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Quando conheci Artemis

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Reprodução

Eu devia ter entre doze e catorze anos quando vi Artemis pela primeira vez. Não lembro mais se este nome surgiu durante o sonho ou depois dele mas, de alguma forma, esse é seu nome.
Eu lembro de muitos sonhos que tive no passado, alguns tem mais de uma década e eu ainda lembro claramente de cada um deles. Artemis faz parte de um desses sonhos, do que acabou se tornando meu sonho favorito, e de tanto pensar nele eu não tenho mais certeza do que foi sonho e do que eu criei depois, mas vou tentar lembrar do sonho como ele foi.

Era noite e eu e um grupo de colegas de classe saíamos de um circo, andávamos sozinhos pela rua escura, rindo e nos divertindo. Uma das casas ao lado da rua tinha um muro baixo, feito de tijolos. Não era um muro reto, mas ondulado, e em cima do muro havia uma pessoa deitada, as costas confortavelmente apoiadas em uma das ondulações.

Era um bobo da corte, provavelmente alguém do circo. Usava uma roupa coberta por losangos brancos e pretos, um chapéu típico, também com losangos e com guizos nas pontas e sapatos com pontas voltadas para cima. Ele tinha as pernas cruzadas, os olhos pintados e um cabelo escuro na altura do rosto, e tocava flauta transversal.

Ele saltou do muro assim que nos viu e parou na nossa frente. Tentamos provocá-lo, mas ele não falava. Perguntamos se ele trabalhava no circo e continuamos sem resposta.

Ele guardou a flauta e, olhando para mim, fez surgir das mãos vazias uma rosa vermelha, que fez menção de me entregar. Antes que eu pudesse pegá-la, a rosa pegou fogo e se transformou num Às de Espadas. O coringa sorriu e me entregou a carta, e por algum motivo pedimos para que ele fosse conosco para o apartamento da minha mãe.

Todos nós dormimos lá, e o bobo da corte continuou em silêncio. Eu deixei a carta em cima da mesa do meu quarto e, de madrugada, acordei com ela em chamas. O fogo consumia a casa inteira, mas ninguém parecia notar. Deixei o quarto e fui para a sala, onde o bobo da corte sorria para mim. Não era um sorriso maldoso ou coisa do tipo, ele simplesmente parecia esperançoso ou só muito feliz. Ele saiu pela porta e eu tentei segui-lo, mas só então percebi que o fogo havia transformado o apartamento num lugar diferente. Eu estava num castelo. Meus amigos estavam lá também, mas eles não pareciam lembrar de mim ou do que havia acontecido antes, tudo parecia normal para eles. Me foi anunciado que o Rei e a Rainha queriam me ver, e quando me uni aos outros ao lado do trono, as portas do salão se abriram e o bobo, Artemis, entrou tocando a flauta. Ele pareceu realmente surpreso (e feliz) ao me ver, e me anunciou para o Rei e a Rainha. Aparentemente, minha presença lá tinha algum significado, e mais ainda para Artemis… Se não estou enganada, ele queria nossa companhia no mundo dele, nos mostrar de onde ele vinha. Ele foi bem vindo em minha casa, então eu era bem vinda em sua vida, e ele me protegeria dos perigos daquele mundo.

Eu tinha o Às de Espadas comigo.

Por muitos anos eu rezei, rezei de verdade, para poder ter o mesmo sonho mais uma vez, ou para pelo menos poder revê-lo. O Às de Espadas ganhou um significado especial para mim, e eu jamais esqueci Artemis, que se tornou um dos personagens constantes na minha imaginação, um dos mais importantes. Mas lógico que, depois de alguns anos, embora eu não tenha perdido a vontade, acabei por aceitar o fato de que o sonho não se repetiria.

Noite passada, eu sonhei com um lugar de muitas portas, uma delas levava para uma praia (nunca para a areia, sempre para o mar). Um homem me levou para a praia com ele contra a minha vontade, e eu só conseguia pensar em como faria para me afastar dele e sair daquele lugar.

Enquanto éramos açoitados pelas ondas, tentando chegar à praia, um bobo da corte apareceu em um pequeno barco e me salvou, dizendo que o Rei e a Rainha queriam me ver.

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