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Eu vi: IT – A Coisa (2017)

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Falando sério agora: acho que eu nunca acompanhei tão intensamente a produção de um filme como fiz com o remake de IT – A Coisa. Desde os boatos de que poderia acontecer até sua confirmação e escolha dos atores. Eu vi todas as entrevistas, trailers e sneaky peeks que consegui encontrar, alguns mais de uma vez. Vi os vídeos de preparação de voz de Bill Skarsgard e aquela filmagem péssima do trailer exclusivo que passou nos cinemas americanos antes de Annabelle 2. Eu já amava esse filme antes mesmo de ele existir.

A ansiedade era tanta que a data de estreia estava até salva no calendário do celular, e a agonia era igualmente grande. Honestamente, se esse filme fosse ruim, verdadeiramente ruim *cof cof* como A Torre Negra *cof cof*, eu não saberia dizer com que cara eu sairia do cinema ou com que cara eu falaria com meus amigos sobre IT – A Coisa no dia seguinte.

Eu acompanhei a estreia do filme para a crítica e o que a galera entendida de cinema achou, e eu até poderia dizer que as críticas extremamente positivas acalmaram meu coração, mas na verdade elas só fizeram ele bater mais rápido. Afinal de contas, não é todo dia que um filme de terror é classificado como excelente. Sentiu o drama?

Nosso desespero era tanto que a gente comprou o ingresso da pré-estreia sem nem perceber, para só depois nos ligarmos da sorte que tivemos. No começo do mês lá estávamos nós três no Shopping Higienópolis, praticamente correndo em círculos, desses que entram na sala assim que ela abre e ficam 40 minutos encarando a tela apagada e o resto das cadeiras vazias porque o resto das pessoas são normais e só vão entrar quando o filme estiver pelo menos próximo de começar.

Ainda que eu tenha visto muita gente que, por um motivo ou outro, não tenha gostado da adaptação, I call shenanigans em todos eles. Imagino que cada um tenha seus motivos, um preciosismo aqui e outro ali, mas confiem em mim dessa vez:

Esse filme é uma obra de arte.

Reprodução / Tumblr

Seria muito injusto da minha parte esperar que todo mundo aqui tenha lido o livro ou conheça a história a fundo. Eu li o livro há anos e ainda assim tem muita coisa que eu não entendi direito (os benditos postigos, por exemplo, que eu só fui entender o que são hoje). A questão é que a história de IT – A Coisa é extremamente complexa e não se limita a si mesma – porque muitas obras do King giram em torno de A Torre Negra, que explica quem, como e onde de várias criaturas que a gente viu por aí, de Derry ao Hotel Overlook. E, além disso tudo, IT é apenas o capítulo um, e a continuação já foi estimada para 2019, então nem adianta esperar que toda a história fique clara nessas primeiras duas horas e pouco do filme.

A narrativa do livro vai e volta de um jeito nada linear, uma hora eles são adultos e, de repente, afundamos em um flashback de mais de cem páginas. Já no cinema, esse primeiro capítulo pega, apenas, os acontecimentos do Clube dos Perdedores enquanto eles ainda são crianças, no primeiro contato de todos eles com A Coisa. Se você quer explicações, elas virão em dois anos, então eu recomendo paciência ou que você finalmente abra esse livro de mais de mil e cem páginas e bote pra quebrar.

Mas aqui a gente analisa o filme como ele é, com a vantagem de eu já saber o que acontece depois. E, dentro do ano em que o primeiro capítulo aconteceu, dentro da aventura desse grupo de crianças otárias que a gente tanto ama, esse filme é perfeito.

Ele é cruel e visceral, coisa que não podemos dizer do seu vergonhoso predecessor. Ele é extremamente tenso e violento, ainda que não tanto quanto o livro e, acima de tudo, ele tinha os efeitos especiais necessários e a coragem de levar a indicação etária do filme às alturas para se manter fiel ao original.

E ele tinha esse elenco absolutamente MARAVILHOSO para vestir as roupas dos personagens e falar “deixa comigo”.

Reprodução / Tumblr

Os atores mirins são absolutamente sensacionais, e fazem um trabalho melhor do que muito veterano por aí é capaz de fazer. Cada personagem foi milimetricamente estudado e a natureza de todos eles foi respeitada. Isso faz com que a gente, surpreendentemente, chore de dar risada nos momentos mais inesperados, porque eles são crianças e crianças fazem coisas estúpidas (como colocar um braço quebrado no lugar sem pensar no amanhã).

Importante ressaltar, inclusive, que as crianças daquela época não tinham medo nenhum de se machucar. Esteja preparado para ver MUITO sangue.

As piadas são infantis, o vocabulário é infantil (com um palavrão a cada cinco palavras, aproximadamente. Parabéns, Marcela, você tem o vocabulário de uma criança de doze anos), as reações são infantis, os medos e a coragem também. E é justamente na natureza das crianças, nessa coragem absolutamente inesperada, que reside o segredo para derrotar A Coisa.

E, falando n’A Coisa, muita gente torceu o nariz pro Bill quando ele foi anunciado, e todo mundo, absolutamente cem por cento dos reclamantes morderam a própria língua quando viram o resultado final. O Pennywise das antigas era um palhaço engraçado e consideravelmente perturbador, mas a Coisa de Skarsgard é o demônio de outra dimensão que sempre deveria ter sido. O palhaço dançarino nunca esteve aqui para divertir e entreter a criançada, ele está aqui para atrair, assustar e matar uma cidade inteira, e é exatamente isso que Bill entrega na tela. Ele pode estar com aquele sorriso estranho de orelha a orelha, mas os olhos dele (um encarando Georgie, o outro olhando diretamente para você) são tão ameaçadores que até uma criança sente, logo de cara, que tem alguma coisa muito errada acontecendo – ainda mais errada do que um palhaço dentro do esgoto.

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O filme assusta, é lógico que assusta, todas as sequências em que Pennywise aparece são perturbadoras pra diabo (minha favorita é a da Biblioteca), e mesmo quando você sente aquele formigamento atrás da orelha de que um jumpscare VAI acontecer, você ainda assim é pego de surpresa. Mas o filme diverte ainda mais do que assusta, ele te deixa entretido e você não quer que acabe. Você se apega DEMAIS a todos os personagens, essa é a maior característica das histórias de Stephen King. Ele não quer apenas te contar uma história, ele quer que você viva a droga da história junto com os personagens dele. Você vai rir, vai sofrer (muito), vai lutar pela própria vida e vai atirar pedras nos valentões da escola junto com Os Perdedores… E vai flutuar junto com eles, se não for esperto.

Reprodução / Tumblr

Desde que eu saí do cinema, minha única vontade é ver esse filme de novo, coisa que eu farei na primeira oportunidade. Eu recomendo que você faça o mesmo, e nos encontraremos de novo em Derry, em vinte e sete anos.

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4 Comentários

  • Responder Clara F.

    A sua resenha ficou tão boa que eu, que tenho medo de filme assim, fiquei com vontade de ver o filme. E confesso que amo o ator também, o que acaba ajudando! Gostei de saber que o filme entrete mais do que assusta. <3

    21 de setembro de 2017 às 08:47
  • Responder Cássia

    Oi Marcela! Eu estou louca para ver esse filme! A cada resenha que leio fico mais ansiosa, cheguei a ler algumas negativas e fiquei bem preocupada, mas vejo que no geral o filme agradou bastante.

    21 de setembro de 2017 às 14:29
  • Responder Metade Batom

    Cara,eu tenho fobia de palhaço mas a vontade de assistir esse filme é mil vezes maior, princpalmente depois desse post.

    http://metadebatom.blogspot.com.br/

    21 de setembro de 2017 às 14:43
  • Responder Tary Belmont

    Eu nunca li a obra original, mas achava o primeiro filme bem decepcionante. Quando o anuncio desse, ache interessante, mas não me atraiu TANTO assim, mesmo sabendo o quando Stephen King é maravilhoso. Fiquei mais empolgada quando descobri os atores e que o Bill seria o Penny, legal ver um ator de séries fazendo sucesso num filme grande. E é legal ver que um filme de terror está sendo bem aplaudido pela critica (tudo bem que é do mestre King, mas né). Espero poder assisti-lo em breve. Ache a nova versão do Penny lidissima (de figrino XD).

    Bites!

    21 de setembro de 2017 às 18:32
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