Acompanhe:
Filmes Geek Quadrinhos

A Piada Mortal: O Filme

Reprodução

Reprodução

Definitivamente, estamos na época do ano com maior número de surtos psicóticos entre a comunidade geek. Por causa da San Diego Comic-Con, o número de trailers, lançamentos, spoilers, notícias, tudo relacionado aos quadrinhos, games e filmes que nós mal conseguimos nos segurar de vontade de ver aumentou descontroladamente (e, pra nós aqui no Brasil, aumentou também a vontade de pegar o próximo voo ou se jogar da janela mais próxima).

2016 já está sendo um ano extremamente favorável para os fãs de histórias de heróis, e eu consigo imaginar poucas notícias tão boas para os geeks mais nostálgicos quanto esta: A Piada Mortal, uma das HQs mais clássicas de Batman, e a mais icônica de todas sobre o Coringa, seria adaptada em uma animação de longa-metragem. Não vou mentir pra vocês, eu surtei quando vi o trailer pela primeira vez – isso porque todas as cenas exibidas nele estavam na obra original, e todo mundo ficou com a impressão de que a adaptação seria simplesmente perfeita.

Mas as coisas não são assim tão simples, não é mesmo?

A equipe contava com Brian Azzarello, o cara por trás da versão mais recente da Mulher Maravilha nos quadrinhos e da HQ de volume único Coringa, lançada em 2008. E eles tinham um problema bastante grande, que alguns fãs (tipo eu) escolheram ignorar e simplesmente rezar pra dar tudo certo: a Piada Mortal é uma HQ miseravelmente curta, e seria praticamente impossível ocupar uma hora e pouco de animação só com o que o quadrinho fornecia. Seria necessário sair da caixa e inventar mais coisa, e o que essa adorável equipe decidiu inventar foi, no mínimo, interessante…

Brincadeira, foi uma catástrofe completa.

A bomba foi jogada no colo dos fãs sem qualquer cerimônia, e foi algo tão absurdo que não dava nem para ser interpretado como spoiler (eu, honestamente, interpreto só como uma tremenda falta de respeito). Brian disse que queria dar poder à Batgirl, queria que ela ficasse no centro do palco por mais tempo, e que passasse a impressão de estar no comando o tempo todo, tendo mais controle da situação do que os homens ao seu redor, e estando sempre com as rédeas da própria vida bem firme nas mãos.

E como vamos fazer isso, Brian? Como vamos tornar a Batgirl poderosa?
Ora, é muito simples, vamos colocá-la em um relacionamento com o Batman.

Sim, meus amigos, é isso mesmo que vocês leram. Tudo bem se vocês não quiserem acreditar em mim. Podem chorar abraçados aos seus exemplares de A Piada Mortal, porque foi isso o que eu fiz quando recebi essa bomba bem no meio da minha cara.

Eu, que já estava há semanas com os ingressos da estreia mundial comprados, tive a maior vontade do mundo de pedir o dinheiro de volta. Mas tudo bem, Marcela, respira fundo, você vai sobreviver. A estreia em questão foi ontem à noite, única data em que a animação seria exibida pela rede Cinemark – depois disso, só em meados de agosto, quando ela será comercializada em DVD.

(Maaaas – e vocês não souberam disso por aqui – já tem pra baixar nos torrents da vida, então aproveitem a chance).

É nisso o que se resume a primeira metade da animação: Barbara, a Batgirl, está apaixonadinha pelo Batman. É, isso aí. Pelo mesmo Batman que sempre foi seu amigo/mentor/protetor/professor/treinador/parceirão do pai dela, TUDO MENOS INTERESSE ROMÂNTICO. O feeling aqui é bem o da menininha que dá em cima do tiozão de meia idade, principalmente porque a Barbara, a mesma que lá em cima seria retratada como poderosa e segura de si, é simplesmente chata.

Ao perceber que o vilãozinho narcisista do primeiro arco do filme estava meio que obcecado por ela, ela faz joguinhos, diz que o acha “fofo”, quase como se estivesse tentando deixar o herói com ciúmes. Desnecessário dizer que ela é totalmente feita de gato e sapato pelo cara, que sempre consegue que ela esteja no lugar que ele quer, na hora que ele quer. Quando é confrontada sobre o seu comportamento, ela passa a fazer birra, pirraça, fica absolutamente revoltada quando Batman diz que quer ela fora do caso.

De novo, eu nem preciso dizer que ela não escuta uma palavra do que ele diz, e continua se enfiando nos lugares errados. Quando ela finalmente põe as mãos no pequeno mafioso, ela fica absolutamente descontrolada e come o cara de pancada. Aqui rola uma piadinha bem infeliz sobre ela estar na TPM e, falando muito sério? Ela realmente parecia estar na TPM o tempo todo.

Reprodução

Reprodução

Toda a trama é tão sem sentido, tão mal elaborada, tão fora de propósito e o desenvolvimento dos personagens, principalmente da Barbara, é tão vazio que a impressão que dá é que ela realmente está agindo sem pensar, porque tudo o que ela queria era chorar, se entupir de chocolate, gritar até ficar rouca e transar com alguém.

Se meu útero me ensinou alguma coisa, é como reconhecer gente que fica tão fodida na TPM quanto eu.

Nem preciso falar que todo o “relacionamento” dela com o Batman também acontece do nada e vai para lugar nenhum… E que ela tem pelo menos mais uns três surtos depois que eles realmente transam, com direito à conversas gritadas no telefone, DR’s e desabafos enigmáticos com o amigo gay. Não tive contato com a versão do Azzarello da Mulher Maravilha, mas a reprodução dele da Arlequina em Coringa como praticamente uma prostituta viciada em drogas me faz pensar se esse cara tem alguma ideia de como desenvolver personagens femininas ou do que dar “força” à uma heroína significa.

Em compensação, quando o comportamento histérico de Barbara sai de cena e começamos a pisar em terreno conhecido – em outras palavras, quando a equipe para de inventar e se propõe a adaptar a obra original – aí o trabalho se torna absolutamente impecável.

Reprodução

Reprodução

Reprodução

Reprodução

Eu cheguei tão puta do cinema que li o quadrinho de novo, para ter certeza que não criticaria o filme mais do que o estritamente necessário, então é com muita segurança que eu digo que a parte da animação que é realmente A Piada Mortal é perfeita. Podemos interpretar a primeira meia hora como um filler, como um curta desconectado do resto da história ou podemos simplesmente esquecer que ele existiu, porque o resto é incrível. Todas, é sério, TODAS as falas foram reproduzidas fielmente. Detalhezinhos estúpidos que só quem leu a HQ trilhões de vezes ia perceber foram mantidos (os números das celas em Arkham, por exemplo). A icônica apresentação musical do Coringa foi feita exatamente da mesma forma que no quadrinho, e a sua origem também foi mantida sem qualquer alteração.

Lógico que existem cenas extras, coisinhas novas, algumas alterações simples, mas absolutamente nada que mudasse ou comprometesse qualquer coisa. Imagino que essas mínimas alterações tenham acontecido mais por estilo ou por capricho do que qualquer outra coisa, e elas honestamente não machucaram ninguém (quer dizer, eu acho que um dos anões do Coringa meio que morreu em uma das cenas, mas…).

Uma dessas mínimas alterações ocorreu para anular a principal especulação do quadrinho: Bruce Timm, produtor da animação, já deixou bem claro que nesta adaptação o Coringa não, nunca, de jeito nenhum estuprou Barbara – o que resultou apenas em um diálogo um pouco menos floreado entre Batman e o oficial de polícia no hospital, algumas frases a menos, sempre as mesmas palavras.

A segunda metade da animação ficou tão boa, tão “tudo o que os fãs estavam esperando”, tão sem tirar e nem por que eu acho que ninguém teria reclamado se a animação tivesse só pouco mais de meia hora – mas tudo bem, longe de mim querer boicotar a fanfic alheia. O que importa aqui é que a equipe realmente merece aplausos.

Eu não sei se o Cinemark ou o Omelete prepararam qualquer coisa especial em algum dos cinemas que exibiu o filme, mas lá no Patio Higienópolis não tinha nem propaganda, nem um mísero pôsterzinho. Não sou muito fã da rede, mas já fica aqui anotado como uma gigantesca oportunidade perdida.

No fim das contas, valeu a pena? Olha, eu não me arrependo de ter visto, mas também não digo que a obra como um todo valeu o ingresso (inclusive, que ingresso caro!). Foi uma experiência metade revoltante e metade absolutamente sensacional, o que, no fim… Eu acho que termina só como algo bem bacana. Mas eu definitivamente assistiria de novo, a partir dos 36 minutos, hehehe.

Reprodução

Reprodução

Compartilhe:
Comente:
Post Anterior Próximo Post

Você também pode gostar de:

7 Comentários

  • Responder Victória Cardoso Ferreira

    Eu gostei muito de ler a HQ da Piada Mortal, mas já fiquei com o pé atrás quando soube da animação porque a história é realmente densa e os quadrinhos têm poucas páginas. Quando soube da Batgirl e do Batman fiquei ??????????????????????? porque não faz sentido nenhum, e mesmo não tendo visto, assino embaixo de todas as suas críticas. Pena essa péssima representação da Bárbara =(

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    28 de julho de 2016 às 14:18
  • Responder Juliana C

    Eu ainda não li essa HQ mas já tô há um bom tempo querendo ler.
    Não sou exatamente fã do Batman, mas gosto das histórias e todo mundo fala tanto dessa que acho que deve ser muito boa!
    Mas acho que depois do que li aqui sobre a animação, talvez eu fique só na HQ mesmo.
    Acho que a ideia de mulher forte foi totalmente distorcida mesmo, uma pena.

    31 de julho de 2016 às 16:23
  • Responder Victoria Dantas

    Preciso urgentemente criar vergonha na cara e começar a ler HQ's, sempre vejo as pessoas falando bem sobre o Batman, Coringa e talz mais nunca consigo tirar um tempinho pra me jogar a assistir e ler tudo sobre essa obra que quase todo mundo ama. Mesmo eu sem ter conhecimento algum sobre a trama essa sua resenha me fez querer conhecer não só o longa mais todas as histórias com esses personagens. Beijos <3

    31 de julho de 2016 às 16:23
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ai, Vic, foi sofrível viu? 🙁 Eu super enalteço todo o resto da animação, mas esse começo DÓI. E confesso que isso me deixou com birra GRANDE do Azzarello 🙁 🙁

    2 de agosto de 2016 às 02:54
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Fica por aqui então, que logo menos vai ter post de resenha da HQ de A Piada Mortal e da HQ Coringa!
    E, se quiser uma recomendação, coloquei a HQ Asilo Arkham na sua listinha também! <3

    2 de agosto de 2016 às 02:55
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Eu nunca fui boa pra acompanhar HQs que não sejam volume único, então só tenho experiência com os quadrinhos nesse estilo, tipo Coringa, A Piada Mortal e Asilo Arkham – e essas duas últimas são clássicas! O legal é que, por serem volumes únicos, elas não são focadas no Batman e não são aventuras ordinárias, então é certeza que vai ter alguma mensagem incrível nelas 😀
    E é, realmente não foi dessa vez que rolou uma heroína de verdade na história, bem pelo contrário 🙁

    2 de agosto de 2016 às 02:58
  • Responder Clayci

    Eu tb, achei os primeiros minutos completamente desnecessário.. A relação entre eles ficou forçada.. apesar dos pesares até que seguiram fielmente os quadrinhos, tirando o final que né?
    enfim

    http://www.saidaminhalente.com

    3 de agosto de 2016 às 21:10
  • Deixe uma Resposta