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Pessoal

Todas as vezes que me perdi em São Paulo

Eu não sei vocês, mas meu senso de direção é PÉSSIMO.

Eu realmente tenho um problema de lateralidade (o que significa que pra mim é muito fácil confundir direita e esquerda) porque, apesar de eu ser canhota, fui incentivada a escrever com a mão direita quando era criança. A parte legal é que, depois de algum treino, eu posso dizer que sou ambidestra – apesar de, com a mão esquerda, minha letra ainda não ser tão bonitinha. A parte chata é que eu talvez te pergunte qual lado é a direita e, se você me disser que é a mão que eu escrevo, então meu primeiro impulso vai ser apontar para a esquerda, ou vice-versa.

Muito problemático se eu estiver no comando do GPS e bastante traumatizante na infância, mas até esse tipo de coisa bizarra tem seu lado bom.

Eu tinha pavor de me perder quando era mais nova, isso porque sempre me perdia, até dentro de supermercado. Lia matérias do tipo “mulher que se perdeu há 10 anos foi encontrada depois de pegar todos os ônibus errados e ir cada vez para mais longe” e super imaginava aquilo acontecendo comigo. Sempre preferi andar a pé porque aí eu prestaria mais atenção no caminho, e percorreria uma distância menor, que fosse mais fácil de consertar depois. Eu demoro para criar memória dos lugares que eu passo, e sempre (sem brincadeira: é sempre mesmo, 10 de 10, tão certo quanto a morte) que eu penso ou falo “é por aqui”, na verdade é pelo lado contrário. É como se eu tivesse um ímã quebrado dentro de mim, que sempre me leva cada vez para mais longe do meu destino, tipo a mulher da história aí de cima.

Quando me mudei pra São Paulo, esse prazer que eu tenho em andar foi inteiramente bem vindo, até porque eu nunca precisei ir pra muito longe sozinha e sempre tinha uma estação de metrô bacaninha e bem posicionada pra vir em meu auxílio se eu precisasse (mesmo que a mulher da banca de jornal me dissesse “menina, tá longe“). Então ainda que eu terminasse o dia exausta e com dor nas pernas, eu conhecia aos poucos vários cantos da parte de São Paulo que fazia parte da minha vida – e confesso que a maioria desses cantos eu acabei conhecendo sem querer, conforme eu ia me perdendo por aí.

Reprodução / Avenida Paulista, 1981

Reprodução / Avenida Paulista, 1981

Recentemente eu comecei a trabalhar em um escritório que fica bem, mas BEM longe da parte da cidade que eu costumava frequentar. No começo eu fiquei apavorada com a ideia de pegar ônibus. Eu fugia de ônibus de todo o jeito, porque dentro de um ônibus é muito mais fácil você ir pro lado errado e só conseguir descer lá longe, desgraçando a coisa toda, e os ônibus tem essa tendência de ir pra lugares bizarros depois de um tempo. Mas dessa vez não deu pra fugir: ou ia de ônibus, ou procurava outro estágio mais perto (só que não). Não vou mentir pra vocês: o começo foi CATASTRÓFICO. Mais de uma vez eu olhei pela janela e percebi não só que estava indo para o lugar errado, mas que não tinha a menor ideia de pra onde estava indo. Nessas horas a gente suspira, reza pra bateria do celular não acabar e vai até o ponto final, porque nos terminais tem ônibus pra tudo quanto é lado, inclusive pra estações de trem/metrô. Aos poucos eu fui pegando o jeito, fui reconhecendo os lugares, hoje até sei (mais ou menos) quantos pontos faltam para eu descer. Isso nem de longe significa que eu parei de me perder, mas, de lado errado em lado errado, eu estou conhecendo uma parte nova da cidade, e o mais legal: estou conseguindo conectá-la à parte que eu já conhecia antes (isso me deixa tão feliz, tão empolgada, talvez seja coisa de gente que cresceu no interior e sonhou a vida inteira com a cidade grande, hehehe).

Hoje em dia, se estou com tempo livre, celular com bateria, dinheiro no bolso e um sapato confortável, eu muitas vezes sigo pelo lado oposto de propósito, porque eu já sei o que tem pro lado que eu costumo ir, e eu quero conhecer lugares novos. Lógico que tem que saber a hora de parar (tipo aquele dia em que eu andei até a Santo Amaro sem querer), mas aos poucos o medo de se perder vai diminuindo e, quando as coisas não saem exatamente como o planejado, a sensação é de estar entrando em uma aventura. É uma chance para manter a calma, confiar no instinto (mesmo um instinto tão ruim quanto o meu) e aprender a se virar em uma jornada situação inesperada, que geralmente resulta em lugares incríveis que você nem suspeitava que estavam por perto. Algo que antes era um pavor que eu tinha se transformou em uma das minhas coisas favoritas, e São Paulo, a cada dia, toma mais conta do meu coraçãozinho.

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8 Comentários

  • Responder Carol Naves

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK meninaaaa super me reconheci nisso XDD
    Sou dessas também… que vergonha >.<
    Ainda mais SP que é a loucura que é 😛
    Saio sozinha desde meus 12-13 anos, tinha pavor de me perder… até hoje morro de medo (um pouco menos, porque agora tenho PASSE LIVREE *—-* Sou VIP nos ônibus ;))
    E p/ ter ideia me perco até seguindo placas 😛
    Você é muito corajosa de se meter a conhecer lugares novos, SP é um labirinto medonho com vários obstáculos, desafios e cê tem que estar pronta p/ todos eles, como chuva, sol, frio, calor, celular extra (p/ caso de assalto), bastante dinheiro, um caique e um livro (porque o tempo não é nada precioso por aqui XD). Pior é quando todos os climas do MUNDO resolvem acontecer no mesmo dia =S
    Tento ao máximo não sair da minha zona de conforto, só saio quando sou obrigada 😛
    Cê é mesmo aventureira, parabéns pela coragem KKKK' 😛
    Bjoo :**

    9 de Março de 2016 às 21:57
  • Responder Sabrina Franzoni

    A palavra perdida me define. hiuahiuahu
    Também tenho péssimo senso direção. E, mesmo morando no interior, ainda tenho dificuldade pra me situar e saber por onde tenho que ir. Se mudo uma direção qualquer, já não sei chegar ao meu destino final. Aí bate aquele medinho. hiuahuiahu
    O engraçado é que o medinho é maior na minha cidade. Quando vou pra alguns lugar desconhecido qualquer, não tô nem aí. Vago por aí no Rio de Janeiro sem preocupações.
    Em uma viagem com o pessoal da faculdade, já andei por mais de 2 horas sozinha e sem celular, ocasionalmente pedindo direções.
    E é essa sensação de aventura que toma conta quando me perco em outras cidades.
    Que você tenha muitas novas aventuras!!!

    beijo ;*

    10 de Março de 2016 às 23:29
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Passe Livre minha vida, Passe Livre minha história, Passe Livre MEU AMOR! hahahah Melhor coisa que me aconteceu nessa cidade! E todos os climas do mundo em apenas três horas faz parte do nosso cotidiano, né? E eu ainda sou inocente e acho que não vai ter problema sair um diazinho sem um casaco e um guarda-chuva! 😛

    11 de Março de 2016 às 23:41
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    É que o legal do lugar desconhecido é que você não sabe mesmo como faz pra chegar nos lugares, né? Aí ir se perdendo faz até parte, então nem assusta muito – inclusive, eu acho parte da graça de realmente ir desbravando uma cidade pela primeira vez. E muitas aventuras bacanas pra você também! 😀

    11 de Março de 2016 às 23:43
  • Responder Isabele de Paula

    Olha, eu não soubde me perder não, mas auando acontece eu me informl logo como faço pra chegar na Central do Brasil, que a estação de trem, veja só você, central aqui do RJ. Rs
    Sempre dá certo. Rs

    13 de Março de 2016 às 16:04
  • Responder Amanda T.

    Oooi! Tudo bem? Sou nova lá no grupo Café com Blog e tô dando uma passadinha pra conhecer seu trabalho. Adorei o cantinho!

    Assim, eu super te entendo, porque o meu senso de direção também é pessimamente péssimo. Moro a oito anos na mesma cidade e ainda assim tem vezes que não lembro pra que lado tenho que ir, ou faço a curva errada, perco uma entrada… É tenso, vivo perdida. Eu não tenho problemas com direita/esquerda não, é só porque sou muito desligada mesmo. E eu moro em uma cidade relativamente pequena, não consigo nem me imaginar andando sozinha por São Paulo, com certeza eu ia parar lá na Bahia (pelo menos). Já visitei, mas tinha sempre minha amiga paulista comigo. O único dia que precisei pegar o metrô sozinha, peguei a linha certa mas a direção errada. E só percebi quando anunciaram a última parada e eu me toquei que não tinha chegado na que minha amiga falou. Tive que fazer o caminho todo de volta, morrendo de medo porque já era tarde. Mas acho legal essa sua visão mais otimista sobre se perder. Eu ainda sou bem apavorada e não me sinto tão confortável em sair andando sem rumo, mas deve ser uma sensação maravilhosa mesmo. Ótimo texto!

    Beijinhos, te espero lá no http://amendoasefelpices.blogspot.com.br/

    13 de Março de 2016 às 16:11
  • Responder Ruh Dias

    Se perder pode ser libertador <3

    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    16 de Março de 2016 às 02:31
  • Responder Luciana Flower

    aiiii que lindinho esse post!
    vai miga, se supera <3
    daqui a pouco vai ta as rainhas dos onibus de SP. eu mesma, que nao tenho problema algum, vivo me perdendo, por falta de noção mesmo! hahahah

    16 de Março de 2016 às 02:31
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