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O Circo Voltou! – O Circo Mecânico Tresaulti, de Genevieve Valentine

Eu gosto muito do blog da Juliana Fiorese e de suas resenhas literárias, e através delas que eu conheci a editora DarkSide, que atualmente tem pelo menos um título na wishlist literária de todo mundo – e não sem motivo! Os livros começam conquistando pela capa, atiçando a curiosidade pelos temas pouco explorados nas livrarias nacionais e arrebatam completamente pelas histórias. No fim do dia, eles não são só algumas das edições mais bonitas que você tem na sua estante, como muito provavelmente vão virar suas histórias favoritas.

circo mecânico tresaulti

Quando eu vi o post da Juliana sobre O Circo Mecânico Tresaulti, eu fui obrigada a abandonar a resenha pela metade, e não pelo motivo que vocês estão pensando. A real é que eu me senti tão terrivelmente empolgada com o livro que eu me recusei a receber qualquer spoiler, qualquer crítica, qualquer mísero pedaço de informação até que eu mesma tivesse uma edição em mãos, o que eu sabia que ia demorar, pois o livro estava esgotado em toda a parte.

Mas o leitor é uma criatura de fé, e eu aguardei pacientemente pelo dia em que a editora relançaria esse livro tão cobiçado.

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Reprodução / DarkSide Books

A minha impressão foi que Genevieve reuniu em uma única obra tudo o que eu gostava e queria ver em um livro. Nós estamos falando a respeito de um circo steampunk distópico mágico pós-apocalíptico. Permitam-me repetir: Circo. Steampunk. Distopia. Magia. Sociedade pós-apocalíptica. Eu sou absolutamente apaixonada por circos (principalmente pela ideia e pela diversidade de formas maravilhosas que o circo é representado em várias mídias) e pela cultura Steampunk – inclusive, tenho uma lista de livros sobre o tema que estou louca para começar a ler.

Felizmente para mim e para muitos de vocês, a DarkSide ouviu nossos lamentos e relançou O Circo Mecânico Tresaulti em uma edição limitada MA-RA-VI-LHO-SA, que eu garanti assim que a pré-venda foi anunciada no Twitter da editora e esperei ansiosamente chegar pelo correio.

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Confesso que as minhas primeiras impressões sobre a capa foram ambíguas. Era linda, óbvio que era linda, mas no começo eu senti falta do vermelho vivo da edição anterior (nesta substituída por um vinho bem escuro) e estranhei a presença do título apenas na contra-capa. No entanto, conforme eu lia e, consequentemente, andava com o livro para cima e para baixo, eu entendi a sacada genial por trás da capa. Pelo menos umas cinco pessoas vieram me perguntar que livro era esse (no ônibus, na faculdade, no trabalho), porque uma capa tão sóbria e ricamente ilustrada com certeza vai chamar a atenção, e não ter o título ali na cara para satisfazer a curiosidade das pessoas só vai aumentá-la. Eu perdi a conta de quantas pessoas olharam por cima dos meus ombros para ter um relance do que eu estava lendo. A arte da capa foi feita com tanta riqueza e atenção aos detalhes que você se perde com os dedos pelo verniz e o relevo, sem perceber o passar do tempo. A magia do Circo te envolve antes mesmo de o livro ser aberto.

O livro é lindamente ilustrado por Wesley Rodrigues, que tem algumas de suas ilustrações publicadas em seu blog.

O livro é lindamente ilustrado por Wesley Rodrigues, que tem algumas de suas ilustrações publicadas em seu blog.

 

A narração de Valentine é capaz de te inserir na história de imediato, isso porque o foco narrativo é diferente em cada capítulo. Em alguns o narrador é aquele nosso velho conhecido, onisciente e imparcial, que nos capítulos seguintes é substituído pelo querido e bondoso Little George, que senta do seu lado e te conta a história, inclusive dividindo com você alguns de seus segredos e pensamentos pessoais. Nos outros capítulos, o livro fala diretamente com você, e quem te conta a história é o mundo, ou o próprio Circo, e o Circo sabe exatamente como você se sente, porque nesse momento você é um dos filhos de Boss, um dos corações que mantém o Circo Tresaulti de pé.

Nesse momento, você sente um arrepio.

Os personagens são todos maravilhosamente complexos, e todos eles dividem muito bem o picadeiro, sem que um roube o espaço do outro. Rapidamente somos apresentados à Boss, que é a voz, o cérebro e as mãos por trás de todas as maravilhas do Circo. Em um mundo que beira a anarquia, onde governos se erguem e são destruídos rápido demais para serem lembrados, e todos – mesmo as crianças – são capazes de tirar uma vida, Boss é capaz de devolvê-la, e este é um poder de validade incalculável.

Todos os artistas têm nomes e histórias para contar, mas nada disso importa a partir do momento em que eles deixam as armas de lado e o Circo os recebe com novos nomes – um batismo para a vida nova que se inicia, longe de governos e guerras e junto de uma família.

Alguns chegam ao Circo movidos pela ambição, pela certeza de merecerem as asas que Boss jurou nunca mais dar à ninguém. Muitos são movidos pelo desespero, pelo esvair da vida que somente Boss é capaz de recuperar – usando engrenagens, molas velhas, placas de metal encontradas em escombros, praticamente qualquer coisa. Alguns querem apenas a ideia de um lar, de uma família para fazer parte e de uma refeição para dividir com quem se ama. Em um mundo de órfãos, Boss encontrou sua família, e seus artistas encontraram nela uma amiga, uma mãe e uma líder.

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No entanto, em uma era de tiranos, é de se esperar que os talentos de Boss sejam desejados por homens do governo com ideais belicosos – homens que, se pudessem, colocariam uma arma nas mãos de cada homem, mulher, criança e máquina.

Todos sabem que Boss morreria por seus ideais. Resta saber se seus filhos recorreriam às habilidades de suas vidas passadas para impedir que isso aconteça.

As últimas páginas são eletrizantes e te roubam o fôlego, e têm aquela tristeza típica das despedidas. É difícil resistir ao impulso de abraçar o livro com força assim que terminamos a leitura. Eu me dou ao direito de sonhar com uma adaptação cinematográfica da história, que é extremamente visual, além de ser uma aventura com começo, meio e (de certa forma) fim.

A magia de Boss não é algo explicado, explorado ou questionado, e nem precisa ser. Ela simplesmente existe, assim como as guerras simplesmente existem e ninguém se preocupa em perguntar por quê. E, em um mundo musicado pelas explosões de bombas, a magia, assim como a esperança, faz-se realmente necessária, por mais que ninguém acredite nelas. Mas é exatamente disso que Tresaulti é feito: mais do que magia, mais do que engrenagens, molas e escombros, esperança.

O Circo viaja por muitas cidades, e a trupe tem todo o tempo do mundo. Se algum dia a guerra tiver fim, eles estarão lá para ver.

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9 Comentários

  • Responder Victória Cardoso Ferreira

    Normalmente eu sou chata com leituras, mas eu PRECISO desse livro. Na verdade, preciso de todos os livros da Darkside, mas principalmente desse. Em uma frase você conseguiu resumir tudo que eu gosto: circo, steampunk, distopia, magia, sociedade pós-apocalíptica. É uma mistura que, se bem feita, não tem como dar errado. E pelo que vi da sua resenha, deu super certo (:

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    8 de Abril de 2016 às 02:43
  • Responder vintagepri

    Falou em steampunk, cultura gótica, era vitorina é comigo mesmo!
    Eu também tenho que me policiar quando vou resenhar livros pelo mesmo motivo. Às vezes não dá pra conter a empolgação, kkkk….mas relaxa, postou o suficiente para aguçar a minha curiosidade eu gostei muito do enredo =)

    Beijos, Pri
    vintage.blogspot.com

    8 de Abril de 2016 às 02:43
  • Responder Juliana C

    Eu vi esse livro pessoalmente hoje e fiquei desejando MUITO
    Depois de ler a sua resenha então, preciso pra ontem!
    Pelo que você descreveu, essa história tem de tudo que eu gosto, principalmente personagens bem desenvolvidos. Se tem algo que me ganha nos livros é isso.
    Nunca li nada Steampunk, mas tenho muita vontade e acho que esse vai ser o livro perfeito pra começar!
    Tô babando pelas ilustrações também <3
    Não sei se você já leu "Marina" do Zafón, mas algumas coisas desse livro me lembraram levemente ele.

    10 de Abril de 2016 às 01:25
  • Responder Mila

    Marcela,
    Que capa maravilhoso!
    Eu só li um livro com estilo steampunk que foi Alma? e gostei, agora sabendo que o livro tem essa pegada mais magia, distopia e futuro pós-apocalíptico. Estou super curiosa para ler.
    Bjs

    AchadosdaMila

    Fanpage – Achados da Mila

    13 de Abril de 2016 às 11:36
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Yey! Fico feliz por ter gostado! 😀

    17 de Abril de 2016 às 22:52
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Essa mistura ganha qualquer um, fala aí! hahaha A DarkSide é puro amor, também estou de olho e vários livros deles, e estou mooooooorrendo com os lançamentos desse ano!

    17 de Abril de 2016 às 22:55
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Nossa, sério? Eu quero muito ler Marina! Me encantei com a escrita de Zafón em A Sombra do Vento, e quero ler mais coisas dele assim que possível!
    E todos os personagens do Circo tornam-se extremamente queridos durante a leitura, você realmente sente que está ali com eles, vivendo a história. É amor puro <3

    17 de Abril de 2016 às 22:57
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    A arte é de cair o queixo, né?
    Não conheço o livro Alma?, mas só por ser steampunk eu já gosto, hehehe.

    17 de Abril de 2016 às 23:00
  • Responder Petit Andy.

    Marcela.
    Você transformou este livro em um poema. Estou ainda mais curiosa. Mas ainda estou sem saber se esse livro dá medo.
    O que você acha? Posso ler sem medo? Me dá uma dica.

    Beijuu X)
    Andréia Campos
    http://petitandy.com

    3 de setembro de 2016 às 02:47
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