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Os Três Encontros, de Rubia Dias

os três encontros

As pessoas que, em algum momento da vida, tiveram o hábito de escrever histórias, sabem qual é a sensação de ter uma ideia, um insight, algo tão grande que você não sabe bem como proceder. Você para de respirar por um segundo, e precisa parar e se esforçar para conseguir organizar tudo em palavras sem perder a essência de nada, e depois mastigar o que foi escrito, estudá-lo de todos os ângulos possíveis, tentando extrair mais daquilo do que o que repentinamente dominou a sua imaginação.

Agora, imaginem vocês a minha surpresa quando a querida Rúbia, do blog Perplexidade e Silêncio, entrou em contato comigo através da página do blog no Facebook, perguntando se eu tinha interesse em ler o livro que ela havia escrito e publicado, sem compromisso. E, ah, em hipótese alguma eu recusaria uma leitura, e muito menos a oportunidade de prestigiar o trabalho de uma colega blogueira.

E, meus amigos, a ideia que assomou a imaginação de Rúbia é algo grande.

Só de ler a sinopse da história eu já tinha certeza que estava falando com uma camarada que, assim como eu, bebeu bastante da fonte de Neil Gaiman e Sandman, o que obviamente só me deixou mais empolgada. Em pouquíssimo tempo o livro já estava nas minhas mãos (exatamente no mesmo dia em que Sandman: Overture chegou, e eu não acredito em coincidências). E o meu primeiro comentário sobre ele é o quão dolorosamente curto ele é. A história tem pouco mais de cem páginas, mas fala de um universo gigantesco, e eu passearia por mais tempo por aqueles corredores com prazer. Ao fim da leitura, é difícil de acreditar que um livro tão pequeno pudesse abrigar confortavelmente tanto o Universo quanto o Tempo.

O livro conta a história de Virgínia, uma jovem que perdeu tanto a memória quanto – ela teme – uma parte de si; e de Sofia, uma criança que se lembra de tudo, mas prefere o silêncio da maturidade muito além de sua idade, porque algumas coisas devem ser descobertas em seu próprio Tempo.

Pequenos (grandes) acontecimentos permeiam a vida de Virgínia, acontecendo em um ritmo que ela muitas vezes não consegue acompanhar. Não que esta seja uma missão fácil quando seus companheiros de palco são entidades tão absolutas quanto é possível ser.

Sua única certeza é que algo aconteceu, algo que ela não lembra e que deixou um vazio imenso em seu peito, algo que tirou o propósito das coisas. O que ela não sabe é que, quando um pedaço de você se quebra, um pedaço do universo se quebra… E, se você não conseguir remendá-lo por conta própria, então é hora de o Universo intervir.

Eu adorei a ideia de as roupas do Universo serem – literalmente – da cor do céu, e eu consigo ouvir perfeitamente a sua voz em minha cabeça, uma voz ainda mais forte do que o som das ondas do mar, conquistando cada mínimo espaço. E eu reconheci o Tempo. Sei exatamente como imaginá-lo. Reconheci seus pés descalços, seus salões espaçosos, suas poltronas imensas e suas roupas simples.

É lógico que a história poderia ter sido mais complexa, da mesma forma como poderia ter sido mais longa, mas aí é que está a beleza da coisa: ainda que a história de Virginia tenha terminado, o mundo imaginado por Rúbia nunca precisa terminar. Através desse livro, ela divide conosco um mundo mágico e particular, e eu espero que ela jamais deixe essa ideia para trás. Eu espero que ela guarde essas personagens para sempre, que reescreva-as, explore-as de maneiras diferentes, que abra novas portas e explore novas possibilidades. A Rúbia tem todo um universo nas mãos, e a criatividade é algo ilimitado e, se ela sentir por essa história o que eu sinto pelas minhas, eu sei que Virginia nunca realmente vai deixá-la. E eu não tenho palavras para descrever o quanto ser apresentada à esse pedaço de mundo tão particular significou para mim.

Rúbia, querida, eu torço pelo seu sucesso, espero que você nunca pare de escrever, que pratique sempre, desenvolva e explore cada pedacinho da sua criatividade. Muito obrigada pelo livro e pela história, eu prometo guardá-los muito bem comigo.

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2 Comentários

  • Responder Ruh Dias

    Toda semana passo aqui no seu cantinho para me atualizar das suas novidades, e qual não foi minha surpresa de ver o meu livro por aqui. Fiquei tão feliz que você tenha gostado dele e que tenha sentido a mesma necessidade que eu, de ampliar e explorar mais a estória como um todo. Obrigada por ter lido e pelo apoio, faz toda a diferença para mim.

    Um beijo,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    7 de abril de 2016 às 00:07
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Eu queria ter postado bem antes! E foi um prazer imenso, de verdade, espero ver mais coisas suas por aí <3

    7 de abril de 2016 às 01:13
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