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Livros

Labirinto, de A.C.H. Smith e Jim Henson

Todo mundo aqui está acostumado a assistir filmes que foram adaptados de livros, ou livremente inspirados em alguma obra literária. A gente já conhece a sensação de ver o filme de um livro querido e pensar “não é assim que acontece no original GODAMMIT”, ou, em raras vezes – tipo nos icônicos filmes de Watchmen e Senhor dos Anéis (sai daqui, trilogia O Hobbit, a gente não tá falando de você) – a gente respira fundo e termina o filme com uma paz interior maravilhosa, porque podemos admitir, sem peso nos ombros, que o filme conseguiu fazer algo ainda melhor. Esse tipo de coisa geralmente beira a perfeição e vai todo mundo falar sobre durante anos, e guardar na memória pro resto da vida.

No entanto, cada vez mais o caminho oposto está ganhando espaço: livros inspirados em filmes. A novelização de roteiros já conhecidos e adorados. É o caso de Neverwhere, de Neil Gaiman, que tanto o livro quanto a série já foram resenhados aqui. Naquela época, eu comentei o quanto assistir a série depois de ler o livro foi satisfatório para mim (vejam bem: a série foi produzida primeiro), porque era basicamente a reprodução perfeita do livro – ainda que, tecnicamente, o livro seja a reprodução da série… Deu pra entender? Eu honestamente gostaria de uma lousa, para desenhar várias setas entre o livro e a série pra ter certeza de que o que eu estou falando faz sentido. Mas enfim.

Com o livro Labirinto, de Jim Henson e A.C.H. Smith, eu fiz o que se pode chamar de o caminho certo. Primeiro, eu vi o filme. Várias e várias vezes, no decorrer dos anos. Eu decorei as músicas, relevei os efeitos especiais quando já era mais velha e me apaixonei ainda mais pelo David Bowie. E, é claro, sonhei com o que eu teria feito de diferente, com como eu gostaria que a história tivesse acontecido.

E aí eu li o livro, que chegou no Brasil pelas garrinhas da DarkSide Books em 2016, e até mim durante a Bienal do Livro (reparem no ATRASO que esse post tá saindo).

Honestamente, os livros da DarkSide, como sempre, dispensam apresentações, e ainda assim eu sempre ressalto como eles são bonitos. A capa de Labirinto é dura, texturizada, com um contraste maravilhoso do dourado do título pro vinho amarronzado da capa, e com uma moldura de rosas pretas envernizadas e uma fita vermelha como marcador de páginas para finalizar o conjunto. Como vários outros livros da Editora, Labirinto vem também com um marcador de páginas especial, que por aqui já virou item de coleção com todos os outros marcadores maravilhosos que eu jamais terei coragem de usar, então fico só admirando mesmo, HUE.

Infelizmente, nem tudo são rosas. Acredito que Labirinto tenha sido o primeiro (e até agora único) livro da editora que eu não tenha gostado. Isso porque, pra quem viu o filme, o livro, que é a comemoração dos 30 anos de sua versão original, tem pouco ou nada mais a oferecer.

Querendo ou não, quando você tem o livro em mãos você fica cheio de expectativas. Você se pergunta se a história finalmente terá algo a mais. Afinal de contas, A.C.H. Smith já tinha o universo inteiro de Labirinto pronto, sujeito à suas vontades. Ele poderia fazer o que quiser. A própria apresentação do autor, no fim do livro, promete tanto a escrita de alguém já acostumado em novelizar roteiros quanto a presença de cenas excluídas do filme. Eu, honestamente, não vi nem um e nem outro.

Quer dizer, vamos ser sinceros: no livro a gente descobre o motivo de os pais de Sarah terem se separado, e a razão da paixão da menina pelo teatro. Também descobrimos que Sarah, do alto de seus 15 anos, é ainda mais insuportável do que sua versão original.

No filme, Sarah é apenas uma adolescente normal, talvez não muito esperta, talvez não muito cativante (e na época todos nós provavelmente culpamos a atriz). No livro ela é birrenta, irritante, desagradável, com uma das únicas “inovações” do livro sendo ela ativamente ofendendo Hoggle durante quase uma página inteira, a típica bully fazendo piada com a altura de um GNOMO.

A interação entre ela e Jareth também não é nada inovadora, o que, eu confesso, foi uma decepção pra mim. Eu estava desesperada para ver os dois convivendo mais, conversando mais, batalhando mais. Eu queria que aquela faísca que o filme criou fosse trabalhada no livro, eu queria saber o que aconteceu depois. Mais uma vez, tudo isso ficou apenas para a imaginação do leitor, do fã e dos eventuais escritores de fanfic perdidos por aí.

O livro tem, sim, muito valor nostálgico. No correr das páginas nós nos lembramos claramente de cada uma das cenas do filme, da história de uma jovem garota solitária e rebelde numa aventura praticamente impossível para resgatar seu irmão mais novo das garras do monarca de um reino mágico e decrépito. Mas Labirinto faz pouco mais do que isso por si só. Acompanhamos Sarah por corredores e salões que já sabemos que ela vai percorrer, lemos e lembramos de diálogos que já ouvimos antes, sabemos exatamente o que cada um dos personagens está vestindo e, quiçá, pensando. Ao final de 190 páginas, ponderamos se talvez não devêssemos ter simplesmente visto o filme mais uma vez, porque esse, além de tudo que o livro tem a oferecer, conta ainda com uma trilha sonora fantástica.

Labirinto também conta com dezenas de páginas de rascunhos e esboços dos pequenos súditos do Rei dos Duendes, feitos pelas mãos de Brian Froud, assim como várias anotações feitas por Jim Henson na época da produção do filme. Um plus digno de uma edição comemorativa como essa.

A história continua sendo querida e coberta de magia, e é uma opção excelente para quem, hoje, é criança ou jovem, e ainda não conhece a trama. Meu conselho para Labirinto continua sendo o mesmo de Neverwhere: se você nunca assistiu ao filme, leia o livro primeiro. Deixe que esta edição maravilhosa da DarkSide te apresente ao mundo fantástico do Rei dos Duendes. Ao final da leitura, só então, veja o filme, perdoando os fantoches e efeitos especiais dos anos 80 que nem eu perdoei, e deixe que David Bowie te mostre quem é Jareth de verdade.

 

Reprodução

Título: Labirinto (Labyrinth: the Novelization)
Autor: A.C.H. Smith, baseado no filme de Jim Henson
Tradução para o português: Giovanna Louise
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
ISBN: 978-85-9454-009-6

Nota: 6,5/10

Sinopse: Atravesse novamente o Labirinto e se emocione com a narrativa fantástica de Jim Henson, transcrita para o papel nas mãos habilidosas do poeta e dramaturgo britânico, A.C.H. Smith. A edição apresenta ainda, pela primeira vez, as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou no filme, além de trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas do diário de Henson, detalhando a concepção inicial de suas ideias para LABIRINTO, comemorando os 30 anos do filme em grande estilo. (Retirada da página da DarkSide Books).

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18 Comentários

  • Responder Clayci

    Tivemos uma experiência parecida com o livro Cela.
    Eu assisti o filme várias vezes na esperança de ter empatia pela personagem principal, mas foi em vão ahuhauha.. Sempre torci para os dois ficar junto e juro que pensei nessa possibilidade no livro tbm =/

    29 de Maio de 2017 às 21:39
    • Responder Marcela Fabreti

      SIM, jamais superarei o fato de que não rolou nem um clima direito entre os dois D:

      17 de junho de 2017 às 00:20
  • Responder Débora Alves da Costa

    Coloquei esse livro na minha estante recentemente. Sou completamente apaixonada por ele, a edição ficou a coisa mais linda da minha vida!

    http://laoliphant.com.br/

    30 de Maio de 2017 às 11:17
    • Responder Marcela Fabreti

      Todos os livros da DarkSide ficam maravilhosos na prateleira, quase dá dó de tirar pra ler, hahaha.

      17 de junho de 2017 às 00:21
  • Responder Camila Faria

    Ai, que pena, o livro tinha TANTO potencial. Acho que vou ver o filme mais uma vez então… 😉

    30 de Maio de 2017 às 18:01
    • Responder Marcela Fabreti

      Ver o filme de novo e cantar junto com as músicas, eu sou bem a favor.

      17 de junho de 2017 às 00:21
  • Responder jéssica

    Oi Marcela,
    Já li um livro inspirado em um filme, também da Darkside. Ao contrário de você eu adorei o livro pois tinha gostado muito do filme e ele tinha informações extras. Realmente pra um livro desses ser bom é preciso ser feito com algo mais, e tem que ser lido por alguem que realmente gostou do filme.
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

    30 de Maio de 2017 às 18:10
    • Responder Marcela Fabreti

      Pois é, mesmo esse livro tento váárias páginas de rascunhos e anotações da obra original, pra mim realmente não foi o suficiente, porque a história continuava praticamente igual. 🙁

      17 de junho de 2017 às 00:22
  • Responder Ana Caroline dos Santos

    Olá, tudo bem? Nossa é frustante quando temos situações em que filmes viram livros e não tem nada a mais a acrescentar. Mais do mesmo é chato. Nunca vi o filme confesso, então nunca me interessei pelo livro rs Mas acho que é uma boa para quem gosta <3
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

    31 de Maio de 2017 às 22:56
    • Responder Marcela Fabreti

      Pra quem gosta é muito amor, porque tem muito valor nostálgico. Eu realmente não sei se alguém vendo esse filme hoje em dia iria gostar tanto… A menos é claro pelo David Bowie que está maravilhoso ❤️

      17 de junho de 2017 às 00:23
  • Responder André Gama

    Oi Marcela,
    Eu tenho Labirinto e a edição da Darkside é maravilhosa! O tamanho do livro é aquele menorzinho de vários outros títulos da editora.
    Não sou fã de novelização de filmes. Não gostei muito dos que já li. Mas Labirinto é o melhorzinho deles.
    Beijos,
    André || Garotos Perdidos

    1 de junho de 2017 às 23:32
    • Responder Marcela Fabreti

      A DarkSide tem várias novelizações de filmes, né? Eu nunca me interessei por nenhuma delas além de Labirinto, principalmente porque, pelo que eu vi, a maioria são só infos técnicas, curiosidades e detalhes de making off, o que realmente não é a minha praia!

      17 de junho de 2017 às 00:28
  • Responder Maria Luíza Lelis

    Olá, tudo bem?
    Já vou começar confessando minha ignorância e admitindo que nunca tinha ouvido falar desse filme. Até ler esta resenha, não tinha ideia de qual era a história do livro e não sabia que ele era a adaptação de um filme. Confesso que não é uma história que me deixa muito curiosa, mas pelo carinho que você demonstrou pelo filme, fiquei com vontade de assistir.
    Que pena que o livro não acrescentou muito ao filme e, por isso, te decepcionou. Talvez, para evitar decepções, o melhor seja mesmo seguir seu conselho e ler o livro primeiro.
    De qualquer forma, adorei sua resenha e fiquei curiosa para ver o filme, por isso, mesmo não sendo muito meu estilo, vou anotar a dica para outra oportunidade.
    Beijos

    3 de junho de 2017 às 00:07
    • Responder Marcela Fabreti

      O único defeito do filme, hoje, é que ele é muito antigo. Pra mim tem um efeito nostálgico fortíssimo, mas não saberia dizer se uma pessoa, assistindo hoje, acharia assim tão bom, hahaha. Fico feliz que tenha gostado!

      17 de junho de 2017 às 00:58
  • Responder Catharina Mattavelli Costa

    Oiiie
    Eu ainda não conhecia o filme por não ser o tipo de filme que me atrai mas parece ser realmente muito bom, fiquei cruiosa depois de ler o enredo, bem legal

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

    5 de junho de 2017 às 13:05
    • Responder Marcela Fabreti

      Fico feliz que tenha gostado 🙂

      17 de junho de 2017 às 00:59
  • Responder Camila Mondaini Paulino

    Olá tudo bem?
    Eu já vi o filme e não gostei muito então não sei se seria uma boa pedida ler esse livro, mesmo tendo essa edição maravilhosa da editora. Uma pena que você também não tenha gostado.

    beijinhos!

    5 de junho de 2017 às 15:18
    • Responder Marcela Fabreti

      Se você não curtiu o filme, então dificilmente vai gostar do livro! Infelizmente o livro não tem nenhuma novidade que te atraia além do que o filme oferecia 🙁

      17 de junho de 2017 às 01:01

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