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Livros Terror

Os Sete, de André Vianco


Eu não vou mentir: sempre tive muito preconceito com André Vianco, mesmo nunca tendo lido! Eu era dessas desavisadas que achava que um autor brasileiro *nunca* escreveria um livro de terror ou dark fantasy tão bem quanto um estrangeiro, e o pior é que eu acho que ainda hoje tem muita gente que compartilha dessa minha opinião totalmente errada!

Pensar algo assim até que faz sentido quando a gente pensa que, por aqui, realmente não existe a influência que outros países possuem, o apreço ou o costume pelas coisas assustadoras. Enquanto lá fora tá todo mundo super animado pra celebrar o Halloween, por aqui a gente tem Zé do Caixão… Nada contra, mas vê a diferença? Nós não somos ícones no cinema de terror (inclusive vai ter post sobre filmes de terror nacionais muito em breve), e não damos o devido valor aos autores nacionais, e daí vem esse famigerado preconceito. Mesmo eu só tendo lido os clássicos das listas dos vestibulares, eu enchia o peito para falar que esse Brasilzão de meu Deus não tinha UM autor contemporâneo bom de verdade! Quem era eu na fila do pão para pensar uma coisa dessas?

Felizmente, minhas amigas estavam aqui para me mandar tomar tento, e de cara me indicaram um autor que sabiam que eu ia gostar: André Vianco, justamente o camarada de quem eu falava mal sem nunca ter visto e sem nem saber sobre o que, exatamente, ele escrevia! Adoro terror? Adoro. Adoro vampiros? Adoro! E mesmo assim, por algum motivo, eu achava do fundo do coração que Vianco não daria conta do negócio.

Pois bem, veio a Bienal do Livro de 2016 para me dar uma oportunidade irrecusável de me provar errada (esse post está vindo com um ano de atraso? Sim). André Vianco foi um dos convidados do evento, justamente porque sua maior obra, Os Sete, estava sendo reimpressa pela Editora Aleph numa capa LINDA (mas que, infelizmente, começa a descascar depois de um tempo), então lá fomos nós enfrentar fila e ficar cara-a-cara com o autor, com direito a autógrafo e tudo.

Eu prometi para tanta gente que ia ler Os Sete ASAP que ele de fato foi um dos primeiros livros que li da pilha que eu comprei na Bienal e na Book Friday, e não é que eu gostei? Começando pela capa nova, que tem os sete vampiros ilustrados, então além de ser muito divertido ir adivinhando quem era quem, eu de fato sabia como os personagens se pareciam! Lógico que a gente sempre forma uma figura imaginada, mas para mim fez muita diferença imaginar as cenas com as aparências “oficiais” dos personagens, foi inclusive parte da diversão.

E, falando em diversão, a história é divertidíssima. Não é realmente uma história de terror, é uma aventura de vampiros. É Anne Rice sem a melancolia monótona (beirando o insuportável) de Louis, com Inverno sendo quase tão deliciosamente detestável quanto Lestat, com um jeito brasileiro cheio de gingado de solucionar problemas e, o melhor de tudo: com poderes mágicos. Isso porque os vampiros de Vianco possuem, cada um, um poder único e incrível que os tornam ameaças ainda maiores, e o mais legal de toda a história é você descobrir qual é o poder de cada um – e aí voltar pra capa do livro e tentar adivinhar qual deles é quem e tem qual poder.


Fora esse detalhe, a história não inventa muita moda no quesito “vampiros”, o que pra mim foi ótimo. Vianco conseguiu fazer sua marca no tema sem precisar deturpar o que todo mundo já reconhece e ama (em resumo, os Sete bebem sangue para sobreviver, queimam no sol, tem uma política fortemente contra o uso de estacas e vivem para sempre, além de todas as outras coisas que a gente espera de vampiros), e conseguiu, sim, deixar o tempero luso-brasileiro da história no ponto.

Isso porque os Sete são vampiros portugueses, que foram capturados e enfiados em caixões de prata pouco depois do descobrimento do Brasil. Eles acordam entre nós após serem descobertos dentro de uma caravela naufragada e levados para estudo num laboratório de Universidade, e precisam tanto recuperar a força e a fama quanto entender mais dessa nossa década de noventa e, sobretudo, impedir que Sétimo acorde.

Ainda que estes vampiros tenham vivido e reinado juntos em Portugal, não dá para dizer em momento algum que eles são amigos, muito menos irmãos… Ou então eles são do tipo de irmãos que brigam MUITO, o tempo todo, e provavelmente se matariam entre si se a oportunidade viesse. Mas eles sabem que precisam uns dos outros, e a interação do grupo pra mim foi uma das partes mais divertidas do livro, e confesso que peguei as manias de fala de todos eles e segui falando “ai meu bom Jesus!” e derivados durante meses depois de ter finalizado a leitura.

Eu gostei bastante da trama, embora admita que ela tem pontos fracos e que a solução do conflito do livro não tenha sido a minha favorita. O elenco humano da história eu achei bem chatinho, mas não é novidade pra ninguém que eu ia torcer o tempo todo pros vampiros vencerem e tocarem o terror em todo mundo. Agora, o final eu achei sensacional, e quero MUITO ler Sétimo e todas as outras obras que envolvam esse grupo detestável que eu gostei tanto. 💜 E, lógico, já tenho outros títulos de André Vianco na lista e até de outros autores nacionais também! Quero ver mais das coisas bacanas que estamos produzindo por aqui, por isso me recomendem seus livros nacionais favoritos nos comentários!

Título: Os Sete
Autor: André Vianco
Editora: Aleph
Ano: 2016
ISBN: 978-85-7657-338-8

Nota: 7,0/10,00

Sinopse: Uma caravela portuguesa naufragada há mais de 500 anos é descoberta no litoral brasileiro. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos, e a situação parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles.

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