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Animes e Mangás

Eu vi: Kara no Kyoukai (ou The Garden of Sinners)

Reprodução

Esse vai ser um anime bem difícil de resenhar. Tanto por ele ser, por si só, bastante difícil de entender, quanto por que minha vontade mesmo era assistir o anime todo de novo do lado de quem está lendo, fazendo comentários aleatórios e pouco construtivos sobre como esse anime é bonito. Eu passei um bom tempo procurando gifs de cenas incríveis no Tumblr, porque imagens estáticas nem começariam a fazer jus à experiência de ver esse anime. Mas vamos pelo começo:

Kara no Kyoukai foi uma série de novels publicadas entre 98 e 99, enquanto o primeiro episódio da animação foi ao ar em dezembro de 2007, e eu vou colocar tag neste post tanto para “anime” quanto para “filmes”, porque cada episódio tem duração variada entre uma hora e poucos e quase duas horas e meia, então dá pra perceber que são bem mais longos do que episódios comuns. Até 2009 foram exibidos sete episódios, formando assim o arco original. O episódio intitulado “Epilogue” foi ao ar em 2011 e, depois disso, o último episódio da série foi exibido no fim de 2013. No entanto, estes dois últimos episódios tem, aparentemente, pouca relação com os episódios do arco original.

Outra curiosidade que fez o meu raciocínio ferver: os episódios não foram exibidos em ordem cronológica. Eu repito: a ordem de exibição dos episódios não é a ordem dos acontecimentos da trama. Ouvi dizer que foi pra dar um appeal a mais na narrativa. Se por isso eles quiseram dizer “fazer as pessoas quebrarem a cabeça para entender os fatos e juntar as peças e queimarem muito mais neurônios para entender a história” então é, o appeal foi bem forte. E apesar de eu não ter exatamente concordado com essa prática, Kara no Kyoukai não deu espaço para mais nada na minha cabeça enquanto eu não assisti todos os episódios, porque pode ficar REALMENTE confuso.

Os episódios sempre começam com uma sala de cinema e os personagens representados de forma muito fofa e que lembra animações feitas em massinha, e nesse comecinho sempre tem alguma dica do que vai acontecer ou de quem vai aparecer no episódio – não que isso ajude muito, mas é super meigo.

O primeiro episódio se passa em Setembro de 1998 e se chama Overlooking View, onde somos apresentados pela primeira vez à Shiki, a protagonista da série, e a Mikyia Kokutou, seu melhor (aliás, único) amigo desde a época do colégio. Eles e Touko, que age como um tipo de mentora, investigam uma série de suicídios cometidos por garotas na época do colegial, nenhuma tendo deixado nota de suicídio ou tendo motivos aparentes para morrer, e todas elas tendo se jogado de janelas, sacadas ou de cima de prédios.

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Os olhos de Shiki captam várias figuras fantasmagóricas ao redor do prédio onde os suicídios tem acontecido com frequência. Nesse episódio, que não é o primeiro na ordem cronológica, descobrimos um pouco mais sobre o poder por trás de seus olhos quando, tendo um dos braços dominado pela entidade fantasmagórica responsável pelos suicídios, Shiki o mata. Não tem problema se você não entendeu logo de cara, eu vou repetir: Shiki mata o próprio braço, que, na verdade, era um braço falso, como o de uma boneca de madeira, feito por Touko. Se esse poder te pareceu bobo a princípio, meu amigo, você não tem ideia.

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Eu me rendi completamente logo no primeiro episódio. O uso das cores nas cenas chega a assustar de tão bonito, de tão incrível que é. Os reflexos, as cenas de luta, provavelmente foi o melhor anime que eu vi até agora, em questão de arte bem feita.

O segundo episódio se passa entre Agosto de 1995 e Março de 1996, e é o primeiro na linha cronológica da história. Ele se chama Murder Speculation (Part 1) e conta como Shiki e Tokutou se conheceram, e a série de assassinatos que, em breve, tomaria conta dos noticiários.

tumblr_no4hffjryl1twrse4o1_540tumblr_ngpmktsr1x1qln5h5o2_500A partir desse episódio que a gente percebe o quão violento, até gore, Kara no Kyoukai consegue ser. O sangue tem um efeito todo especial, é brilhante e profundo, e consegue se destacar mesmo em um anime de arte tão bem feita. Acho que esse é o único episódio que aborda um pouco da família da Shiki, que se destaca por sempre usar kimonos tradicionais e coturnos. Descobrimos também que, apesar de ela ter um irmão mais velho, ela é a sucessora da família, isso porque apenas ela tem dupla personalidade característica da família. Sua outra personalidade, tratada por “SHIKI” (em japonês, são ideogramas diferentes), é masculina e rebelde, desgostando de tudo que Shiki gosta. Ah sim, importante ressaltar: uma das personalidades é um serial killer compulsivo e violento. Hehe.
O terceiro episódio talvez tenha sido um pouco chocante, e talvez um pouco triste. Chama-se Remainig Sense of Pain, se passa em Julho de 1998 e conta a história de Fujino Asagami, uma garota frequentemente abusada por uma gangue, e que não sente qualquer tipo de dor – até então. A primeira sensação de dor desbloqueia um poder tão curioso quanto o de Shiki e uma dor constante em seu abdome, onde ela acredita ter sido esfaqueada. Fujino decide usar seu poder para vingar-se de seus agressores, e assim vira alvo do instinto assassino de Shiki.
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Este, para mim, foi um dos dois episódios que causaram um graaaaande desconforto. O anime não nos poupa detalhes, e mesmo o que poderia ser considerado fanservice acaba não sendo, porque até o fanservice aqui cumpre um propósito e, diferente dos outros animes, ele definitivamente não está aqui para atrair público ou fazer dar risada. Acho até que a seriedade da história me deu um pequeno embrulho no estômago, se vocês acreditarem. Eu obviamente não vou explicitar nada da história por aqui, até porque o meu objetivo é deixar vocês com vontade de ver o anime. O que eu posso dizer é que Shiki sem dúvida cresceu em mim como personagem no fim do episódio, eu admiro muito a forma como a história não permite que os personagens se limitem às suas características, Shiki é muito mais do que um simples personagem com dupla personalidade. Ponto pro roteiro. E, novamente, as cores desse episódio me tiraram o fôlego. Literalmente. Você fica babando na frente da tela de tão bonito que é.
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 O quarto episódio, The Hollow Shrine, é o segundo na ordem cronológica e se passa entre março de 1996 e junho de 1998 e a primeira coisa que vemos é Shiki sendo carregada para uma ambulância, o que resulta num coma de dois anos. Tudo bem se você quiser um tempo para se perguntar como, quando, onde e por que. Eu respeito isso. É nesse episódio que Shiki toma conhecimento de seus poder: seus olhos conseguem ver a morte de todas as coisas. Isso, como vocês podem imaginar, a deixa em pânico no começo, e a cena da visão dela alternando, pela primeira vez, entre o normal e a “percepção de morte” é, ao mesmo tempo, visualmente bonita e desesperadora.
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 Este poder, como vocês podem imaginar, permite que Shiki mate qualquer coisa, e ela não necessariamente precisa estar armada para isso. E sim, quando eu digo “qualquer coisa” eu quero dizer QUALQUER. FUCKING. COISA. MESMO.
É importante aqui que vocês prestem muita atenção na cena depois dos créditos. Sério. Isso vai influenciar em todo o resto da história, que já aconteceu e que ainda vai acontecer.

O quinto episódio… Aah, o quinto episódio.
Deixem-me começar dizendo que se esse episódio (o mais longo até agora) existisse sozinho, por conta própria, sem todo o resto por trás, estaria tudo bem. Paradox Spiral se passa em novembro de 1998 e eu não tenho vergonha alguma de admitir que eu precisei ver duas vezes para entender. Esse episódio é tão bom, tão bonito e tão bem feito que me dá vontade de chorar. Na verdade, eu não sei nem por que eu estou falando dele aqui, não tem o que falar. Veja. É sério. Prometa para mim que você vai ver, e que se precisar vai ver de novo, e que vai ficar tão boquiaberto quanto eu fiquei, tanto com a história quanto com as cores do episódio (sim, eu vou continuar insistindo nas cores, não adianta reclamar). Vou só comentar que a cena de luta é ridiculamente incrível e serviu pra montar o trailer do anime.

Só um aviso: veja esse episódio com paciência e mente aberta. Não se assuste porque é confuso. O episódio segue uma linha temporal própria e não apresenta os acontecimentos na ordem. Você precisa prestar MUITA atenção em tudo e só vai conseguir ligar a história inteira no fim, como um bom quebra-cabeça deve ser. Se você quiser dar uma pesquisada em taoismo, também vai ajudar, porque essa é a base filosófica do episódio.

Depois do quinto episódio, o resto, pra mim, ficou bem tranquilo de entender. Meu cérebro não doeu, eu não me senti perdida, nem desesperada, nem com vontade de gritar “mas o que infernos está acontecendo aqui?”. Na verdade, eu achei que Oblivion Recorder, que se passa em janeiro de 1999, foi quase um alívio cômico, comparado ao Paradox Spiral. Não digo isso na negativa: a leveza do episódio foi muito bem vinda.

 Nesse episódio conhecemos Azaka, que já havia aparecido antes no lugar onde Touko e Mikyia trabalham. Ela, no fim das contas, é irmã de Mikyia e tem um relacionamento bastante… curioso com ele. Novamente eu ressalto: não tem fanservice nesse anime. Duvido muito que qualquer cena tenha sido desenvolvida com o objetivo de virar piada ou de fazer rir… Com exceção dessa aqui, que foi a coisa mais fofa do mundo:

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Shiki infiltra-se no internato de Azaka para investigar um massivo caso de perda de memória… Na verdade, roubo de memórias. Por fadas. Sim, é isso aí, vocês leram certo e eu me recuso a dar qualquer explicação. Vale só dizer de novo que: é bonito. Aaah, é tão bonito…

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O sétimo episódio é o mais longo, e o último do arco original. Logo, é o último que eu vou resenhar por aqui, até porque esse post já está ofensivamente longo. Os dois últimos ficam pra próxima, até porque, segredo: eu ainda não vi. Estou esperando a hype que eu gerei dentro de mim por esse anime abaixar um pouco.

Muito bem, o episódio chama-se Murder Speculation (Part 2) e se passa em fevereiro de 1999. É inacreditavelmente longo e explica tudo. Todas as peças que faltavam no quebra-cabeça são encaixadas de pouquinho em pouquinho. A trama principal é que uma nova onda de assassinatos em série acontece na cidade, e todas as pistas apontam para uma menina vestido um kimono. Mikiya, preocupado que Shiki seja a responsável ou esteja rumando para uma armadilha, começa a investigar os assassinatos por conta própria.

tumblr_nno7xgmyql1tkhbs5o1_500Agora, deixa eu te contar, esse episódio me incomodou MUITO. Me deixou enjoada mesmo. A bestialização do antagonista desse episódio foi tão pesada, ele foi tão bem retratado como um animal e, sobretudo, um predador, e as sequências dessas cenas são tão horrivelmente longas (quando, na prática, mal devem ter dois minutos inteiros) que eu me peguei desejando que aquilo simplesmente acabasse logo. Não sei se por isso ou pelo rumo de “conclusão” que as coisas tomaram, ou talvez pelos dois, foi o episódio que eu menos gostei da série. Eu não nego que o episódio seja bom, mas eu não consegui comprar muitos dos detalhes e partes da trama que eles inseriram aqui. A construção de toda a história e personalidade de um antagonista tão forte em um único episódio também não ficou legal pra mim, não deu tempo de ele crescer em mim como ameaça, entendem? Ainda assim, é bom, e eu não tenho qualquer rancor guardado, ainda mais porque eu sei que tem mais dois episódios inteiros (um deles intitulado Epilogue) pra recuperar a história. De qualquer forma, eu não acho que você deva se deixar influenciar pelo meu “não gostar tanto” nesse episódio. A maioria das pessoas acha que este final foi impecavelmente bem amarrado, e provavelmente elas estão certas.

É uma série de compreensão difícil, algumas pessoas talvez não gostem, simplesmente porque não conseguiram entender ou não se deram bem com a profundidade da história. Kara no Kyoukai foi feita com o propósito de primeiro te deixar confuso, depois te deixar sem fôlego. Você monta um quebra-cabeças sem saber a imagem que ele vai formar quando estiver pronto, e sua única certeza é que tem algo incrivelmente bonito se formando na sua frente. É uma experiência incrível, tanto visual quanto psicológica, e eu recomendarei sempre que me perguntarem.

Tenho planos de resenhar os dois últimos episódios em um post, provavelmente, bem mais curto do que esse, espero que vocês fiquem tão empolgados quanto eu.

Ah sim, outra coisa: a trilha sonora desse anime é FANTÁSTICA. Assim, em caps lock mesmo. Ela é inteiramente feita por uma única banda, que eu planejo inserir em outro post por aqui em breve. Então, é, tem boa história, boa arte, boa música e boas cenas de luta, eu não sei o que mais você pode querer num anime.

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3 Comentários

  • Responder David

    Eu ainda preciso tirar um tempo para reassistir esse anime, acho que vi até o quinto ep e acabei deixando de lado, os eps longos e a complexidade acabaram me cansando, mas concordo com tudo que foi dito, a arte e trilha sonora são incríveis e tenho certeza que o plot também é, só preciso de assistir com atenção redobrada que dou conta :).

    7 de setembro de 2016 às 05:56
    • Responder Marcela Fabreti

      Olha, isso é normal viu? Mais de uma vez eu me distraí, fiquei meio “dããã” e depois, quando olhei de volta pra TV, não tinha a menor ideia do que estava acontecendo ao meu redor. COM CERTEZA é um anime pra ver com calma, um pouquinho de cada vez, só quando estamos inspirados de verdade pra prestar atenção.

      30 de setembro de 2016 às 19:56
  • Responder Lennon

    Acabo de terminar a trilha original (7 episódios) mais o Epilogue (que é desnecessário e muito chato, mas ok, pode ser porque é meia hora de um único diálogo).
    Concordo com tudo o que você disse, bela resenha aliás. A animação é SEM PALAVRAS, o que só me fez ficar ainda mais fã do trabalho criterioso que o estúdio Ufotable realiza!!!
    É o segundo anime que vejo deles, o primeiro é a série Fate do mesmo criador de Kara no Kyokai, o qual eu recomendo muito também, até porque faz parte do Nasuverse, dê uma pesquisada depois, caso já não conheça.
    Kara no Kyokai é um daqueles materiais que você PRECISA ver pelo menos 2 vezes, mas confesso que é algo tão denso que eu vou demorar bastante pra assistir de novo (se é que um dia vou animar de fazer isso hehe). Mas, se esse dia chegar, vou assistir na ordem cronológica desta vez, pode ser que ajude a ficar um pouquinho mais claro. O Nasuverse é muito filosófico, já li muita coisa sobre budismo e história por causa do Fate, essa é uma característica que me fascinou nos animes dele. É muito bem trabalhado e muito complexo para um “simples desenho”.
    Enfim, agora vou procurar o episódio 9 e 10 para baixar.
    Espero que você já tenha assistido! 😀

    20 de fevereiro de 2017 às 09:49
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