Acompanhe:
Livros Terror

[12 Meses de Poe] Abril: Morella

Reprodução

Reprodução

A ilustração é de Benjamin Lacombe. Você vê mais trabalhos dele e de outros artistas pop-surrealistas neste por aqui.

Se você sentiu falta do conto de março aqui no blog e acha que não rolou resenha, saiba que rolou sim, mas lá na página do Facebook! Depois clica aqui no link e descobre o que eu achei do conto lido no mês passado: Hop-Frog.

O conto selecionado para o mês de abril foi Morella, bastante curto (4 páginas), assim como todos os outros lidos até agora, mas aqui nós já temos a temática e a ambientação de um conto de terror clássico, envolvendo mistérios sobrenaturais e acontecimentos inexplicáveis.

Morella é uma querida amiga de nosso narrador, alguém muito próximo dele, mas por quem ele nunca realmente se apaixonara, o que não o impediu de casar-se com ela anos mais tarde. Ele sempre admirou sua inteligência e espiritualidade e, por hábito, acabou aproximando-se dos assuntos que ela tanto apreciava estudar e discutir. Veja bem: Morella era apaixonada por assuntos ocultos, pelo misterioso funcionamento da mente e do espírito, por aquilo que a ciência, apesar das tentativas, não é capaz de justificar.

Com o passar dos anos, a inteligência e curiosidade de sua esposa, que antes o encantava e inspirava, passa a aterrorizá-lo, como se algo além deste mundo se escondesse por trás do brilho dos olhos dela, alimentando seu mórbido interesse. Mesmo suas orações, que antes o enchiam de paz, agora turvam a calma do ambiente e tiram-lhe o sono.

Seu terror é tamanho que ele não pode evitar de sentir-se aliviado quando Morella é acometida por uma doença grave. Seu outrora amigo passa, então, a rezar para que a enfermidade a leve em breve, afligindo-se por vê-la tão disposta a lutar por mais um dia de vida. Ela sucumbe no dia em que dá a luz à uma menina, e suas últimas palavras são como que uma profecia. Ela, cheia de certeza em sua voz, afirma que viverá na criança, e que ele amará a filha tanto quanto temeu a mãe.

Nosso narrador passa, então, a viver isolado junto da criança, que cresce e se desenvolve em uma velocidade extraordinária, a cada dia tornando-se mais parecida com a mãe. O pai a ama com todas as suas forças, mas também teme a impossível semelhança dos maneirismos. Curiosamente, ele nunca batizara a menina, por nunca conseguir pensar em nome apropriado para ela. Podemos imaginar seu terror quando ela se reconhece no nome da mãe, dando ao pai mais uma prova de que se tratava da mesma pessoa.

A dúvida do narrador torna-se certeza nas últimas frases da história, embora para nós pouco ou nada seja explicado. Poe é o mestre em deixar os detalhes para a imaginação do leitor, e talvez seja isso o que mais surpreenda em suas histórias. Nós não sabemos dizer o que houve com a Morella-mãe, e nem explicar a semelhança surpreendente entre ela e a filha. Nós, no entanto, sabemos que algo impossível de explicar aconteceu. No fim da história, apenas somos gratos por não sermos personagens do autor, e por podermos simplesmente fechar o livro e dormir em paz.

Compartilhe:
Comente:
Post Anterior Próximo Post

Você também pode gostar de:

6 Comentários

  • Responder Anna Costa

    Adorei sua resenha, Marcela! Obrigada por participar mais esse mês! Vou publicar a resenha na página e no meu blog, como sempre.

    Meu blog

    2 de Maio de 2016 às 02:36
  • Responder Priscila Sawa

    Olá, Marcela! Tudo bem contigo?
    Sempre que posso, dou um jeito de passar por aqui e ler o que anda postando e meu coração chega saltou quando li que era sobre um dos contos de Edgar. Eu simplesmente amo isso no Ed, a engenhosidade dele em fazer contos intimamente perturbadores mas com aquele toque de delicadeza. É como se o verdadeiro propósito dele fosse nos deixar com gostinho de quero mais na boca, embora não sejam todos que consigam fechar os olhos e descansar em paz. Morella e O Retrato Oval me prova o que sempre soube que fascinava Poe: a morte de uma jovem, bela e amada mulher. Para ele era o assunto mais poético que existia e o danado soube me conquistar com sua estranheza. Simplesmente amo Edgar Allan Poe. ♥
    E amei essa tua resenha, com simples palavras pode explicar a agonia de ler Morella e saber que a danação estava no homem, e não na nuvem ocultista envolvendo a Mãe e a filha reencarnada. ♥

    Blog • DISSE O CORVO

    3 de Maio de 2016 às 01:07
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    É sempre um prazer! 😀

    9 de Maio de 2016 às 02:35
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Cara, eu amo tanto o nome do seu blog <3 você já pode imaginar o por quê, hehehe. Fiquei muito feliz com o seu comentário, e me sinto exatamente como você lendo os contos dele. Por um lado é muito triste, né? Porque realmente tem muito do pessoal dele nessas histórias, tem muita dor por trás disso tudo 🙁

    9 de Maio de 2016 às 02:41
  • Responder Juliana C

    Tô super atrasada com o desafio do Poe 🙁 Aliás, com todos que tô participando. Sou um desastre pra isso.
    Tava estranhando os contos que li até agora não puxarem muito para o lado do terror, porque sempre escutei isso sobre o autor. Sua resenha me deixou mega curiosa, acho que já vou ler esse conto agora!
    E adorei a imagem do começo do post <3

    Beijos!

    26 de Maio de 2016 às 20:41
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Eu também tô mega atrasada com tudo nesse blog, dá um desespero D:

    26 de Maio de 2016 às 20:43
  • Deixe uma Resposta