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Eu vi: Fragmentado (2017)

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Se eu disser pra vocês que estava ansiosa para ver Fragmentado, é mentira. Eu mal sabia sobre o que ele falava, tinha ouvido falar da sinopse muito por cima e a única coisa que tinha me chamado a atenção foi a escolha do ator protagonista.

O que me convenceu a ver não foi a proposta de um thriller psicológico ou de uma possível atuação brilhante por parte de James McAvoy. Foi a resenha corrida no Facebook de uma conhecida minha, escrita com tanta emoção e tantos palavrões que por um momento eu me perguntei se não era eu mesma escrevendo aquilo, e pela participação de Anya Taylor-Joy, que desde sua atuação em A Bruxa ganhou passe livre no meu coração e nas coisas que eu assisto.

O protagonista do filme é Kevin, ainda que ele próprio quase não apareça. Em seu lugar, algumas de suas vinte e três personalidades distintas ocupam o centro do palco (ou “a luz”, como eles mesmos dizem). Ele, que é, de fato, brilhantemente interpretado por McAvoy, possui transtorno dissociativo de identidade, e cada uma delas possui nome, história, qualidades e defeitos, sendo pessoas absolutamente diferentes.

A história começa com Dennis, uma das personalidades de Kevin, sequestrando três meninas e mantendo-as em um cativeiro cuidadosamente projetado para que seja impossível fugir. Claire e Marcia são adolescentes absolutamente comuns, e o tempo todo planejam diferentes meios de escapar. Casey, por outro lado, é discreta e introvertida a ponto de quase ser invisível, e flash-backs de sua vida que acontecem durante o filme nos mostram que ela é uma caçadora e também uma sobrevivente.

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Além de Dennis, temos maior contato com Patricia, uma mulher maternal e cuidadosa, e Hedwig, uma criança de nove anos. Todos eles são interpretados por McAvoy, de cabeça raspada para que suas expressões se tornem ainda mais visíveis, e a diferença entre cada um deles ainda mais clara, a ponto de ser quase inacreditável.

A última personagem do filme é a psiquiatra de Kevin, que não o trata com vitimismo ou com preconceito, muito menos como um espécime a ser estudado. Ao longo de muitos anos ela recolheu grande quantidade de informação sobre todas as 23 personalidades, ou em entrevista direta com cada uma delas, ou com o que umas diziam umas sobre as outras – isso porque algumas delas, entre elas Dennis e Patricia, haviam sido banidas da luz por Barry, quem assumiu a liderança de todos eles.

É interessante observar a relação das personas, como elas possuem crenças diferentes e como elas brigam entre si. As personalidades com quem temos contato no filme são as que foram excluídas pelas outras, o que é um comportamento bastante irônico quando descobrimos que cada uma delas existe por um motivo, todas elas com objetivo de proteger Kevin. Dennis, sofrendo de TOC severo, mantinha tudo em ordem para que Kevin conseguisse escapar das punições de uma mãe abusiva (e existem teorias de que sua força e resistência existam para que ele suportasse a violência física no lugar de Kevin, a quem Dennis se refere como “muito frágil”). Patricia é o símbolo materno cuidadoso que o garoto nunca teve em sua vida, e Hedwig é eternamente a criança que ele era, ou que gostaria de ter sido. Barry é a pessoa expansiva, segura e capaz de ter uma vida normal e uma carreira de sucesso, o cara perfeito para assumir a liderança e dar a Kevin tudo o que ele jamais conseguiria por conta própria.

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Entre as personalidades surge a crença em uma vigésima quarta persona de Kevin: uma criatura quase mitológica, quase bíblica. Uma “besta” indestrutível que viria ao mundo perseguir as pessoas que nunca sofreram e firmar os sobreviventes de violência e abuso como superiores, os verdadeiros merecedores da vida. É este fanatismo que bane Dennis e Patricia da “luz”, e é em defesa dele que ambos, com o auxílio de Hedwig, roubam a liderança do corpo de Kevin.

Muitas vezes, quando vemos Dennis falando com asco sobre “as pessoas que não sofreram”, nos perguntamos se ele se refere à população mundial que nunca foi abusada ou às outras personalidades, que passaram a existir, provavelmente, quando a mãe de Kevin já havia sido superada. Não sabemos o que aconteceu com ela, mas sabemos que Dennis e Patricia são os únicos que, juntamente com o próprio Kevin, ainda lamentam o abandono de seu pai.

Tanto a ideia da Besta quanto as teorias da Dra. Fletcher, a psiquiatra especializada em transtorno dissociativo de personalidade, dão ao filme um inesperado ar sobrenatural, mais do que o de terror psicológico. O final é uma surpresa sensacional, quando percebemos que estávamos pisando em terreno desconhecido o tempo todo e finalmente entendemos do que aquilo tudo se trata.

O desenvolvimento de Casey é algo tão enriquecedor que a atriz, mais uma vez, me encheu de orgulho. De certa forma, é ela quem comprova a força na qual Dennis sempre acreditou, e o final da personagem dá abertura para teorias emocionantes, que, com sorte, serão comprovadas na continuação do filme, que sai em janeiro de 2019.

Acredito que a maioria das pessoas que assistiu ao filme ficou surpreso, de uma forma ou de outra, com uma das cenas finais. Não é surpreendente que eu tenha visto muita gente criticando o final por ele aparentemente “não fazer sentido”, então acho melhor já deixar dito que Fragmentado é a continuação indireta do filme Corpo Fechado. O próximo filme do diretor, chamado Glass, será o que vai unir as duas histórias, unindo também os dois elencos. Eu mesma (ainda) não vi o primeiro filme, e mesmo assim o fim de Fragmentado só conseguiu me deixar ridiculamente empolgada, porque era claro que havia muito mais para aquela história.

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Ainda que eu não tenha ido muito com a cara de Patricia, foi difícil não me apegar às outras personalidades, inclusive ao próprio Kevin, tudo por conta da performance memorável de McAvoy. Honestamente, não importa o quanto eu enalteça a atuação dele nesse filme, vocês precisam ver para entender o nível da coisa. É ridículo de tão bom, e é seguido de perto pela atuação de Taylor-Joy, que até agora me parece ter administrado com maestria todos os papéis que assumiu.

Eu vi muito de mim nesse filme, e me senti forte. Assim como Kevin e como Casey, eu me senti uma sobrevivente e a porra de uma heroína, que é como todo mundo que sobreviveu a uma situação de abuso deveria se sentir. Nós somos heróis, e ninguém pode nos convencer do contrário.

Fragmentado, além de uma surpresa incrível, terminou como um dos melhores filmes que eu vi nesse ano (e esta posição está bastante segura, mesmo que nós ainda estejamos em maio), e a porta de entrada para os demais sucessos de M. Night Shyamalan na minha vida. Afinal de contas, eu quero entender tanto quanto houver para ser entendido desse universo sobrenatural e cheio de super-heróis sombrios antes que esta trilogia chegue ao fim.

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6 Comentários

  • Responder Allana Império

    Garota, como você escreve bem…
    Estou com muita vontade de assistir a Fragmentado, especificamente desde que seus úlitmos trailers foram liberados. Acho muito louco como o nosso cérebro pode trabalhar para nos proteger das nossas vunerabilidades. Nunca assisti a Corpo Fechado, então vou procurar assistir antes de ver Fragmentado, para assim estar preparada na época em que Glass for lançado.
    Beijo…

    8 de Maio de 2017 às 00:41
    • Responder Marcela Fabreti

      Muito obrigada, Allana! Eu AINDA não assisti Corpo Fechado, mas desde Fragmentado que estou morrendo de vontade de ver! E estou numa hype intensa pro último filme da trilogia, quero demais rever esses personagens!!

      17 de junho de 2017 às 00:00
  • Responder KARINE

    PRECISO VER ESSE FILME, SOS
    amei a resenha ♥♥♥

    11 de Maio de 2017 às 13:21
    • Responder Marcela Fabreti

      MIGA VEJA PORQUE É MARAVILHOSO ❤️ ❤️

      17 de junho de 2017 às 00:01
  • Responder Bruna Santos

    Oi Marcela! Eu vou assistir esse filme no fim de semana (mais por causa do meu namorado que está louco pra ver) mas agora com tua resenha fiquei bem mais interessada. Gosto bastante de filmes que explorem transtornos psicológicos, mesmo sabendo que a realidade é bem diferente da ficção, não tem como não se empolgar.
    Beijo, Bruna S. ♥
    Chanel Fake Blog

    12 de Maio de 2017 às 20:47
    • Responder Marcela Fabreti

      Que bom que a resenha te deixou interessada pelo filme! 😀 Espero que você e o seu namorado tenham gostado!

      17 de junho de 2017 às 00:01

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