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A primeira temporada de Marvel’s Jessica Jones

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É oficial: os viciados em série não falam de outra coisa a não ser da nova parceria da Marvel com a Netflix. E também não é pra menos!

Por aqui, nós aproveitamos um fim de semana mais tranquilo da faculdade (ainda não estamos de férias!) para ver a série toda de uma vez – e isso resultou em um domingo extremamente grogue depois de oito episódios sem pausa nem para um lanchinho, o que valeu super a pena.

A série é, em uma palavra, surpreendente. É quase assustador o quanto a Marvel mudou e evoluiu rápido! Algumas coisas que na época da primeira temporada de Demolidor eram apenas sugestões vieram com tudo em Jessica Jones, o que me faz pensar que a influência da Netflix está fazendo maravilhas para a outrora colorida, clara e amigável Marvel. Bem, se tem uma coisa que a nova série não é, é colorida ou amigável. Ao contrário, J.J é extremamente escura e sombria, e usa tons de roxo tão bem quanto Demolidor usa o vermelho.

Os personagens atingiram um nível inédito de complexidade, a ponto de ser difícil apontá-los como bons ou ruins, ou até mesmo dizer que gostamos deles sem qualquer ressalva. Inclusive, eu te desafio a declarar seu amor pelo vilão dessa série no Tumblr sem ser criticado(a) por isso minutos depois. Apesar de todo o debate enraivecido em torno de Killgrave, o desenvolvimento de cada um dos personagens é fantástico. A série aborda absolutamente todas as formas de abuso. Entre casais, entre familiares, entre amigos, entre desconhecidos. Talvez o único personagem que tenha sido deixado de fora de um cenário abusivo seja o Luke Cage, pois sua história gira em torno do luto e do desejo de vingança, e ele é tão alienígena em relação aos demais personagens que terá uma série só para si.

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A minha maior surpresa entre os personagens definitivamente foi o Malcolm. O personagem tinha tudo para ser um coadjuvante metido a alívio cômico, e no fim a sua história é uma das de maior impacto, o que resulta em uma evolução incrível do personagem.

A Jessica é toda errada, toda quebrada, a pior super-heroína de todos os tempos e que toma decisões obviamente péssimas o tempo todo… E tudo isso faz sentido. Todos eles são dolorosamente humanos. Ela é o reflexo de alguém traumatizado, enfurecido e, ainda assim, absolutamente manipulável. Uma pessoa como eu e você, tentando de todas as formas tomar um rumo decente na vida e esquecer as cicatrizes e traumas do passado – que sempre voltam para assombrá-la e fazê-la repetir os erros, ainda que sem perceber. Esqueça a otimista Jewele sua fantasia de super-heroína (que inclusive dá as caras em forma de easter egg na série e é prontamente desprezado pela protagonista), os sonhos de Jessica de ajudar as pessoas e fazer a diferença na cidade foram destruídos muito antes da época abordada pela temporada.

Já o vilão foi todo desenhado de forma a nos conquistar e nos fazer sofrer por isso. Arrisco dizer que até mesmo a escolha do ator foi proposital. Estamos tão acostumados a amar David Tennant que as ações de Killgrave nos embrulham o estômago. O personagem é literalmente chamado de estuprador por Jessica, e isso foi só o que bastou para metade da internet proclamar seu ódio infinito por ele e, consequentemente, por qualquer um que simpatizasse com ele. Pois aqui está a verdade que ninguém quer admitir:

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Nós sabemos o que o vilão fez, nós muitas vezes o vimos fazendo e, ainda assim, uma partezinha de nós simpatiza com ele. Sentimos pena quando descobrimos sobre seu passado, secretamente gostamos muito do episódio em que ele e Jessica dividiram o mesmo teto (ainda que por pouco tempo), mais de uma vez acreditamos que as coisas realmente poderiam dar certo… Em resumo, todos nós sentimos o que as pessoas que vivem em lares abusivos sentem. Prometemos a nós mesmos que nunca mais voltaremos quando somos agredidos, e ainda assim acreditamos quando ele nos olha nos olhos e promete que nunca mais irá acontecer. Lógico que acontece de novo, mas nem todos nós temos a força que Jessica teve para mudar de vida e deixar aquilo tudo para trás, ou para lutar quando ele voltou para assombrá-la. É muito fácil agredir verbalmente alguém que diz gostar de um personagem como Killgrave, assim como é muito fácil criticar a mulher que apanha em casa por não abandonar o marido agressivo. No fim do dia, Jessica Jones não é uma super-heroína porque você não precisa de super-poderes para mudar o rumo da sua vida. E não é o controle mental que fez do Killgrave um super-vilão, porque, na vida real, eu e você conhecemos mais de uma pessoa tão ou mais influente do que ele.

A linha entre o abusivo e o abusado é terrivelmente tênue, e essa parceria entre Marvel e Netflix deixou isso mais claro do que nunca.

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8 Comentários

  • Responder Profano Feminino

    Vi só o pilot até agora da série, mas assisti Demolidor e achei incrível e pelo visto pela sua resenha Jessica Jones não fica atrás, vou assistir em breve. =)

    Blog Profano Feminino

    8 de dezembro de 2015 às 01:42
  • Responder Maria Eduarda {@dudsparrow}

    Assisti apenas os dois primeiros episódios e gostei bastante. Acho muito interessante uma série de heróis não ser aquela mesmice e abordar assuntos tão atuais como abuso e etc.
    boa semana 🙂

    Red Behavior

    9 de dezembro de 2015 às 01:51
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Assista sim! A Marvel vem enchendo o meu coraçãozinho geek de esperanças! <3

    9 de dezembro de 2015 às 01:55
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Eu concordo! E JJ aborda esses assuntos de uma maneira muito realista, dá pra ficar horas debatendo sobre esses lados da série!

    9 de dezembro de 2015 às 01:55
  • Responder Mila

    Tenho que assistir essa série, seu post foi bem critico e me amarrei nele!
    Ah, notei que mudou o layout, ficou ótimo!!!
    Bjs

    http://achadosdamila.blogspot.com.br/

    10 de dezembro de 2015 às 02:57
  • Responder Juliana Azevedo

    Ai meina, pirei! Já ouv falar muito dessa nova série, mas acabei passando Prison Break na frente. Na verdade, sou novata nas séries e só assisti até o fim GOT, Sense8 e How To Get Away With Murder, mas meu amigo me deu a senha do Netflix e essa história vai mudar. Sua resenha me deixou ainda mais ansiosa para assistir J.J., sem dúvidas vai ser a próxima série da minha lista ♥

    http://www.chuvadejujubas.com

    11 de dezembro de 2015 às 19:23
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Que bom que gostou! 😀 Assista sim que vale a pena!

    14 de dezembro de 2015 às 01:51
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Que bom que gostou!! Eu sou a louca das séries, mas ainda não assisti nem Prison Break, nem Sense8 e nem HTGAWM, e inclusive essas três estão muuuuuito forte na minha lista!!

    14 de dezembro de 2015 às 01:56
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