Acompanhe:
Geek

[Blogueiros Geeks] O que eu aprendi com relacionamentos

Reprodução / Puuung

Reprodução / Puuung

Esse é outro tema da Blogagem Coletiva de junho do Blogueiros Geeks que eu adoraria ter postado na época do Dia dos Namorados, mas a gente trabalha com o que tem, e hoje é um dia tão bom quanto qualquer outro!

Eu pensei em várias abordagens diferentes para escrever esse texto, acompanhei o tema em alguns blogs que eu gosto e vi resultados profundos. Eu parei para pensar sobre meus relacionamentos anteriores e o que eles me ensinaram, e aí parei para analisar meu relacionamento atual e ver tudo o que aprendi com ele e com o Euclides, e o tanto que a companhia de uma pessoa consegue mudar quem você é por dentro e por fora, e o quanto as pessoas de fora se afetam com isso também.

Mais de uma vez nos perguntaram como nos damos dão bem, e mais de uma vez se incomodaram por nos darmos tão bem. Não é exagero falar que nós precisamos cortar relações com algumas pessoas, familiares inclusive, por tentarem ativamente boicotar a relação. A existência de duas pessoas felizes uma com a outra e com as próprias vidas consegue abalar muitas certezas de muita gente que não têm nada a ver com nenhum dos dois – muitas vezes, pessoas que, na teoria, deveriam estar torcendo por você. Eu perdi a conta de quantas vezes nós ouvimos coisas como “se vocês continuarem se vendo todos os dias vai gastar e ele(a) vai enjoar de você logo, vocês deveriam se ver só de fim de semana como um casal normal”, “ai, mas e se vocês terminarem amanhã? Você vai se arrepender de criar tanta expectativa”, “você está abrindo mão da sua personalidade, você não é assim de verdade, eu te conheço melhor do que ele e eu sei do que estou falando”, “ai, mas como você sabe que ele não tem um plano B, um C, um D…?”. Quando você responde que sabe porque confia na pessoa, te olham como se você fosse doido.

Agora, curiosamente, quando você está em um relacionamento tóxico ou claramente abusivo, NINGUÉM vem apontar o dedo na sua cara e te dizer o que você deveria fazer ou deixar de fazer, e o que seria melhor para você. Entendem onde eu quero chegar? A felicidade alheia irrita muita gente, e a desgraça alheia faz muita gente se sentir melhor com a própria vida. Não é à toa que caras notoriamente abusivos nunca estão solteiros e que, quando você está mal, corre o risco de receber conselhos do tipo “pensa bem, olha pra todas as coisas legais que você não teria sem ele, você vai ficar pior sozinha. Eu sei que é difícil, mas vale a pena aguentar. Todo mundo gosta dele, ele não pode ser tão ruim assim”.

Também tem muita gente que acha que amor e relacionamento é receita de bolo ou passe de mágica, que se aconteceu com você, então é só ela sentar e esperar que também vai acontecer com ela. As pessoas não entendem que um relacionamento saudável depende de esforço conjunto. Não adianta você exigir sacrifício e devoção da pessoa enquanto você a sustenta com migalhas de atenção. Você não vai conseguir manter um relacionamento com base em abuso, interesse ou objetificação, e você não vai ter o direito de se lamentar contra o “amor” quando perceber que esse relacionamento não te deu a vida feliz de contos de fadas que você achou que iria acontecer por mágica só por ter alguém falando “eu te amo” sempre que conveniente. O problema aqui é que tem muita gente que não suporta ficar sozinha. A simples ideia de um casal perto dessa pessoa já a deixa com vontade de pedir o primeiro que passar na rua em namoro. Infelizmente, parece que grande parte dos relacionamentos começam pelos motivos errados. As pessoas tentam convencer a si mesmas de que amam, de que estão felizes, de que isso é tudo o que elas sempre quiseram na vida, e enterram dentro do peito a verdade que elas preferem fingir que não existe.

Não é incomum encontrar por aí posts e artigos intitulados “como fazer o relacionamento dar certo”, e um conselho que sempre aparece é “não se esqueça de dizer ‘eu te amo’”. Olha, me desculpa se eu estou trazendo isso à tona de um jeito meio brusco, mas se você precisa colocar “demonstrar afeto” na sua lista de afazeres, logo abaixo de “comprar papel higiênico”, então o dito afeto que você pretende demonstrar simplesmente não existe. Você precisar se forçar a dizer à alguém que a ama é mentir para ela e para você mesmo… E você sabe disso. Nós dois sabemos que você sabe disso. Quem ama de verdade demonstra o tempo todo, não importa o quão tímida ou fechada a pessoa seja. Ela vai falar que te ama trezentas vezes por dia, de várias formas diferentes; ela vai segurar seu rosto entre as mãos e te olhar como se você fosse a coisa mais incrível do mundo inteiro; ela vai estar sempre por perto, de preferência encostada em você de alguma forma; ela vai calar a boca e te abraçar por horas, como se estivesse tentando transformar vocês dois em uma coisa só.

Agora me olha nos olhos e me diz que uma pessoa assim precisaria lembrar de dizer pra outra pessoa que gosta dela.

Eu vou falar a verdade pra vocês, manter um relacionamento saudável não é fácil. Não existe isso de um casal perfeito que nunca brigou na vida – a diferença aqui é que existem casais que colecionam brigas de propósito, esperando ansiosamente pela oportunidade de jogar tudo na cara da outra pessoa; e existem casais que jogam limpo e colocam todas as cartas na mesa, até não restar nada não dito, nenhum rancor guardado e o motivo da briga poder virar passado. O que importa não é você estar certo, e nem você “ganhar” uma discussão. Ninguém é vencedor de porra nenhuma se no fim do dia a outra pessoa ainda estiver triste com você. Não trate o seu relacionamento como uma competição e não trate a pessoa que você diz amar como um oponente.

Eu não aprendi isso nos pouco mais de dois anos em que eu e o Euclides estamos juntos, eu demorei uma vida inteira, e o tanto que eu sei não é suficiente nem pra encher duas páginas de texto. Por outro lado, essas coisas que eu sei me ajudam a ser cada dia mais feliz, e a deixar a vida dele cada dia mais feliz também. No fim das contas, é só isso o que importa: tudo o que você quer é deixar a outra pessoa feliz, e a sua felicidade é consequência do processo. Quando a outra pessoa quer exatamente a mesma coisa, as pequenas preocupações ali de cima param de ter importância, e estar simplesmente vivo do lado de quem se gosta vira a coisa mais legal do mundo… E eu acho que é isso o que eu sei sobre relacionamentos até agora, espero que ajude alguém por aí.

barra_bg

Compartilhe:
Comente:
Post Anterior Próximo Post

Você também pode gostar de:

8 Comentários

  • Responder Cíntia de Melo

    Ma, fiquei emocionada! vejo muito do meu namoro, no seu <3
    As pessoas podem ser toxicas e é sempre bom ter pessoas boas perto de nos !
    obrigada por isso!

    3 de julho de 2016 às 04:53
  • Responder Ruh Dias

    Uau. Fiquei um tempinho sem poder acessar meus blogs preferidos – e o seu, claro, está entre eles – e, quando vim aqui, me deparei com muitos posts que não tinha lido. Pois, enfim, consegui colocar minha leitura do seu cantinho em dia e preciso dizer: cara, me identifico demais com você. Adoro os seus posts, os pedidos de casamento e de temaki do seu namoro e todo o resto.

    Cê tá de parabéns. E não estou sendo irônica.

    Bjs
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    3 de julho de 2016 às 04:53
  • Responder Bruna Otomura

    Que texto mais lindo e gosto de ler aonde, aliás, só li verdades. Amar em qualquer aspecto está em cada gesto de carinho, de preocupação não em palavras que disparamos por aí realmente. A gente demora muito tempo pra aprender né? E concordo plenamente ctg que as pessoas acham que relacionamentos tóxicos são ok pq é errado não aceita u.u beijos linda e que vc e seu love continuem assim, se amando e aprendendo cada dia mais um com o outro <3 beijos beijos!

    http://www.metamorphya.blogspot.com

    5 de julho de 2016 às 02:17
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ai, Ruh, nem me fala! Estou há DIAS sem nem desligar o computador para não perder todas as milhares de abas abertas dos blogs que eu gosto e não visito há séculos!
    Muito obrigada pelo carinho, sempre! <3

    9 de julho de 2016 às 18:39
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    E eu tenho que te agradecer também! <3 Relacionamentos e amizades saudáveis são importantes demais nessa vida!

    9 de julho de 2016 às 19:57
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Bruna, você é muito querida, muito obrigada por todo o carinho e fico muito feliz que tenha gostado do texto!

    9 de julho de 2016 às 19:58
  • Responder Milena Schabat

    Eu tô simplesmente APAIXONADA por esse texto. Tudo o que tu sabe é ouro, miga!
    Eu tô namorando a pouco mais de um ano e já passei por uns baitas de uns perrengues simplesmente por não entender essa coisa louca de ter um namorado, sabe? Eu sempre fui extremamente sozinha, mas não do jeito ruim, eu gostava. Gostava de ter as minhas coisas, de dormir sozinha, de assistir filme ou séries ou simplesmente ler no silêncio. Depois que conheci o Douglas eu só queria ficar com ele, encostada nele, e era maravilhoso no começo, mas depois que tooooda aquele fogo (haha) passou, eu comecei a lembrar do quanto eu também gostava de ficar sozinha, sabe? E, querendo um pouco daquilo de volta, eu conversei com ele e expliquei tudo, mas as conversas foram se tornando brigas porque ele não tinha essa "necessidade" de estar sozinho, ele inclusive nunca gostou disso, nem quando era solteiro. Enfim, resumindo tudo: o nosso namoro tá super bacana agora, mas nem sempre foi assim. Esse foi apenas um dos motivos que fez com que a gente brigasse (a gente brigava demais, demais mesmo), mas acho que nós dois chegamos a uma conclusão parecida: se não abrirmos mão de algo agora, vamos perder essa pessoa. Nós nos amamos, então mudamos algumas coisinhas. Agora tudo está incrível (mas não perfeito). Eu sou feliz, sei que ele também é e é como você disse, é isso o que importa.

    Beijos, milenaschabat.blogspot.com

    10 de agosto de 2016 às 20:32
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Que bom, Milena! Fico muito feliz que vocês dois tenham conseguido se adaptar. Realmente precisamos abrir mão de algumas coisas em troca de outras, é muito importante ter sempre isso em mente. Desejo toda a sorte pra vocês dois!

    13 de agosto de 2016 às 21:19
  • Deixe uma Resposta