Acompanhe:
Filmes Terror

Eu vi: Invocação do Mal 2

(eike SAUDADE de postar resenha de filme por aqui!!)

Nessa resenha tem: ( ) Spoiler (X) Amor

Reprodução

Reprodução

Eu não conheço ninguém se seja fã de filmes de terror e não tenha gostado de Invocação do Mal. Esse filme tem tudo: uma boa história (de quebra, inspirada em pessoas reais), um elenco fantástico, parte técnica incrível, vários sustos de te fazer subir na cadeira e o uso excepcional de TODOS os clichês conhecidos pela galera (fala sério, tem monstro embaixo da cama, monstro dentro do armário, monstro atrás da porta, fantasma puxando seu pé à noite, bruxa, possessão demoníaca…). Aquele filme literalmente tem de tudo, e um clichê nunca foi tão legal quanto nas mãos do diretor James Wan (que tem carinha de criança e eu acabei de descobrir que tem 39 anos. You go, asians), que me ganhou completamente por um – na verdade dois – detalhe bem simples: ele não estragou o final do filme e ele fez de um jeito tão genial que deu abertura pra continuação, pra franquia, pra filmes relacionados… Só lamento que não vendam bonequinhos dos personagens.

Eu sabia que estava diante de algo grande quando tive vontade de ver Invocação do Mal de novo. Nunca antes na história desse país eu tive vontade de ver um filme de terror mais de uma vez, e, desde o primeiro Invocação do Mal, isso mudou muito. Eu me sinto muito segura em dizer que esse filme foi o que abriu as portas do inferno e transformou o cinema de terror nessa coisa maravilhosa que ele está virando aos poucos, e eu não poderia me sentir mais orgulhosa. Desde Invocação do Mal nós tivemos The Babadook, que é absolutamente uma obra prima, da qual eu pretendo falar em breve, nós tivemos Annabelle, nós tivemos A Bruxa (e eu já falei dessa preciosidade por aqui) e, muito recentemente, nós tivemos Invocação do Mal 2.

Reprodução

Reprodução

Gente, juro pra vocês, eu no cinema assistindo esse filme tinha os olhos mais brilhantes que os da minha avó na minha formatura. Eu pensava em todos os filmes de terror importantes do passado, na crise terrível que o gênero sofreu, em que eram produzidos apenas filmes meia boca, e eu olhava pra tela e sentia orgulho. Eu suspirava e pensava que o meu menininho endemoniado cresceu para virar um homem, e que Hollywood finalmente percebeu o quão fantásticos o gênero terror pode ser se for feito do jeito certo. Para nós, que sofremos tanto com filmes de um potencial imenso desperdiçado em finais medíocres, em gore mal usado, em atuações meia boca, nós podemos olhar para filmes como Invocação do Mal 2 e para os outros que eu listei ali em cima e sorrirmos de cabeça erguida. Nós podemos olhar para James Wan e dizer um “obrigado” tão sincero que nós nunca imaginamos dizer para um produtor de filmes de terror antes.

Me desculpem se eu estou emocionada demais. Alguém que chegasse agora provavelmente não saberia dizer se eu estou falando de um filme ou do meu filho que passou em Medicina.

Outra coisa que me enche de orgulho é o quanto um filme de terror tem aprendido com o outro. Invocação do Mal 2 pegou referências preciosas de The Babadook (diferentemente do aborto de filme que é Goodnight, Mommy, que simplesmente copiou toda uma sequência de cenas e elementos e pensou que ninguém ia perceber).

Reprodução

Reprodução

A química entre Patrick Wilson e Vera Farmiga está cada vez mais deliciosa, você consegue sentir o amor, a amizade e a parceria do casal protagonista, você sofre e se diverte junto com eles, e você tem vontade de chamá-los de “meus bebês” e guardá-los dentro de um pote. O filme também mantém vários elementos da prequela, e me deixou ainda com mais certeza de que o primeiro passo para ter uma casa assombrada é ter muitos filhos. Fala sério, muita criança acumulada é um prato cheio para assombrações horríveis, com pontos bônus se uma das crianças tiver um apego especial por algum brinquedo horroroso (e a gente sabe que isso SEMPRE acontece. É um negócio meio gatos e caixas, uma das crianças com certeza vai ser louca por uma boneca medonha com um olho faltando ou coisa assim).

O filme quase não te deixa respirar, porque, diferente da grande maioria dos filmes, em que o monstro é um só, aqui as ameaças estão por toda a parte. Ainda que o grande Mal tenha um só nome, a quantidade de coisas para sentir medo é gigantesca. Afinal de contas, o fantasma de um velho ranzinza não é ameaça suficiente para uma mãe solteira e seus muitos filhos.

Outra coisa que eu tenho amado é o quanto as vítimas não são mais só vítimas. A família não se contenta em só fugir assustada e pedir ajuda, mais de uma vez eles reúnem coragem para encher o peito e desafiar os monstros. Dane-se se você é um espírito, um demônio ou o raio que o parta, essa casa é minha e é com a minha família que você está lidando, então dê o fora daqui. Este é outro elemento de Babadook que eu adoro ver nos outros filmes: eu posso ser só uma criança, mas eu vou pegar em armas (de brinquedo) e eu vou chutar a bunda do espírito que está importunando a minha vida.

Reprodução

Reprodução

O roteiro do filme também é simplesmente fantástico. As coisas se conectam de maneira aterrorizante, e o final não é, nem de longe, previsível. Na verdade, a trama é uma gigantesca bola de neve, que você não percebe o quão grande e ameaçadora é até que ela está praticamente em cima de você. Os momentos de tensão são tantos e tão longos, a situação da família e dos Warren é tão desesperadora que o filme necessita de momentos bem humorados pra permitir que todo mundo – os personagens e você aí assistindo – respire fundo e esqueça, mesmo que por uns minutos, o horror que a vida é. E, lógico, esses momentos de otimismo e bom humor só servem para deixar o pesadelo seguinte mais sofrível, e você pode apostar que as sequências de tensão e jumpscares vão ser cada vez mais longas.

O final feliz não é garantido. Durante todo o filme nós sabemos que James Wan pode muito bem estar planejando uma tragédia no final, afinal de contas, não dá pra vencer todas as lutas. Os inimigos também estão ficando maiores, mais importantes, mais perigosos; se tudo acabar bem nesse filme, talvez não acabe tão bem no próximo.

Pouco depois da estreia de Invocação do Mal 2 nos cinemas foi anunciado que, assim como Annabelle, a temível Freira ganhará um filme próprio, e vocês podem apostar que eu estarei agarrada na poltrona do cinema para ver esse e quantos outros filmes essa franquia produzir – e eu realmente espero que sejam muitos.

James Wan, eu vou colocar o seu nome nas minhas orações. Obrigada por ter ajudado a transformar o cinema de terror na maravilha que ele está virando. ❤️

Compartilhe:
Comente:
Post Anterior Próximo Post

8 Comentários

  • Responder Izabella cordeiro

    Acho que a parte mais assustadora do Filme foi quando pensei que o Patrick ia morrer! Sério, de partir o coração, pois tenho uma queda por esse homem ma-ra-vi-lho-so.
    O filme foi muito bom, eu não me ligo muito em filmes de terror, mas desse eu gostei.

    http://www.izcordeiro.com.br

    9 de julho de 2016 às 02:42
  • Responder Angelica Andrade

    Eu estava tão ansiosa para assistir a continuação que eu fui ver na estreia e o filme terminou de madrugada. Foi bem louca a experiência! Concordo com você, Invocação do Mal é de dar orgulho mesmo e deixa os outros que apelam pra sustos banais e o terror gore lá no chão. Espero que continuem a fazer filmes bons! Beijos.

    http://rumoahollywood.blogspot.com

    9 de julho de 2016 às 02:42
  • Responder Vanessa Dias

    "Ele não estragou o final do filme e ele fez de um jeito tão genial que deu abertura pra continuação, pra franquia, pra filmes relacionados" – EXATO. Acho que a grande merda na maioria dos filmes de terror é focar TANTO em assustar o espectador que simplesmente esquecem da história, de amarrar os acontecimentos e, se o fazem… normalmente estragam COMPLETAMENTE o final (assisti recentemente Boneco do Mal e ainda to com expressão de Grumpy Cat no rosto). Como você, Invocação do Mal é o único filme que quis ver de novo (vi duas vezes, porque recomendei para meus pais e assisti com eles. Mas só, pois medo hahahaha). Ainda não vi o 2, mas já sei que é sensacional <3 o amor do casal protagonista realmente merece estrelinhas (minha amiga fez questão de contar sobre a cena em que ele está cantando Elvis e olhando para ela, k). É o tipo de construção em personagens que não se vê muito nos filmes de terror, também.

    BEJO MA!
    http://www.saborabsinto.com.br

    9 de julho de 2016 às 02:42
  • Responder Letícia.

    Cara, preciso ver esse filme e depois da sua resenha preciso ainda mais. Realmente o terror sofreu muito durante esses anos, era cada filme ruim que você tinha mais medo de ver o filme por ser ruim do que por assustar mesmo.
    Adorei a resenha e adorei seu blog 😉
    bjs
    Letícia
    http://problematicaconstante.blogspot.com

    11 de julho de 2016 às 23:25
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Yey, muito obrigada!
    Cara, assista, vale muuuuito a pena <3 terror é amor, hahahah

    14 de julho de 2016 às 23:26
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    eu tenho uma queda no casal inteiro, existe isso? HAHAHAHA Nem quero ver outros filmes com o Patrick, porque ele vai ser pra sempre Warren no meu coração <3 Eu também fiquei MUITO angustiada durante o filme porque pensei que ele ia morrer!

    14 de julho de 2016 às 23:27
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Uuuh, que bacana *-* Eu sempre fico meio puta vendo filme de terror no cinema, porque sempre tem uma galera que se acha engraçadona e quer zoar tudo. Nem falei no post, mas quase arranjei briga no cinema com um cara que achou dahora cantar junto com o filme D:

    14 de julho de 2016 às 23:51
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    SUA LYNDA, VOCÊ ME ENTENDE
    Cara, nem animei de ver Boneco do Mal porque me falaram que era ruim e porque a única Boneca do Mal que tem espaço no meu coração é a Annabelle, hahaha.
    Eu só espero que as outras produções de filmes de terror continuem aprendendo e tirando coisas boas dos filmes anteriores. E veeeeja logo que é muito bom, hahahahaha.

    15 de julho de 2016 às 00:01
  • Deixe uma Resposta