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Alan Wake (❤)

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Como é difícil fazer resenha de um negócio que a gente gostou muito!! Terminei o jogo Alan Wake há meses, e desde então venho tentando começar esse texto de todas as formas possíveis e imagináveis e sempre termino apagando tudo porque não ficou legal – e procrastino mais três dias.

Ok, se esse texto não for deletado completamente nas próximas horas, você já perceberam, pelo “spoiler” da primeira frase, que essa é uma resenha positiva. Muito positiva. Tão positiva que eu esfregaria esse jogo na minha cara, se pudesse.

Tudo começou beeeem lá atrás, quando o Euclides me apresentou uma banda incrível chamada Poets of the Fall, e de lá pra cá dificilmente passou um dia sem que eu tenha ouvido, cantado ou feito uma dancinha ridícula pra pelo menos uma música da banda. Ela passou por cima de todo mundo e foi direto pra minha lista de favoritas, sem qualquer previsão de sair de lá. Aí, ainda uns bons meses atrás, chega esse mesmo Euclides e me diz “a banda gravou a trilha sonora pra um videogame de suspense que tem um escritor como protagonista”.

Em uma palavra? QUERO. Aí eu fiz como qualquer outra pessoa e esperei a mega promoção de fim de ano da Steam pra comprar o jogo com um descontão, hehehe.

(Estamos indo bem até agora, ainda não deletei nenhum parágrafo inteiro).

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Eu posso ser muito suspeita pra falar, mas o jogo começa com um quote do Stephen King, o que já é um GRANDE potencial de “10 outta 10 best game evah”, vamos combinar (não sei vocês, mas eu leio isso com a voz do PewDiePie). A história bebe muito da fonte do King, e faz menção a vários outros grandes escritores que eu gosto muito. O protagonista, um escritor de suspenses policiais chamado Alan Wake vai para uma cidade afastada de tudo e de todos pra tirar umas merecidas férias com Alice, sua esposa, e tentar se recuperar de uma crise de criatividade.

Logo de cara eles conhecem Pat Maine (Maine? Stephen King? Não? Ok, desculpa), simpático velhinho que comanda a estação de rádio da cidade e tem um programa que dura quase toda a madrugada; e Rose, garçonete fofíssima da cafeteria local e fã alucinada dos livros de Alan. Até aqui, tudo indica que a pequena e animada Bright Falls é o melhor lugar do mundo para umas férias, e quando Alan descobre que a cabana alugada é uma construção ilhada no meio de um lago, tudo fica muito mais interessante…

… Até que Alice, que tem uma terrível fobia do escuro e acredita que a escuridão é uma entidade com vontade própria e objetivos terríveis, encontra-se sozinha na cabana sem luz enquanto Alan anda pelo terreno ao redor e, em pânico, aparentemente cai no lago, não sendo encontrada…

… Mas isso tudo foi um sonho, pois Alan acorda sozinho no carro destruído em um acidente, e não tem a menor ideia de onde sua esposa pode estar… Quer dizer, foi um sonho, não foi? Tem que ter sido um sonho, porque a cabana em Diver’s Isle foi destruída há muitos anos, e faz uma semana que Alan, teoricamente, chegou na cidade.

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Uma pergunta se enrosca na outra durante a maior parte do jogo, e você, assim como se estivesse lendo um livro de suspense, cria mil e uma teorias sobre o que realmente está acontecendo, e quando as respostas finalmente são descobertas, é como se uma luz muito brilhante simplesmente explodisse na sua cara e te sugasse pro meio dela. AH SIM, luz. Eu já disse que luz é a única coisa que pode derrotar os cidadãos possuídos por uma escuridão de vontade própria que estão perseguindo nosso pobre autor? Luz e uns bons três a cinco tiros de pistola, quer dizer. E é importante citar que o Alan é um péssimo protagonista de jogo de suspense/ação, porque ele é nosso autor-fanfarrão-sedentário de cada dia, o que significa que o fôlego dele é ainda pior que o meu. Então nem sempre correr pela floresta até o poste de luz mais próximo é uma coisa fácil.

Ao mesmo tempo, Alan é um excelente protagonista de jogo de suspense, porque as reações deles são EXATAMENTE as mesmas que as do jogador (o que, na maioria das vezes, significa reclamar de um jeito rabugento das coisas que obviamente só estão lá para te complicar a vida. A gente te entende, Alan), e por muito tempo você e ele vão fazer repetidamente a mesma pergunta: “QUEM, PELO AMOR DE DEUS, ESTÁ DEIXANDO MUNIÇÃO, ARMAS E FONTES DE LUZ PELO CAMINHO?”. Ninguém se perguntava isso em Mass Effect (❤️), por exemplo, e essa é uma boa pergunta. Pra essa pergunta ficar MELHOR, só se fosse “porque diabos ninguém deixa um lança-chamas pelo caminho?”.

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Falando em boas perguntas, eu já adianto uma coisa importante pra vocês: todas as perguntas têm respostas. BOAS respostas, e as que talvez não tenham respostas diretas vão te deixar repensando a história e morrendo de saudades do jogo pra sempre. Mas acreditem em mim: pra eu passar 16 horas jogando um jogo de suspense/terror e AÇÃO que envolve correr por sua vida e atirar em monstros, é porque a história é MUITO boa.

Outra coisa incrível desse jogo são os personagens. O Alan por si só é bem legal, mas o Barry, agente e melhor amigo dele, é tipo uma das melhores coisas desse jogo. O relacionamento deles dois é delicioso, a vontade é sentar num bar com eles e ficar ouvindo os dois conversarem. Sabe o alívio cômico na medida certa, sem ficar irritante e nem ridículo? É o Barry. É impossível não amar o Barry. Se você não gostou do Barry é porque tem escuridão demais no seu coração (ba dum tssssss). E os personagens tipo o Barry e a Xerife não são companheiros inúteis! Fala sério! Quão raro é isso num jogo? Você não precisa fazer tudo sozinho, porque eles vão lá e realmente matam os monstros junto com você!

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Outro personagem importante é Thomas Zane. Ele era um poeta e mergulhador por hobbie que morava na casa-ilha em Diver’s Isle (batizada assim por causa dele). Sua amante e musa havia se afogado, e pouco tempo depois a casa foi destruída pela atividade de um vulcão nem-tão adormecido no fundo do lago… E ninguém nunca mais ouviu falar de Zane ou de qualquer coisa que ele tenha escrito. Por mais famoso que ele fosse na época, encontrar qualquer trabalho dele é impossível. Pois bem, Zane acaba sendo um conselheiro precioso para Alan, porque ele talvez tenha sua parcela de responsabilidade pela escuridão que está dominando a cidade, distorcendo criações artísticas para seu próprio fim e condenando seus autores.

A própria cidade acaba sendo um personagem querido no jogo. Direto você encontra aparelhos de rádio e TVs por aí, que podem ser ligadas e realmente tem alguma coisa diferente e interessante passando – na TV geralmente são programas tipo Arquivo-X, e no rádio é sempre o queridinho do Pat Maine dando as notícias da cidade. E, nas cenas em que Alan vê a si mesmo em gravações, é o ator de corpo e voz que aparece nas filmagens. Rolou tanto carinho e dedicação pra fazer esse jogo que só de lembrar eu estou quase abraçando o computador.

… Perceberam que eu ainda não falei nada da trilha sonora? Pois é. Se eu cheguei por causa de Poets of the Fall, eu fiquei por causa de todos os detalhes incríveis que já tinham me conquistado antes de a banda chegar atropelando tudo e todos e deixando o jogo ainda melhor do que já era.

Dá pra começar dizendo que o jogo tem dois personagens: Tor e Odin, dois irmãos bem velhos que na juventude tinham a banda de rock Old Gods of Asgard e uma fazenda ao melhor estilo crazy Woodstock chamada Valhalla. E pra quem está se perguntando, SIM, Old Gods of Asgard é o nome pelo qual Poets of the Fall atende no jogo, E SIM, Old Gods of Asgard tem músicas próprias, diferentes das músicas da banda! E a parte do jogo em que toca Children of the Elder God foi sem a menor dúvida a melhor experiência em gameplay que eu já tive na vida – nível morrer de propósito pra jogar mais uma vez.

E, não sendo suficiente, Poets of the Fall também faz várias aparições com o próprio nome, inclusive sendo a banda convidada de um programa de auditório em que Alan foi entrevistado (o Alan-jogo assistindo o Alan-ator na TV. Se isso não for animal então eu não sei o que é), e o videoclipe de War, uma das músicas que toca no jogo (e que eu adoro), foi feito sobre Alan Wake e com os atores do jogo!

Francamente, O QUE TEM AQUI PRA NÃO AMAR???

Mesmo que você seja tão apatetado pra video-games que nem eu, JOGUE O JOGO. Pode ser difícil no começo e pode ter algumas partes realmente frustrantes, mas é uma alegria imensa você estar no meio pro fim, matando monstro até de olhos fechados e se lembrar que lá atrás você não sabia nem que botão do controle fazia o quê.

O final do jogo é BOM (e, se não fosse mais velho que O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman, eu juraria que era uma menção/homenagem à história), dá pra viver com ele… Mas aí entram 2 DLCs (que já vem no pacote se você comprar o jogo pra PC) que deixam a história ainda mais elaborada, acabam com t o d a s as pontas soltas E dão cliffhanger para uma continuação!

Alan Wake 2 é um vai-vém infernal que uma hora é confirmado e uma hora é cancelado, mas a empresa responsável prometeu de pé junto e com dedinho que ainda vai rolar. É verdade? Não sei. Mas, se for, vocês já sabem de quem é a casa que vai soltar fogos de artifício quando isso acontecer. Vamos lá, Remedy, eu confio em vocês!

Gente, sério, joguem o jogo, explorem tudo o que tem pra explorar no cenário, conversem com todos os personagens, aproveitem a experiência ao máximo! Pessoalmente, juro que a minha vontade assim que terminei o segundo DLC foi começar tudo de novo do zero. Até hoje essa vontade ainda não passou, e escrever essa resenha só fez o feeling pelo jogo voltar ainda mais forte. Não se iludam, esse post não contou nem metade das coisas incríveis do jogo, que com certeza virou um dos meus favoritos da vida. Agora vão lá e joguem!!

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2 Comentários

  • Responder Felipe Lomboni

    Post muito bem escrito. Joguei Alan Wake há uns três anos e sempre tive vontade de jogá-lo, desde o início, prestando atenção em cada detalhe. AlanW é um daqueles games me que bate uma saudade enorme de vários momentos vividos no game. Lembro de ter encerrado ele em uma tarde chuvosa e fria de agosto. Fiquei com a sensação de ter me despedido de um amigo muito querido. Muito bom ler o seu post pra lembrar de tudo isso. Acho que vou jogá-lo novamente.

    19 de Janeiro de 2016 às 21:57
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Obrigada, Felipe! 🙂 E jogue de novo sim, hahaha, eu também terminei o jogo já morrendo de saudade, é uma sensação incrível.

    22 de Janeiro de 2016 às 14:08
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