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[BEDA] #23: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs.

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Imaginem a minha cara (completamente torta) quando eu decidi empilhar todos os livros meus (sem contar os do Euclides que eu pretendo ler) que eu ainda não havia lido, achando que isso ia me ajudar a decidir a próxima leitura. O resultado foi uma pilha assustadora de mais de vinte livros – e depois eu achei mais uns 5 que eu havia esquecido de empilhar.

Eu, que achei que isso ia facilitar minha vida, demorei quase uma semana para escolher um livro novo. Até sorteio eu fiz e, como sempre, ignorei o vencedor porque não era exatamente oooo livro que eu queria ler – apesar de eu não fazer ideia de qual livro eu queria ler. Acabei pedindo a ajuda de todo mundo, nos grupos do whatsapp, do Facebook, na página do blog (o que não resolveu também, porque rolou empate entre uns três títulos, mas obrigada quem deu pitaco ❤️).

No fim, não sei que luz me bateu que eu decidi ler O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, um livro que eu queria ler há tempos e que eu devorei em dois dias, coisa que eu não fazia há muito tempo e que me fez muito bem.

O livro – o primeiro de uma trilogia – é o queridinho de muita gente, e não sem motivo. A história é uma mistura de infanto-juvenil e dark fantasy, que consegue entreter e fugir dos clichês ao mesmo tempo.

Jacob é um adolescente que não acredita mais nos contos de fadas que seu avô contava. Pior ainda: ele acha que as histórias sobre as crianças peculiares, com poderes fantásticos, que moravam com ele no Orfanato sob os cuidados de um falcão, são apenas metáforas e fugas fantasiosas contra o horror da Segunda Guerra. Ainda que seu avô jamais tenha admitido as mentiras, é impossível ter dezesseis anos e acreditar em meninos invisíveis e meninas mais leves que o ar. Muito menos nos monstros medonhos e perigosos que ele dizia ter caçado durante toda a sua vida.

No entanto, o velho Abraham não se importa se Yacob acredita ou não em suas histórias. Ele nunca teve dúvidas de que os monstros estavam por aí, e que apenas ele poderia combate-los. Infelizmente, a idade avançada não faz nenhum favor ao velho soldado, e ele precisa admitir que a ajuda de seu neto lhe cairia muito bem. Isso, é claro, se Jacob não o tomasse por um senhorzinho bondoso e senil que seria deixado em um asilo muito em breve.

Eu não preciso dizer que tudo muda quando Jacob descobre, da pior forma possível, que os monstros são reais.

Gostei bastante de como a narrativa é realista e sensata ao abordar o trauma e as crises de ansiedade de Jacob depois de se deparar com uma criatura que poderia muito bem ter saído de um dos livros de H.P. Lovecraft, e de como a história não necessita de ex machinas para se desenvolver. Por mais difícil que fosse a investigação de Jacob sobre o passado de seu avô, e por mais longe que ele precisasse viajar para seguir as pistas encontradas, tudo acontece de forma linear e crível, o que deixa claro que Riggs foi atencioso com cada detalhe de sua história.

Toda a investigação feita por Jacob já é muito interessante antes mesmo de ele ter algum resultado, o que dirá quando ele finalmente conhece a Srta. Peregrine e suas crianças peculiares, escondidas do mundo e do passar do tempo, sempre às beiras da explosão de uma bomba que destruiria tudo durante a Segunda Guerra Mundial.

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Eventualmente, Jacob se vê obrigado a escolher entre a vida peculiar que seu avô abandonou e sua vida comum de adolescente rico. De um lado, sua família e a normalidade que ele tanto acreditava gostar; de outro, seus amigos, sua missão, um risco à sua vida e, talvez, à sua sanidade. O tipo de decisão que precisa ser tomada rápido quando a aventura vai muito além de você mesmo e coloca em risco o mundo inteiro.

Eu estou realmente empolgada para ler os dois próximos livros, principalmente porque o final do primeiro título foi, ao mesmo tempo, feliz e absolutamente catastrófico e, como todo bom primeiro episódio, terminou com milhões de perguntas e quase nenhuma resposta.

Gostei de como os personagens, por mais fantásticos e poderosos que possam ser, continuam equilibrados. Eu imagino o quão tentador não deve ter sido transformar as crianças em heróis e fazer com que elas resolvessem problemas aparentemente impossíveis. Riggs, no entanto, as manteve justamente como são: crianças. E crianças resolvem as coisas com planos criativos e mirabolantes que nem sempre irão dar certo, não importa se elas atiram bolas de fogo pelas mãos, ou se na verdade tem cento e doze anos.

Minha edição do livro é em português, e ainda que eu tenha achado a tradução boa, eu acredito que os tradutores talvez tenham pecado pela literalidade. Muitas frases ficaram um pouco truncadas em português por excesso de cuidado da tradução, que provavelmente não quis ir além do que estava escrito na versão original. Como boa brasileira que sou, eu diria que em alguns momentos faltou malemolência ao texto na hora da adaptação de gírias, ditados populares, etc, ficando fácil concluir o termo usado em inglês. Mas isso nem de longe dificulta ou tira a graça da leitura que, vocês bem sabem, é super fluída e agradável, além de pouco ou nada cansativa.

O livro é todo ilustrado por fotografias que, diz o autor, foram pouco ou nada alteradas digitalmente. São imagens, como vocês já imaginam, peculiares, que ilustram perfeitamente cada um dos personagens e contribuem muito positivamente para o clima da história, deixando tudo muito mais divertido e mais fácil de imaginar. Com certeza a história não teria o mesmo impacto se não viesse acompanhada por imagens tão curiosas, e não há como negar que as duas coisas se encaixaram perfeitamente.

Espero conseguir ler os outros cinco milhões de livros da minha pilha com a mesma vontade que devorei O Orfanato, porque aí vou poder ler os dois títulos seguintes muito em breve!

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Nome: O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Título Original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children
Autor: Ransom Riggs
Editora: LeYa
Idioma: Inglês
Tradução para o português: Edmundo Barreiro e Márcia Blasques
Ano: 2012
ISBN: 978-85-441-0284-8

Nota: 7,5/10

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2 Comentários

  • Responder Ruh Dias

    Olá moça,

    Me surpreendi com sua resenha sobre este livro. Desde que anunciaram que minha musa Eva Green estaria no filme dele, me interessei pela estória, mas todas as resenhas que li e todas as pessoas com quem conversei acharam o livro péssimo, e acabei desanimando. Mas como o nosso gosto bate, sua opinião está me fazendo repensar minha decisão de não lê-lo.

    Um beijo,
    Ruh Dias
    perplexidadesilencio.blogspot.com

    25 de agosto de 2016 às 00:52
    • Responder Marcela Fabreti

      Sério que as pessoas não gostaram? D: Que coisa, eu, por outro lado, só topei com gente doida alucinada mega fã da série. Inclusive, depois, se quiser, procura a resenha do Quase Mineira que eu acho que tem dos três livros por lá (num box maravilhoso que eu fico triste só de pensar). O que eu fiquei com o pé atrás mesmo é da adaptação do Tim Burton que, apesar de ser um dos meus heróis, sempre causa mais do que deveria nas adaptações. Tô co medo.

      22 de setembro de 2016 às 01:28

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