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Em caso de pânico, não quebre o vidro.

Eu estava começando este post com a abordagem errada, e por isso deletei tudo e comecei de novo (tenho feito isso com frequência). Pra mim a redação melancólica é praticamente um modus operandi, que acontece sem que eu perceba. Digamos que, se eu não me policiar, na minha mão até um vestido florido se torna dramático.

Isso me lembra um dia em que uma colega de trabalho me perguntou se eu era gótica enquanto eu ostentava uma camiseta amarelo-canário. É algo mais de dentro do que de fora.

Mesmo assim, acredito que o começo do texto anterior ainda possa ser aproveitado: ontem (este texto foi escrito na segunda-feira, e eu decidi não alterá-lo) eu deveria ter soltado o post do Desafio 52 Semanas, e o tema da vez era “coisas que me deixam de mau-humor”. Um tema estranho para um dia infeliz, e justamente por isso eu optei por não fazê-lo.

Reprodução

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Isso porque ontem eu tive um ataque de pânico, eu estava repleta de motivos maus e fúteis que me deixavam de péssimo humor, e eu não queria alimentar a espiral horrível em que eu me encontrava. E nessa altura, no texto anterior, eu comentava abertamente o por quê de eu ter ataques de pânico duas vezes por ano, sempre em época de prova. E vocês conheceriam intimamente toda a origem dessa melancolia e sobriedade que se instalou dentro de mim e me fez quem eu sou hoje.

Mas aí, três páginas de puro desabafo e raiva direcionada depois, eu decidi que não. Não quero fazer deste um post de lamentos. Não quero desabafar e terminar chorando no ombro de alguém, ou recebendo tapinhas nas contas pela pessoa forte que eu me tornei, por ter suportado aquilo tudo sem ter trincado além da salvação (eu perdi a conta de quantas vezes me disseram isso). Não quero que ninguém se reconheça no meu passado e termine apenas com um nome, não com uma espécie de solução.

E é por isso que eu não vou contar a origem do meu estado de pânico. Não vou dizer o seu nome e nem contar pra todo mundo o ser humano monstruoso que você é. Não vou falar de você enquanto posso falar de coisas boas, porque hoje em dia a minha vida está repleta delas, e eu preciso valorizá-las mais.

Então é isso o que você tem que saber para poder ajudar uma pessoa durante um ataque de pânico:

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  • Eu não vou dizer a verdade ou o que eu penso, vou dizer coisas horríveis simplesmente para te machucar. Não acredite em nada do que eu digo sobre você e, se possível, não rebata os absurdos que eu disse, porque eu vou sentir a necessidade de me defender te atacar.
  • Eu não estou triste por uma razão em específico. Houve um (ou vários) gatilho(s), e isso explodiu uma série de dinamites de traumas da vida inteira. Eu posso ter me aborrecido com algo que aconteceu hoje, e ter perdido o controle por algo da minha infância.
  • Eu vou me enfiar em uma espiral infinita de negatividade. Vou reclamar, ofender, lamentar, me estressar, ficar furiosa a ponto de parecer selvagem. Não tente me chacoalhar pra fora desse estado, não critique o meu comportamento e não pense que eu vou conseguir simplesmente respirar fundo e organizar as coisas dentro de mim. Não existe simplesmente snap out of um ataque de pânico. Prossiga com cautela.
  • O tempo é o meu maior inimigo nesse momento. Eu perdi o controle porque sinto-o se esvaindo pelos meus dedos sem conseguir me organizar em nada. Apontar o tanto de tempo útil que eu estou perdendo tendo um ataque só vai piorar as coisas, porque eu vou me sentir mal por estar tendo a crise, e aí vira uma bola de neve.
  • Eu vou me sentir feia, ridícula, motivo de piada. Eu vou achar que ninguém gosta de mim e dar razão para tudo de horrível que disserem ao meu respeito. Eu vou me olhar no espelho e ficar horrorizada. Até a Angelina Jolie teve uma fase dessas, o que significa que ninguém em situação semelhante é imune a esse colapso momentâneo de auto-estima.
  • Não me abandone. Tudo o que você falar ou fizer durante um ataque de pânico vai deixar uma marca que vai sobreviver ao fim da crise. Escolha me dar um amuleto ao invés de (mais) uma cicatriz psicológica.
  • Essa crise vai passar. Em pouco tempo, eu vou me achar boba por ter deixado acontecer, e as coisas vão voltar ao normal. Mas não se iluda acreditando que nunca mais vai acontecer, as coisas não são assim tão simples. Acima de tudo, se (ou quando) acontecer de novo, não se comporte como se eu tivesse regredido de alguma forma.
  • Não perca as esperanças em mim. Você ficar do meu lado nessas horas significa o mundo. Eu sou extremamente grata, você nem imagina o quanto.

E, se por acaso, for você sofrendo o ataque de pânico, é isso o que você precisa saber:

Eu sei que parece não ter solução, e que esse pode muito bem ser o fundo do fundo do poço. Mas nós dois sabemos que vai passar.

Nunca, NUNCA pense que você está sozinho. Eu sei que pode parecer que é assim, eu sei que pode parecer que ninguém se importa. Isso não é verdade. Se você sentir que não tem ninguém pra conversar, eu estou aqui. Não importa se eu te conheço ou não, ou se você está em crise por um motivo diferente do meu. Eu estou aqui se você precisar de mim, seja para te aconselhar ou para te ouvir quieta e te emprestar meu ombro. Eu não quero que você se sinta sozinho num momento como este.

Muita força pra gente. ❤️

(E todos os meus agradecimentos pra você, amor. Eu não sei onde eu estaria sem a sua ajuda).

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12 Comentários

  • Responder Sabrina Franzoni

    Marcela, receba o meu abraço virtual.
    Parabéns pelo texto e pelo relato honesto.
    Sinto que muitas pessoas não entendem o que é um ataque de pânico na realidade. Para alguns é sintoma de loucura, para outros, apenas frescura.
    Fazia anos que não tinha nem sinal deles na minha vida. Este ano fui contemplada com um. E com isso vem o medo por antecipação e a pergunta sem resposta: Quando será o próximo?
    Quando li "redação melancólica" fui transportada para alguns anos atrás. Conheci bem o modus operandi melancólico naquela época. Hoje, apesar de ainda sentir sua presença, simplesmente não consigo externá-lo. Não sei se isso é bom ou ruim. Creio que só o tempo vá me responder.
    Faço minhas as suas palavras. Precisando, estou aqui.
    Força!

    ;*

    14 de Abril de 2016 às 11:59
  • Responder Bruna Della

    Menina, o que é isso?
    Que maravilha de postagem é essa? Em poucas palavras você deixou claro uma mistura de sentimentos dificeis de serem compreendidas mas que ficou um pouco mais claro para quem não passa por isso.
    Morro de medo de alguém ao meu lado passar por isso e não saber o que fazer, acabar piorando e tudo mais, sua postagem foi extremamente enriquecedora e me fez abrir os olhos.

    Precisando estou aqui²

    Abraços de luz

    14 de Abril de 2016 às 21:13
  • Responder Lila Martins

    Marcela, li isso agora faculdade estou chorando aqui porque é difícil viu? Eu tenho tido muitas crises, eu estou tão n limite que uma simples viagem de ônibus de casa pro trabalho me deixa transtornada, eu não durmo direito, sofro de um sonambulismo absurdo, não consigo comer,brigo muito com o meu marido e simplesmente tem horas que só queria enfraquecer e desistir. Tem sido um tempo ruim eu ja vivi muitos outros, mas ese esta sendo o pior esta se tornando patológico o meu corpo ta ruindo tendo muitos problemas serios de saúde por causa disso. Foi um ótimo post e acho que até aqui eu não tinha percebido o quanto isso tava me afetando.
    Bjs pra vc!

    14 de Abril de 2016 às 22:41
  • Responder A Bela, não a Fera

    Você definitivamente é uma das meninas que mais identifiquei em conversas pessoalmente, mesmo não dando tempo de trocar ideia online. Não sei porque mas os disturbios bateram ~e tem pessoas que dizem que os santos batem.
    Me esforço para não entrar nessas espirais mas quando tudo der errado… Pense que tem gente que coloca uma nude na internet só pra chamar a atenção.
    Vem falar comigo quando estiver mal, viu?1
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    | FB Page A Bela, não a Fera|

    17 de Abril de 2016 às 03:03
  • Responder Lari Reis

    A minha vontade é imprimir seu post, sobretudo as dicas na parte final, e guardar comigo sempre que que precisar ler ou entregar para alguém que esteja 'vivendo' a situação comigo.

    Força pra nós!

    Yellow Ever Shine

    18 de Abril de 2016 às 01:25
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Fico feliz por ter gostado, obrigada pelo apoio 🙂

    21 de Abril de 2016 às 21:43
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Fico feliz por ter gostado! E pelo post ter tido o efeito que eu queria 😀 espero que o texto realmente te ajude um dia, se você ou alguém próximo precisar ^^

    21 de Abril de 2016 às 21:47
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ei Lila, se cuida viu? Respira fundo, tenta procurar apoio e ajuda nas pessoas perto de você. Se precisar, dá o texto pro seu marido ler também. E nunca tenha medo de procurar ajuda profissional, viu? De verdade. No meu caso, tomar remédio pra dormir melhorou MUITO a minha situação e, embora a mente ainda estivesse conturbada, eu conseguia poupar o físico de todo o cansaço que segue. Você ficaria surpresa com o que uma boa noite de sono pode fazer com uma pessoa! Assim que possível, tire um tempo pra você, organize os seus pensamentos e as coisas importantes, assim você começa a evitar de dar importância demais pras coisas pequenas. E nunca tenha medo de pedir ajuda <3

    21 de Abril de 2016 às 21:53
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    E o mesmo vale pra você, viu??? Sempre que precisar estou aqui! 😀

    21 de Abril de 2016 às 21:54
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ajudando alguém, vale tudo, até imprimir o post, hahahah <3

    21 de Abril de 2016 às 21:55
  • Responder Ruh Dias

    Receba um beijo estalado na bochecha e um abraço de urso <3
    Você foi corajosa neste texto, parabéns!

    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    26 de Abril de 2016 às 19:49
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Obrigada, Ruh! <3

    30 de Abril de 2016 às 18:04
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