

O meu Bullet Journal:

Comprado com a Duds e feito artesanalmente pela mãe dela. Possui capa de tecido (rosa de bolinha marrom, linda e maravilhosa), elástico marrom para mantê-lo fechado e um enfeite de coração para mantê-lo ainda mais lindo, dois marcadores de página em fita, nas mesmas cores da capa. Ele possui 96 folhas (logo, 192 páginas, pra ninguém se preocupar com limitação de espaço) amarelas de gramatura suficiente pra aguentar aquarelas leves, marca-textos, lápis de cor, tudo o que eu usei por enquanto sem manchar as folhas seguintes e de miolo quadriculado (ainda não decidi se prefiro assim ou pontilhado).

Nele eu não tenho usado mais do que lápis e borracha (pra lettering de título e coisas que eu sei que vou errar, tipo linhas retas – que pra mim são muito difíceis, mesmo num papel já quadriculado, HEHE), lápis de cor Faber Castell aquarelável de 48 cores (os mesmos que eu usei nesse post aqui. Uma das vantagens de ser adulta é que eu os tenho há anos e ainda não perdi nenhuma cor), marca-textos em tons pastéis da Stabilo (comprei o estojo inteiro por uns 30 reais) e um estojinho de 12 cores de canetas coloridas de 0.5mm que eu comprei no Ebay por tipo 5 reais, que mancham menos a página e mantém o traço mais fino do que as canetas de ponta fina da Stabilo. E, basicamente, é isso. Isso até mais do que você precisa para conseguir colocar todas as suas ideias e vontades no papel e ainda deixar bonitinho.

Eu trabalho com planejadores semanais, e faço entradas de diário sempre que sinto necessidade/vontade. Minhas páginas favoritas são os habit trackers mensais, onde eu consigo controlar os dias em que mantive a pia livre de louça, bati a meta de leitura, tomei sol, passei fio dental… absolutamente qualquer coisa que eu queira tornar um hábito diário; e as to-do lists com ideias de posts para o blog e, esse mês, com a Maratona do Oscar. Uma página que ando pensando em fazer é um tracker da limpeza e organização da casa, que valha pro ano todo (tipo esse aqui – aliás, já fica a dica pra vocês conferirem o meu Pinterest depois, que tem várias pastas e inspirações de bullet journal e lettering, além de coisas que eu tenho usado pra treinar caligrafia!).

Confesso que ainda não me acostumei a atualizar o bujo todo dia, e que de vez em quando acabo fazendo uma to-do list maior do que é humanamente possível completar em um dia, mas se tem uma coisa que esse caderninho está me ensinando é aceitar e aprender com meus próprios erros. Tem corretivo em absolutamente todas as páginas, e tá tudo bem. Eu aos poucos estou reconhecendo metas que não são assim tão importantes, e tem hábitos que eu ainda não estou conseguindo manter, e tá tudo bem não conseguir fazer tudo de uma vez. O importante é que as coisas estão sendo feitas, e essa sensação é maravilhosa.

Acredito que, conforme eu vá me acostumando ao Bullet Journal, ele fique cada vez mais bonito e enfeitado. Não sei se o meu futuro guarda grandes talentos artísticos e dotes de caligrafia e lettering, mas se rolar eu vou ter certeza de passar por aqui e contar pra vocês.

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4 Comentários

  • Responder Antônio Jorge

    primeiro que eu queria elogiar muito a sua paciência, pois tem dois anos que tô na luta pra conseguir fazer um bullet journal kjkkkk, é exatamente sobre ser honesto comigo mesmo! tu acertou em cheio! eu não tenho o fôlego pra manter ele atualizado e admiro muito quem se desafia a fazer isso, acho que é quase uma questão de valores pessoais, sabe? persistência, força de vontade, etc etc
    segundo: que lindo o instagram da duds, elogia ela pra mim, se puder.

    amei o blog, mto lindinho e tu escreve com tanto carinho sz
    abçsss,

    13 de Fevereiro de 2018 às 16:00
  • Responder Larissa Zorzenone

    Olá
    O bujo também me ajudou muito. Eu sempre me considerei organizada, mas depois que parei pra realmente analisar isso, eu procrastino muito porque sempre fico pensando o que fazer em seguida. Agora se por algum motivo eu fico assim, que nem barata tonta, vou lá no meu bujo e vejo o que tem que ser feito. É salvador de vidas.

    Vidas em Preto e Branco

    15 de Fevereiro de 2018 às 10:21
  • Responder Dai Castro

    Fazer um to do list aceitável é realmente um desafio hahahaha Mas, acho que ter um bujo por perto nos dá uma visão muito legal do que estamos fazendo no nosso dia a dia, o aproveitamento do nosso tempo, hábitos saudáveis (ou nao hehe) e tudo o mais! Tem sido muito bom para mim, reservo sempre um lugar para decorar, acho que isso me faz muito bem então reuni em um só caderno organização e um espaço pra eu soltar a criatividade!Achei esse caderninho adicional muito fofo *_*
    Um beijo!
    Colorindo Nuvens

    20 de Fevereiro de 2018 às 12:22
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