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Crônicas

Ainda é Novembro.

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Eu morro o dia em que eu não tiver nenhum plano para pôr em prática. Na verdade, divido minha vida entre os dias em que estou realizando um plano e os dias em que estou esperando para que um plano possa ser realizado. Atualmente, por exemplo, sinto que a única coisa que tenho que fazer com os meus dias é sobreviver pacientemente, um dia após o outro, até que eu consiga ligar as máquinas, girar a manivela e mover o mundo. Por enquanto, eu trabalho repetitivamente com o machado, acumulando lenha em um canto da vida, tudo isso pra máquina andar mais rápido quando eu já tiver combustível o suficiente.

Não digo que isso é um jeito saudável de viver a vida. Ah, não. Aposto como é aqui que está a toca (não a origem) das minhas crises de ansiedade, dos ataques de pânico e da sensação sufocante de que as coisas simplesmente não estão evoluindo. Eu não suporto isso. Eu me apaixonei pelo ato de mudar, de produzir coisas novas. Eu preciso sentir que o que estou fazendo agora vai resultar em algo válido no futuro. É por isso que, a despeito de tanta gente assombrada de como novembro chegou rápido, pra mim ele demorou até demais. Eu gosto da sensação do passar do tempo, ainda não tenho anos o suficiente nas costas para que isso me assuste. Eu quero que passe mais rápido, eu quero colher os frutos logo, eu quero que a terra se cure logo para que eu volte a plantar.

No momento eu me encontro em um destes fatídicos, inevitáveis invernos da vida em que nada nasce ou cresce, e eu sou obrigada a consumir e esgotar o que eu tinha até agora. Mas tudo bem. Eu sou metódica, e já tenho todas as sementes novas preparadas. Eu consigo racionar por mais uns meses. Quando o gelo que prende a máquina do mundo derreter, eu terei madeira o suficiente para fazê-la trabalhar à toda força, ou para incendiar a coisa toda e começar de novo.

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4 Comentários

  • Responder Clayci

    UAU! Compartilhando isso com o mundo, pois super me identifiquei ..
    😉

    http://www.saidaminhalente.com

    4 de novembro de 2015 às 19:07
  • Responder Jessica Ujiie

    Que lindo…
    Queria que ainda houvesse mais pessoas que escrevessem como você. ^^

    BJinhos

    Uma Geek Descolada

    4 de novembro de 2015 às 19:07
  • Responder Tami Melo

    Que texto lindo, Marcela!

    Amei, amei, amei <3
    Também sou super ansiosa, e isso é um problema sério. Quero tudo pra ontem, e quando tô num momento de calmaria começo a me desesperar achando que coisas estão pra acontecer e talvez eu não esteja preparada pra elas :/

    Enfim, você escreve lindamente. Parabéns!

    sobrepequenasobsessoes.blogspot.com

    16 de novembro de 2015 às 18:18
  • Responder Marcela Fabreti de Oliveira

    Muito obrigada, Tami! <3
    Credo, vamos todas ficar com cabelos brancos antes da hora D: eu vivo pensando se não deveria, sei lá, fazer yoga, meditar, qualquer coisa que me deixasse menos assim, e aí eu me pergunto se eu saberia viver de outro jeito.

    16 de novembro de 2015 às 18:24
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