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Pessoal

Tudo sobre Evey Vader em: A Conquista do Gatinho!

2016-05-18

Eu amo todo o tipo de bicho. Aos vinte e dois anos eu ainda tenho o mesmo plano que tinha aos oito, de ter uma fazenda gigantesca com todos os bichos de rua do mundo. Mas, quem me conhece sabe que a minha pira mesmo são os felinos: eu nasci e vou morrer a completa louca dos gatos, e não há nada que alguém possa fazer a respeito.

Passei toda a minha infância em São Roque brincando com os gatos de rua (que não eram poucos). Frequentemente mudava meu caminho e me enfiava nuns lugares loucos porque fui atrás de um gato – tipo Alice sem a parte do coelho branco. Nunca tive o menor medo de ser mordida ou arranhada e das consequências (que eu nunca sofri, inclusive, acho que Deus realmente protege as crianças e os tolos). Também sempre tive gatos de estimação e adorava brincadeiras ogras, então eu vivia coberta de mordidas e arranhados. Agora, morando em São Paulo, encontrar um gato de rua é muito mais difícil nos meus trajetos, e eu estava preparada para deixar a minha fase de correr atrás de animal sem dono para trás… SÓ QUE NÃO.

Evey na gatoeira, quando foi capturada (esquerda) e ela no terceiro dia com a gente (direita).

Evey na gatoeira, quando foi capturada (esquerda) e ela no terceiro dia com a gente (direita).

Eu sempre passo por um estacionamento no meu trajeto casa – ponto de ônibus pra ir trabalhar ou então casa – faculdade e a volta, e existem dois carros abandonados nesse lugar. Uma noite, no meu caminho para a faculdade, descobri duas meninas agachadas no concreto entre esses carros, procurando alguma coisa por baixo deles. Fiquei lá tempo o suficiente para ver um gatinho preto disparando por entre as minhas pernas e atravessando a rua, escondendo-se sabe-se lá aonde, com as meninas correndo loucamente atrás. Pois bem, quem cresceu correndo atrás de bicho sabe: uma vez que o gato vai pra lugar aberto, não tem quem pegue. Só o que eu pude fazer foi dar de ombros e torcer para que ele fosse capturado. Desde esse dia, eu dava uma olhada mais atenciosa no estacionamento quando passava por lá, mas nunca via e nem ouvia nada.

Passou quase um mês, São Paulo entrou naquela frente fria deliciosa e terrível e, em uma das primeiras manhãs de sol depois de noites à 12ºC ou menos, lá estava ele: todo encolhido na frente dos carros, se esquentando como podia, miando pra deixar todo mundo saber que ele estava ali. Não tive dúvidas: desci do salto, larguei a bolsa no chão, me enfiei por entre as barras do estacionamento e ajoelhei no cimento, tentando chamá-lo com aquele psst psst psst clássico que todo mundo sabe que não funciona mas tenta assim mesmo. Depois de ser completamente ignorada, abri a marmita do almoço e despejei metade do frango no chão, e aí o bichinho praticamente se materializou do meu lado. Morto de fome, mas com mais medo ainda, ele abocanhava o tanto que podia e voava de novo pra de baixo dos carros, e não havia viva alma que conseguisse tirá-lo de lá. Admiti a derrota, sacudi a poeira, calcei os sapatos e fui trabalhar. Desnecessário dizer que passei o dia inteiro com o gato na cabeça e, quando contei a aventura pro Euclides, ele aceitou o desafio na mesma hora (eu sempre soube que tinha um louco dos gatos escondido ali em algum lugar).

evey-2

Naquela noite, antes da aula, voltamos pro estacionamento munidos de muita paciência e frango quentinho. Tentamos por quase uma hora (hora que eu passei deitada no concreto imundo tentando me enfiar por baixo dos carros, como se isso fosse possível), sem conseguir nada além de um gatinho assustado e satisfeito. Passamos em duas pet shops próximas procurando conselhos, e a atendente de uma delas disse ter contato com uma ONG que podia emprestar uma gatoeira pra gente, mas que aquela noite teria que continuar no improviso. Encontramos uma amiga que topou nos ajudar, fomos pra casa e voltamos com mais frango, um balde pra fazer as vezes de armadilha e uma toalha molhada pra jogar em cima caso ele tentasse fugir (dica da petshop). Ao fim de mais de uma hora, só o que tínhamos era um gato tão de barriguinha cheia que ele se enfiou no ninho de folhas que tinha feito embaixo de um dos carros e dormiu, e nós três sujos e com roxos nas pernas de ficarmos agachados por aí. Também acabamos fazendo vários amigos da região, porque, ao que parecia, muita gente deixava comida e tentava pegar o gatinho, igualmente sem sucesso.

Evey no quinto dia aqui em casa.

Evey no quinto dia aqui em casa.

Eu dormi com o coração na mão. Não tinha esperanças de que A Conquista do Gatinho (hashtag que eu usei para contar a história no Twitter) fosse rápida, mas estava disposta a tentar todos os dias até conseguir. No entanto, imaginem a minha surpresa quando, na tarde seguinte, voltando do trabalho pra casa, recebi uma mensagem do Euclides dizendo que ele e a menina do petshop, munidos da famigerada gatoeira e de uma quantidade absurda de sardinha, conseguiram pegar o gato! Se vocês não conseguirem imaginar, eu descrevo: eu parei no meio da rua e comecei a chorar, pra depois sair correndo pra petshop como se a minha vida dependesse disso, sorrindo de forma tão maníaca que minhas bochechas adormeceram.

Dentro da gaiola, o gatinho estava furioso, assustadíssimo e a tigela, antes cheia até a boca, agora estava vazia. E eu fiquei lá, toda boba, olhando para aquela bolinha de pelo preto e olhos amarelos gigantescos que miava freneticamente, com a coitada da Thalita, a menina do petshop, tentando me convencer de que eu podia sentar e largar a bolsa em algum lugar, que o gato não ia escapar da gaiola.

O Euclides ficou por volta de duas horas com a armadilha posicionada e o pote de comida dentro, e o gatinho era tão ligeiro que tentava pegar a comida por fora das grades. Ele só conseguiu mesmo quando a Ana, uma das meninas que deixava comida e água pro gato, parou para ajudar e teve a ideia brilhante de fazer uma trilha de ração até a gatoeira. No entanto, tudo aquilo teria sido muito mais rápido se não fosse por gente inconveniente que parava pra olhar e, entendendo a situação, começava a dar escândalo com OH MEU DEUS GATINHO QUE BONITINHO GATINHO VEM AQUI VEM PSST PSST PSST GATINHO, levando tudo por água abaixo e assustando o coitadinho ainda mais. Por sorte, ninguém foi agredido durante A Conquista do Gatinho – mas só porque eu não estava lá.

O veterinário chegou pouco tempo depois. A ideia era vacinar e fazer todos os exames possíveis na hora, mas nós, além de descobrirmos que na verdade era uma gatinha, descobrimos também que ela estava com uma infecção nos dois ouvidos, que só depois nós descobrimos o quão séria era. Assim que a pegamos no colo ela começou a ronronar tão alto, mas tão alto que dava pra ouvir do lado de fora da sala – e o veterinário disse que ela provavelmente nunca havia recebido carinho na vida (chorei de novo). Ela não reclamou ao tomar as injeções de antibiótico e anti-inflamatório, e me deixou aplicar remédio nos ouvidos dela tranquilamente. Compramos tudo o que ela precisaria e fomos pra casa com ela na gaiola.

Essa foto foi tirada dia 15, quando ela começou a subir no sofá e na cama pra ficar do nosso lado. O. Tempo. Todo.

Essa foto foi tirada dia 15, quando ela começou a subir no sofá e na cama pra ficar do nosso lado. O. Tempo. Todo.

Os primeiros dias de adaptação foram tensos pra todo mundo, principalmente para ela. Ela, que nós batizamos de Evey (Evey Vader, já que ela foi resgatada em May the 4th), passou os dois primeiros dias escondida em cantinhos da casa. No começo nós usávamos luvas de couro para arrastá-la pra fora dos esconderijos, mas paramos quando percebemos que ela é a gatinha mais mansa do mundo, e nunca tentou atacar nenhum de nós. A infecção estava tão séria que ela não movimentava as orelhas ou a cabeça, e isso, além de provavelmente doer MUITO, atrapalhava todo o seu balanço. Nós ainda passamos remédio todos os dias, e ela já movimenta as orelhas, balança a cabeça e se coça (nem se coçar ela fazia antes).

No começo a Evey simplesmente não sabia o que significa brincar. Ela tinha medo dos brinquedos, e olhava feio para as bolinhas de papel porque elas não eram de comer. Ela também estava tão acostumada a passar fome que se forçava a comer tudo o que nós colocávamos no pote na mesma hora.

A evolução diária dela é impressionante. A gente brinca que ela finalmente é um gato de verdade, que senta no meu computador e desconfigura o teclado inteiro, que dorme na cama com a gente e que corre atrás do pontinho vermelho do laser. Eu também evoluí, e parei de chorar por qualquer coisinha que ela faça, hehe.

O pelo dela, que antes caía aos tufos, agora está brilhante e macio, e ela continua sendo um terremoto em forma de gato quando ronrona. Inclusive, foi assim que nós a encontramos quando acordamos um dia e ela havia simplesmente desaparecido: ela tinha se enfiado por dentro do estofamento do sofá, e a almofada em que eu estava sentada estava VIBRANDO com o ronronar dela.

Nós corremos muito para deixar a casa pet-friendly rápido, e a primeira coisa que fizemos foi instalar as redes de proteção nas janelas, e ela ama ficar encostada nelas sentido a brisa (pelo amor de deus, se você tem um gato num apartamento, COLOQUE essas redes de proteção, eles são loucos por ficar deitados no parapeito e, se não tiver a proteção, eles vão cair). Outro lado positivo da rede é que ela protege os amigos bêbados também, hehe.

A Evey também é muito mais nova do que o veterinário suspeitou, eu dou no máximo quatro meses pra ela, já chutando um pouquinho alto.

Ame seus gatos e proteja suas janelas. Essa foto foi tirada agora há pouco e está no Instagram.

Ame seus gatos e proteja suas janelas. Essa foto foi tirada agora há pouco e está no Instagram.

Ontem teve uma tempestade terrível aqui em São Paulo, de derrubar árvore e matar gente. Caiu uma árvore em cima do estacionamento onde ela foi abandonada, e os carros onde ela vivia ficaram completamente alagados. Dessa vez foi BEM difícil de segurar o choro, rs. Ainda não consigo evitar de pensar que ela morava por ali, e fico pensando em todos os gatinhos abandonados que precisam se virar num clima desses. Adotar um gatinho é a porta de entrada para querer adotar outros 30, então prossiga com cautela (ou não).

Quando eu paro pra pensar, é lógico que não estava nos meus planos adotar, muito menos resgatar um gato antes de terminar a faculdade, mas eu nunca duvidei de que eu e o Euclides tomamos a decisão certa – não, nós tomamos a única decisão que poderia ser tomada, e a Evey só tem trazido alegria pros nossos dias. Acho que eu já não consigo imaginar a vida sem ela, e obviamente adotar mais um gato já está nos planos – embora, talvez, dessa vez a gente espere até a formatura, hahaha.

Ela obviamente me ~ajudou~ a escrever o post, mordendo a tela do notebook e tentando pegar minhas mãos enquanto eu escrevia. Eu posto coisa dela no Twitter, no Instagram e no Snapchat todos os dias, e em todas as redes você me encontra por marcelafabreti, caso você queira acompanhar a evolução dela em tempo real e se apaixonar tanto quanto eu me apaixonei. Digam oi pra Evey! 😉

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14 Comentários

  • Responder A Bela, não a Fera

    Gatinha capirota que tá ganhando meu coração com a cara de brava <3
    Confesso que também sempre quis ter uma fazenda cheia de bichinhos. Quem sabe não montamos um resort juntas?! HSIUAHSUIHAUISHD
    | A Bela, não a Fera || Montando uma barraca iglu|| FB Page A Bela, não a Fera|

    18 de maio de 2016 às 15:30
  • Responder Luddie Miller

    Caramba, que rolê pra pegar a gatinha! hahah Mas que bom que agora ela tá com você bem cuidada e feliz. 😀
    Ela me o meu gatinho, Salem. Ele também é pretinho dos olhos amarelos. ^^
    Beijoos

    http://luddzilla.com

    20 de maio de 2016 às 00:51
  • Responder Mari

    Amei a história e fiquei mais do que aliviada com o final feliz dela. Também tenho uma gata preta, a Anastácia, que também foi resgatada, mas nem de longe a aventura que foi você com a Evey Vader. Ela conseguiu uma mãe dedicada!
    Beijos
    Mari
    http://www.pequenosretalhos.com

    23 de maio de 2016 às 02:13
  • Responder Lari Reis

    Preciso dizer que: chorei.
    Nossa, que história mais bonita, Marcela! Que alegria saber que a Evey conseguiu tocar o coração de tanta gente, doida pra fazer um carinho e dar um lar pra ela. Que vocês sejam muito, muito felizes.

    Um beijo,

    Yellow Ever Shine

    23 de maio de 2016 às 02:13
  • Responder Juliara Vasconcelos

    Mano, que história fofa! A Evey é linda! Fico muito feliz por ela ter encontrado tanto amor na sua casa. Eu também gostaria que todos os bichinhos de rua pudessem ter essa oportunidade. Que venham mais gatinhos!
    Zona de Conspiração | Fanpage

    23 de maio de 2016 às 02:13
  • Responder Carla Bianca

    Gentee quanta emoção nesse post!
    Eu sou a louca dos gatos também e acho que Deus me protege ate hoje, pq quando eu vejo um na rua já corro para dar pelo menos um carinho. rsrs
    Que maravilha esse desfecho ter sido assim tão bom para essa bb <3 Muito boa sua atitude.
    Eu tenho muita saudade do meu.
    Atualmente n posso adotar por não morar em minha casa :(.
    Ser mãe de gato é muito bom ^^
    Beeeijos

    meroodetalhe.blogspot.com.br

    26 de maio de 2016 às 01:15
  • Responder Juliana C

    Fiquei emocionada lendo A Conquista do Gatinho ;-;
    Que coisa mais linda que vocês fizeram por ela, esse post tá transbordando amor <3
    E que a Evey traga ainda mais felicidade para vocês e vocês para ela!

    Beijoos!

    26 de maio de 2016 às 20:41
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Tipo aquela fazenda do final do filme do 101 Dálmatas!! HAHAHAHAHA Eu super aceito!

    27 de maio de 2016 às 03:37
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Salem, que nome lindo <3 Foi uma aventura!! hahaha

    27 de maio de 2016 às 03:45
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Que venham muito mais, que venham todos os bichinhos de rua do mundo!

    27 de maio de 2016 às 03:47
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Muito obrigada, Lari! 😀 A Evey só tem trazido alegria pra gente, cada dia mais! Já não consigo imaginar a casa sem ela.

    27 de maio de 2016 às 03:51
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Foi uma aventura mesmo, né? hahaha Mas dar um lar para um bichinho resgatado é algo maravilhoso independentemente de como aconteça!

    27 de maio de 2016 às 03:53
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Eu morria de falta de ter um bichinho pra amar na época em que morava em república. Descontava tudo no cachorro da minha sogra, hahaha. Realmente ser mãe de gato é a melhor coisa <3

    27 de maio de 2016 às 03:57
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ultimamente aqui em casa tá tudo transbordando amor e pelo de gato. Não me arrependo de nada. HAHAHAHA.

    27 de maio de 2016 às 03:58
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