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Studio Ghibli 2 em 1: As Memórias de Marnie e O Conto da Princesa Kaguya

Eu cresci assistindo A Viagem de Chihiro repetidas vezes. Ainda lembro a primeira vez em que peguei o VHS numa locadora perto de casa e da impressão que eu tive quando comecei a assistir. Eu sentia que estava com algo extremamente precioso nas mãos, e que não veria nada parecido assim tão cedo.

Conforme os anos passaram e eu tive acesso à mais trabalhos do estúdio e, sobretudo, do Miyasaki, minha adoração por eles só aumentava. Eu fiquei realmente preocupada com a notícia de que ele estava se aposentando (apesar de não acreditar que ele vai conseguir ficar quieto por muito tempo), de forma que assisti aos últimos trabalhos do estúdio – já sem a participação dele – com aquela ansiedade meio preocupada. Imaginem a minha alegria quando eu comprovei que o Studio Ghibli ainda está com tudo e ainda sabe muito bem o que faz, mesmo sem a participação desse velhinho querido!

Dá pra sentir a diferença, o “antes e depois”. Não senti que o Studio tenta fazer parecer que o Miyasaki ainda está lá ou que nada mudou. Na verdade, senti que eles estão explorando novos territórios, novos estilos de histórias e personagens. As mulheres ainda são protagonistas, isso não mudou, elas continuam fortes, queridas e super fáceis de se relacionar, mas o jeito de contar a história está sensivelmente diferente.

As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie):

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As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie) tem uma proposta bastante diferente. Na verdade, é até engraçado dizer que, apesar de eu não ter procurado absolutamente nada sobre o livro que inspirou a animação, tenho certeza de que é um romance espírita. Desses que a gente vê na livraria e torce o nariz, mas sempre tem aquela parente que adora e vive tentando te convencer a ler? Pois bem, eu juro que leria esse!

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O filme conta a história de Anna, uma menina de 12 anos extremamente tímida e desenhista muito talentosa, que vai passar uma temporada na casa de seus tios, no interior, para tratar da asma. Ela encontra uma mansão abandonada na pequena cidade, na beira do mar, pela qual sente-se imediatamente atraída. Ela passa a sonhar com a mansão e com uma menina de cabelos louros e olhos azuis. Qual não é a sua surpresa quando ela descobre que a mansão, que lhe é estranhamente familiar, é habitada por Marnie, a garota de seus sonhos, de quem ela, apesar da dificuldade em relacionar-se, torna-se amiga imediatamente.

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Marnie lhe conta histórias, brinca com ela e as duas se amam profundamente como se se conhecessem desde o nascimento. Ela parece morar na mansão sozinha, com a companhia apenas de três criadas bastante desagradáveis, até que ela convida Anna para uma festa que seus pais darão na mansão, que agora parece habitada e muito bem cuidada. Na festa, disfarçada como uma vendedora de flores, Anna avista Kazuhiko, um querido amigo de Marnie. Estranhamente, no dia seguinte, a mansão volta a parecer vazia e abandonada.

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O filme talvez seja um pouco mais longo do que precisaria para passar a mensagem. No decorrer da história você quase rói as unhas tentando entender quem é Marnie, ou até mesmo se ela é real ou apenas uma fantasia criada por Anna, ou por que diabos Marnie a chama por Kazuhiko tantas vezes, como se não lembrasse quem ela é. Todas essas perguntas são respondidas no decorrer da história, e dificilmente será o que você imaginava. Os cenários têm aquela beleza, cor e profundidade de tirar o fôlego, como se tivessem colocado a aquarela diretamente na animação. A quem interessar possa: eu chorei que nem uma coitada no final, quando todas as perguntas foram respondidas. Estava comendo um hambúrguer, tomando um milkshake e chorando que nem louca às 4h da madrugada. Valeu totalmente a pena.

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O Conto da Princesa Kaguya (Kaguya-Hime no Monogatari):

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O Conto da Princesa Kaguya (Kaguya-Hime no Monogatari) foi produzido antes de As Memórias de Marnie, em 2013, e foi exibido recentemente (e por curto período de tempo, hunf) em alguns cinemas brasileiros. Acredito que seja o projeto mais diferente e ousado do estúdio até agora. A animação é toda inspirada naquelas ilustrações japonesas clássicas, e algumas cenas são de cair o queixo de tão bonitas – até pros padrões da Ghibli.

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A animação é inspirada no folclórico “Conto do Cortador de Bambu”, e conta a história de um cortador de bambu, em idade avançada e sem filhos, que encontra um curioso pedaço de bambu brilhante, que cresce, floresce e revela uma minúscula princesa, inacreditavelmente bonita e bem vestida. O velho, acreditando tratar-se de um presente dos céus, leva a princesinha para casa, onde ela desperta e assume a forma de um bebê humano.

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Toda a narração é inteiramente folclórica, a magia é inexplicável e conveniente (vide a velha esposa do cortador de bambu, que começou a lactar no momento em que o bebê começou a chorar de fome). O bebê, chamada de Princesa pelo cortador de bambu, cresce, literalmente, rápido como bambu, e em pouco tempo já é capaz de correr e brincar com os meninos da vila, e cantar com eles uma estranha música que ela simplesmente nasceu sabendo.

Conforme a menina cresce, o velho encontra mais duas vezes o pedaço brilhante de bambu: da primeira vez, cada corte do bambu faz cair mais e mais pepitas de ouro, que o homem guarda em um jarro; na terceira vez, do bambu explodem as mais diversas e coloridas sedas – uma mensagem dos céus de que a princesa deve viver e se vestir como tal. Assim sendo, o homem usa do ouro que encontrou para comprar um palácio na capital, e leva a menina para longe do interior e de seus amigos.

princesa kaguya

Em sua nova casa, a menina, formalmente batizada Kaguya, é treinada diariamente para aprender a comportar-se como uma princesa de verdade. Sua beleza inimaginável atrai a curiosidade de vários nobres do Japão, que a cortejam comparando-a com criaturas fantásticas e tesouros incalculáveis. Para não precisar escolher um marido, Kaguya pede que todos eles lhes tragam os tesouros com os quais a compararam, para que assim ela saiba para qual deles ela é a mais preciosa.

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A pressão para casar-se com um homem que não ama, a saudades de casa, de seus amigos e de Sutemaru, o garoto por quem se apaixonara na juventude – um camponês pobre que, longe dela, já havia constituído família e lutava para conseguir o que comer, Kaguya fica mais triste a cada dia. O auge de seu desespero acontece quando ela é assediada pelo Imperador, que tenta convencê-la a morar em seu palácio e virar sua cortesã. Sem perceber, Kaguya abraça sua natureza de espírito e implora para a lua para ser levada de volta para o lugar de onde veio. Seu pai, desesperado, convoca exércitos inteiros para impedir que os moradores da Cidade da Lua levem sua filha de volta, pois ela jamais se lembrará do que viveu na Terra.

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Mais uma vez eu senti que o filme durou mais do que precisava, mas é tão bonito que eu não tenho coragem de reclamar. A vontade era pausar e rever todas as cenas, o tempo todo, de tão delicadas e detalhistas que são. Esses contos folclóricos são bastante únicos, mágicos de um jeito próprio e diferente, e a animação faz exatamente o que se propôs e retrata a lenda com carinho e fidelidade. Essa, na inclusive, é a lenda que batizou o Monte Fuji. Nesse eu não chorei, mas escrever esse post me deu uma vontadezinha de ver de novo, hehehe.

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E vocês? Já assistiram algum desses dois ou vão colocar a recomendação em prática? Depois me contem o que acharam, e até o próximo post!

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9 Comentários

  • Responder Maria Eduarda {@dudsparrow}

    Não conhecia, na verdade sou bem por fora de filmes asiáticos. Vi e adorei apenas a viagem de Chiriro mesmo (em vhs também hahaha). É muito interessante a complexidade desses filmes, que de infantis não tem nada 🙂
    boa semana ^^

    Red Behavior

    13 de outubro de 2015 às 22:18
  • Responder Cecilia Mesquita

    Ainda não vi nenhum desses dois, tenho um pouco de medo de ver pq são pós Miyazaki que era o diretor antigo

    http://gotasdecaffe.blogspot.com.br
    https://www.facebook.com/GotasdeCafeblog
    xxx

    13 de outubro de 2015 às 22:18
  • Responder Yasmin

    Nunca havia escutado falar sobre, mas pensando em personagens que são fortes e podem ser queridas por quem lê, bateu vontade de assistir!
    Hm, costumava torcer nariz pra certos tipos de histórias espíritas, mas atualmente acho beeem interessante.
    Fiquei com MEGA interesse quanto Memórias de Marnie! ^^
    Besos, Min (www.yasminbueno.com)

    16 de outubro de 2015 às 00:52
  • Responder Juliana Rabelo

    Oi, Marcela! Que legal teu blog e como tu escreve. Adorei!
    Eu assisti a Viagem de Chiriro e, pra ser sincera, não entendi muita coisa (talvez por não entender muito da cultura asiática em geral). Como um filme que também é voltado pro público infantil, achei pesado em algumas partes (eu mesma senti medo em algumas O.O), mas não se pode negar que a história é linda e as artes são encantadoras! ♥

    16 de outubro de 2015 às 00:52
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Hahaha oi Juliana! Fico feliz que tenha gostado daqui <3 Então, eu, que sou muito suspeita pra falar, não acho que as animações do Studio são tão voltadas pro público infantil assim, sabe? De certa forma, algumas são <> maduras (vide O Cemitério dos Vagalumes). As crianças costumam gostar porque é bonito, colorido e mágico, mas as histórias são muito mais atraentes para os mais velhos. Acabam sendo trabalhos atemporais e pra família toda <3 hehehe.

    16 de outubro de 2015 às 22:55
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Nossa, mulheres fortes são o BANG! desse estúdio, hahaha! Muito dificilmente eles fazem algo que não tenha uma mulher protagonista ou no arco principal. Recomendo muito A Princesa Mononoke se você estiver atrás de uma personagem queria e forte <3

    16 de outubro de 2015 às 22:57
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    E o medo que eu tava de ver e achar uma caca? hahaha Felizmente não foi o caso, eles continuam sabendo muito bem o que fazem! E, salvo engano, os diretores das duas animações já tem histórico com o Studio também 🙂

    16 de outubro de 2015 às 22:59
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Ai você me entende <3

    16 de outubro de 2015 às 22:59
  • Responder Mila

    Nunca assisti nenhum delas mas conhecia o da princesa por outro blog, mas sua resenha me deixou com vontade de assistir ambos! Vou procurar aonde encontro eles e está na minha lista!
    Bjs

    http://achadosdamila.blogspot.com.br/
    https://www.facebook.com/achadosdamila

    19 de outubro de 2015 às 17:52
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