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Livros Terror

[12 Meses de Poe] Janeiro: Metzengerstein

Resolvi terminar o mês de forma épica e postar a resenha do Desafio Literário 12 Meses de Poe! Eu, por enquanto, vou seguir o calendário e ler os contos propostos de cada mês – porque, na verdade, vai se tratar de uma releitura da grande maioria deles. Talvez, talvez, eu leia e traga aqui pro blog, durante ou depois desse desafio, minhas opiniões sobre outros contos deles, ou até sobre todo o compêndio de obras publicadas que a gente tem aqui.
Reprodução

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Metzengerstein foi o primeiro conto publicado pelo autor, em 1832, e aí está a principal carga de importância da história.
A história de um animal feroz, quase que endemoniado, que parece ora assombrar, ora trazer justiça já é familiar para mim e para qualquer outra pessoa que tenha um fraco por histórias de terror. Se você já leu contos como O Gato Preto, do próprio Poe, além de uma infinidade de histórias e mídias que usam animais como arautos infernais e assombrações impossíveis, Metzengerstein provavelmente não terá nenhuma surpresa para você. Afinal de contas, muitas pessoas já escreveram sobre coisas desse tipo também…
… Mas o Poe escreveu primeiro.
Ele não recebeu, sem motivo, o apelido de “pai” das histórias de terror – sendo não apenas um (ou o) nome mais importante de histórias do gênero, como também seria o inventor de romances policiais e de protagonistas ao estilo de Sherlock Holmes (imensamente semelhante com o detetive de Assassinato na Rua Morgue, por exemplo). RESPEITO.
Dessa forma, ainda que Metzengerstein não seja um de seus contos mais famosos, ou mais cativantes, ele é imensamente importante. Através do curto conto, de apenas seis páginas,  somos apresentados à duas famílias rivais na Hungria de uma época antiga. O ódio entre as duas casas era temperado por uma antiga profecia que dizia que a “mortalidade dos Metzengerstein derrotaria a imortalidade da família Berlifitzing”.

A escrita do autor é deliciosa, carregada e mega descritiva, exatamente do jeito que eu gosto pra uma história de terror. Ele tem essa forma super pessoal de brincar com as palavras de uma forma que, mesmo que você leia e não entenda, de primeira, exatamente o que está acontecendo, a “aura” da história te cerca logo no primeiro parágrafo. Talvez por isso que ler mais de uma vez seja tão prazeroso! São poucas as obras literárias que eu tenho paciência para reler. As dele, em compensação, eu leio de novo e de novo e de novo e…

(Confissão: eu realmente decorei metade de O Corvo).

Sobre a história, enquanto o mestre Berlifitzing era velho e doente, além de apaixonado por cavalos e pela caça, o herdeiro Metzengerstein era um jovem de comportamento tóxico, cruel e criminoso.
Dessa forma, quando os estábulos Berlifitzing foram consumidos pelas chamas, ninguém duvidou de que o crime havia sido cometido por Metzengerstein.
Ao mesmo tempo em que o velho morria consumido pelas chamas, o jovem era hipnotizado por uma peça de tapeçaria que retratava a morte de um cavaleiro da família rival, e o lamento de seu formidável corcel ao lado do dono caído. Conforme o fogo dominava o terreno vizinho, o corcel estampado mudava de postura, erguendo a cabeça e encarando o jovem Metzengerstein com olhos quase humanos e que refletiam o ardor das chamas, a expressão petrificada num relinchar de ódio.
Fugindo daquela imagem assombrada, o jovem herdeiro foge da sala para fora do castelo, onde criados tentam controlar o fogo do palácio vizinho, e três de seus cavalariços tentando domar um corcel cor de fogo tão admirável e furioso quanto o que o aterrorizara dos bordados do tapete. O cavalo, ainda que marcado com as iniciais de seu rival, não foi reconhecido por nenhum criado da família vizinha. Acreditando tratar-se da mesma criatura sobrenatural que o ameaçara pouco antes, Metzengerstein julga-se capaz de domar o demônio que servia a família inimiga.
Frederick de Metzengerstein torna-se então obcecado pela criatura, visivelmente superior à qualquer outra raça conhecida, isolando-se do mundo e da sociedade, tentando insistentemente domar a fera de olhos humanos que tanto o atormentava.
No entanto, em uma noite de tempestade em que ambos cavalgaram para dentro da floresta, um incêndio de proporções gigantescas e de origem impossível tomou conta do castelo, destruindo tudo antes mesmo de sua existência ser notada. O corcel, então, domina o cavaleiro, avançando para dentro do incêndio com a velocidade de um demônio, para que o último dos Metzengerstein nunca mais fosse encontrado, dividindo a morte que proporcionara ao rival, sofrendo a vingança de toda uma dinastia.
Morto o nobre, o fogo controla a si próprio. Não há sinal do jovem Frederick. Do cavalo, apenas sua forma na fumaça dos escombros, a assinatura de que a vingança foi cumprida.
Vivo, era teu açoite. Morto, serei tua morte”.

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4 Comentários

  • Responder Bruna Otomura

    Nossa! Eu não conhecia esse poema dele, é incrível com a maioria de todos os outros que ele escreveu. E faz sim! Faz depois um post dando sua opinião =) Beijos!

    http://www.poisonmakeup.com

    3 de Fevereiro de 2016 às 23:19
  • Responder Juliana C

    Eu nunca tinha lido nada do Poe, então tive um pouco de dificuldade com esse conto e o achei um pouco confuso. Mas acho que é mais uma questão de acostumar com o estilo dele e tô louca pra ler os próximos contos do desafio!

    Beijos ♡

    8 de Fevereiro de 2016 às 20:30
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ah, mas é assim mesmo! Você logo vai reparar que alguns contos dele são bem longos, tem todo um desenvolvimento, uma ideia trabalhada, enquanto outros são bem curtinhos e mais metafóricos, alegóricos e tal. Eu, pessoalmente, gosto mais dos que tem começo, meio e fim, e consequentemente são mais longos, mas logo logo você se acostuma com o estilo e jeito de narrar e todos eles acabam ficando bem legais!

    9 de Fevereiro de 2016 às 17:22
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Hahaha vou me divertir horrores comentando as histórias dele por aqui <3

    9 de Fevereiro de 2016 às 17:24
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