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[CLUBE DO LIVRO GEEK] Ubik – Philip K. Dick

Eu dificilmente vou dizer não à uma proposta de Clube do Livro…

PRINCIPALMENTE se for da parte do Blogueiros Geeks, um dos grupos mais amorzinho que eu participo no Facebook. ❤️

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O clube se organizou super rápido, e ter ficção científica como primeiro tema não poderia ser mais digno. Eu nunca tinha lido um livro de ficção científica! Tinha muitos na lista, tanto que conhecia quase todos os candidatos pelo título e todos eles estavam na minha meta de leitura, então, na hora de votar, pra mim realmente não faria diferença, porque eu queria ler todos.

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Curiosamente, o vencedor foi Ubik: um livro que eu nunca tinha ouvido falar antes. Lógico, conhecia o autor, mas, mesmo durante a leitura eu ainda tinha dificuldade de falar exatamente sobre o quê o livro era. Não estou reclamando! Acho que Ubik foi uma excelente primeira experiência com a literatura de ficção científica, porque me ensinou algumas lições importantes, principalmente não esperar fantasia de um livro sci-fi.

Isso porque nós já caímos no meio da festa. Em momento algum o autor se preocupa em apresentar-nos o mundo ou a ambientação. O mundo é assim, a sociedade é assim, é o seu desafio conseguir se adaptar e fazer sentido de tudo isso. Então nós descobrimos que a história se passa em um 1992 futurista, num mundo em que precogs e telepatas são uma ameaça à economia mundial (agora, o que eles são, a gente vai descobrindo aos poucos), e onde Glen Runciter é um cara bem importante e Holli é seu maior rival nos negócios. Mas esse não é o maior mistério do livro, ah não. Da primeira até as últimas páginas, a única coisa que o leitor se pergunta repetidamente é:

O.QUE. DIABOS. É. UBIK?

Sim, porque são propagandas de Ubik que iniciam cada capítulo. Ubik é de comer, de vestir, de limpar, de decorar a casa, de higiene pessoal, estética, proteção e, em todos os casos, deve ser usado exatamente como descrito nas instruções de uso… Ubik é tudo, e “ubíquo” significa onipresente. Coincidência? Ah, vá.

Mas sim, aos poucos descobrimos o que são precogs, telepatas e por que eles são tão perigosos assim para os negócios (afinal de contas, eu estou tomando essa decisão importante ou é alguém que está me fazendo toma-la? E, aliás, será que tem alguém escondido dentro da minha mente, de olho nessa mesma decisão que estou tomando? Altas tretas). É o trabalho de Glen Runciter e de Ella, sua mulher morta, “limparem” as empresas desta praga telepática e garantir que as pessoas estão seguras dentro das próprias mentes. Mas você provavelmente ficou mais interessado pela mulher morta. Sim, o grande bang de Ubik é que as pessoas mortas são mantidas meio que em criogenia, de forma que ainda existe atividade cerebral e, com o equipamento certo, essas pessoas ainda podem ser consultadas, até que seu período de meia-vida acabe e elas reencarnem.

A trama se desenvolve, primeiro, quando o funcionário-modelo de Runciter, Joe Chip, um humano normal que não tem qualquer controle sobre o próprio dinheiro, e cujo trabalho é detectar poderes parapsicológicos em indivíduos e ver se são qualificados para trabalhar para a empresa, ou se são perigosos a ponto de a empresa precisar ficar de olho neles. Uma dessas pessoas é Pat Conley. Pat tem um poder que Joe Chip nunca viu na vida, e que poderia mudar tudo. Literalmente.

Uma importante missão na Lua é o que une Joe Chip, Pat e Runciter à uma equipe dos melhores e mais variados inerciais… E a explosão de uma bomba é o que define o caminho que o livro toma.

Nem eles, e nem nós, sabemos dizer quem realmente está morto. O que interessa é que o mundo para Joe Chip e sua equipe começa a regredir, ao mesmo tempo em que algumas coisas passam a acelerar. A tecnologia sofre um retrocesso, mas toda a comida está estragada há meses. O dinheiro é do futuro, mas as máquinas o interpretam como obsoleto e, por algum motivo, o rosto de Glen Runciter está por toda a parte. Quando a equipe de Joe começa a morrer afetada pelo regresso/avanço do tempo, a última esperança é Runciter… e Ubik.

Quando terminei a leitura, fiquei surpresa, até assustada, com o viés religioso-místico-espiritual do livro, que não se resume apenas a vida após a morte e reencarnação, que são assuntos bastante frequentes. A própria definição de Ubik é tão complexa de entender quanto Deus (principalmente depois da introdução do último capítulo). Pesquisando, descobri que isso é característica inerente do K. Dick e, quer saber? Eu gostei. Ele faz religião/misticismo e sci-fi caminharem de mãos dadas e dá muito certo.

Ainda que as explicações para os problemas não sejam grandes ou revolucionárias (inclusive eu consegui adivinhar quase todas as respostas), o livro ainda assim é surpreendente. A história que Dick quer contar é muito maior e mais importante que qualquer um dos personagens – todos eles são peões, meios para atingir o fim que é Ubik, e essa visão de mundo, meio distópica e meio mística, é tão grande e complexa que é realmente surpreendente que Dick tenha conseguido passar a mensagem em meras 238 páginas. E você com certeza fecha o livro querendo mais.

A leitura é muito rápida e fácil, o complexo são as ideias que o livro passa. Mas é o tipo de livro que você leva na bolsa e vai lendo numa boa enquanto está no trem e, quando dá por si, percebe que leu quase 50 páginas sem nem sentir. O vocabulário, tanto da narrativa quando dos personagens entre si, é tão informal que só não é mais engraçado do que as descrições das roupas e da tecnologia. É uma distopia um tanto quanto mórbida e infeliz, em que o homem é escravo da máquina para seu próprio conforto.

Coisa engraçada é que, apesar de Holli ser apresentado como um grande potencial a vilão da história, ele francamente não faz a menor diferença, porque o buraco é muito mais embaixo, e algo realmente imprevisível para o leitor é a real mensagem que Dick passa através do livro. Você lê em alguns dias – e fica uns bons meses digerindo a história, refletindo, repensando, cada hora encontrando um significado diferente. Entendem quando eu digo que foi uma primeira experiência incrível com a ficção científica? Recomendo sim, e muito.

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Ubik

Autor: Philip K. Dick
Idioma: Inglês
Tradução para o português: Ludmila Hashimoto
Editora: Aleph
Ano: 2014
ISBN: 978-85-7657-075-2

Nota: 7,5/10

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13 Comentários

  • Responder Juliana Calió

    Eita, que livro diferente!
    Eu entrei no mundo dos livros de ficção científica há pouco tempo, através do Isaac Asimov e amei ❤
    Já tô querendo ler Philip K. Dick faz um tempo e acho que vou começar por "Androides sonham com ovelhas elétricas?" junto com uma amiga, mas acrescentarei esse a minha lista também!
    Fiquei muito curiosa com toda essa filosofia e mistério que envolve o "Ubik" e adoro esses livros que mesmo depois de finalizados ainda ficam um bom tempo na nossa vida nos fazendo pensar.
    Beijos!

    22 de janeiro de 2016 às 20:47
  • Responder Ana Claudia P. Lima

    Nossa! Quero ler!
    Eu gosto muito de ficção científica no geral, apesar de não ter uma experiência literária nessa área, e claro que eu quero ler.
    Quero ler muito! Adoro essas coisas de controle da mente!
    Adorei sua resenha, ela é muito convidativa!
    🙂

    22 de janeiro de 2016 às 20:47
  • Responder Amanda Lessa

    Nunca li f.c , mas sempre tive muita curiosidade . E pela sua resenha parece ser um livro beem densoo !! Vou parar de enrolar e comprar logo um e pela resenha comprar Ubik o/

    Beijos
    http://sushibaiano.blogspot.com.br/

    23 de janeiro de 2016 às 01:19
  • Responder Evellyn cardoso

    Sabe o que eu mais achei imprecionado sobre o livro? O tamanho. Ele tem tanta informação que se esperaria centenas de páginas a mais do que as duzentos e poucos. E a leitura é tão fluida! Dick foi genial na narrativa desse livro. Ah, ótima resenha! Se empolgou ne ? ️️Rs mas super entendo.

    http://www.itgeekgirls.com

    23 de janeiro de 2016 às 15:40
  • Responder Mila

    Também nunca tinha ouvido falar dele. Mas achei super diferente mesmo e meio doido mas interessante.
    Bjs

    http://www.achadosdamila.blogspot.com.br

    23 de janeiro de 2016 às 15:40
  • Responder Isabele de Paula

    Li dos livros do PKD e adorei. O proximo que quero ler dele é esse, Ubik. Preciso comprar antes que esgote pois quero conpletar a coleção dos livros do Philiip com essa arte da capa.

    http://fluxoconstante2.wordpress.com

    23 de janeiro de 2016 às 15:40
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Quero muuuito ler Asimov! E Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? também está na minha lista! Acho que se não fosse o clube do livro, eu provavelmente teria começado por esse!

    23 de janeiro de 2016 às 16:17
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Muito obrigada! Espero que leia e que goste do livro! ❤

    23 de janeiro de 2016 às 16:18
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Haha, que bom que gostou do post! Espero que goste do livro também 🙂 se acontecer com você o que aconteceu comigo, você vai terminar morrendo de vontade de ler vários outros do gênero.

    23 de janeiro de 2016 às 16:19
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    SIM, o tamanho do livro é quase revoltante pro tanto de informação que ele contém. Hehehe, eu me empolguei porque metade do texto fui mais eu explicando as coisas pra mim mesma, porque esse livro deixou minha cabeça girando assim que terminei!

    23 de janeiro de 2016 às 16:21
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Que legal! Eu nem sabia que a arte da capa era um negócio diferenciado, hahaha. Quero ler mais coisas desse autor agora 🙂

    23 de janeiro de 2016 às 16:22
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    É bastante louco sim, hahaha! Mas é bem legal 🙂

    23 de janeiro de 2016 às 16:22
  • Responder Carla Bianca

    Adorei sua resenha, concordo com você em praticamente tudo.
    E como você disse no final, você termina o livro e fica digerindo ele, isso é fato!
    Confesso que não gostei muito do livro em si, acho que esperei demais um final tipo "ooooh" e é bem simples e ao mesmo tempo complexo, abrindo espaço para interpretações diversas.
    Geente o que é a descrição das roupas dos personagens? Eu tentava imaginar as combinações na minha mente e não gerava! hahahaha
    Esperando para o próximo livro e animação lá no grupo 😀
    Beijos
    http://meroodetalhe.blogspot.com.br/

    29 de janeiro de 2016 às 02:42
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